Capitulo 12 – Sagrada Família

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Casa dos Albuquerque, Leblon, Rio de Janeiro

Sonho

TONY – Como você está meu amor?

HELENA – Como você acha que eu estou?

TONY – Só você ser uma boa menina e fazer tudo o que eu mandar que eu não faço novamente.

HELENA – Eu também tenho querer, sabia?

TONY – Pobre mulher, vocês não tem querer, você foram feitas para nos servir, servir aos homens, e nada mais.

HELENA – Larga de ser machista.

TONY – Vá se limpar e se preparar que hoje eu quero você

HELENA – Eu não estou com vontade.

TONY – Eu não te perguntei se estava com vontade, eu mandei você se limpar e se preparar.

HELENA – E eu já disse que não vou.

TONY – Talvez umas palmadas façam você mudar de ideia.

HELENA – (com raiva) Não encoste as mãos em mim seu nojento, eu não gosto de você, eu não amo você, eu te odeio, te odeio, seu monstro! Você só veio para destruir a minha vida, eu quero que você morra, sai do meu quarto sai da minha casa!

TONY – Não fale assim, amor, venha aqui pro seu bem.

HELENA – Eu já disse que eu não quero, vai embora, vai…

Nesse momento Tony vai até onde Helena estar, pega ela pelos cabelos e sai arrastando da cama para o banheiro, a mãe de Cristiana grita, mas ninguém pode escuta-la porque seu marido mandou construir o quarto do casal no ponto mais longe da casa.

Chegando no banheiro Tony coloca sua esposa debaixo do chuveiro e começa a rasgar as roupas dela até deixa-la nua, em seguida limpa as partes intimas.

Terminando a limpeza Tony a puxa pelo braço até a cama, enquanto isso Cristina chora, ele a coloca de bruços na cama e sem mais forças para lutar Helena se entrega, Tony tira o cinto e abaixa a calça com a cueca, lentamente ele vai colocando seu órgão masculino dentro das partes intimas de Helena, ele pega o sinto e começa a bater com força nas costas dela.

Helena olha fixamente para a parede e deixa as lágrimas rolarem, não fala nenhuma palavra e também não grita, as suas costas começam a sair os primeiros vestígios de sangue, quando Tony, saciado se retira para fora da cama e diz:

TONY – Isso é para você aprender a me obedecer, querida.

Helena acorda assustada e gritando do sono da tarde, levanta da cama e desce a escada devagar e vai a cozinha tomar um copo d’agua.

Ela volta para sala e ver no relógio de parede que já são 18:30, quando Gabriel entra em casa de cabeça baixa.

HELENA – Aconteceu algo meu filho?

GABRIEL – Seu filho? Você tem certeza disso?

HELENA – Do que você falando?

GABRIEL – Eu to falando de você ter escondido de mim que não sou seu filho natural, de eu ter sido abandonado nessa porta, por uma mulher, de ter mentido pra mim esse tempo todo que é minha mãe.

HELENA – Eu jamais mentir que eu não era sua mãe, desde o momento que te achamos naquela porta (chorando apontando pra porta) eu me sentir sua mão e durante esse tempo todo te tratei como se fosse meu filho, sempre te dando todo amor e carinho que poderia te dar, te protegendo do mundo lá fora.

GABRIEL – E por que não me contou sobre isso?

HELENA – Queria te proteger exatamente disso.

GABRIEL – Mas você não podia fazer isso.

HELENA – O que você sabe dos meus direitos de mãe, se eu fiz isso foi para o seu bem, mãe é aquela que cuida, que dá carinha e está ali quando você precisa e nunca deixei que faltasse isso pra você, então sou sua mãe.

Gabriel vai até onde Helena e a abraça.

GABRIEL – Te amo mãe

Helena solta um gemido de dor com o abraço do filho

GABRIEL – O que foi, mãe?

HELENA – Não vou mais lhe esconder nada meu filho, sente-se vou lhe contar o que está acontecendo.

Eles se sentam no sofá

HELENA – Eu venho sofrendo agressões do Tony a muito tempo, noite passada eu entrei com um processo contra ele, por isso ele não está aqui, foram vários anos sendo agredida, espancada por ele…

***

Hotel Abeville, Gávea, Rio de Janeiro

LORENA – Então como vai ser essa vingança?

TONY – Vamos arrancar todo o dinheiro deles e deixá-los pobres.

LORENA – Que ótimo, eu topo o que eu tenho que fazer?

TONY – Só tem que ficar de olho na Cristiana e me manter informado.

LORENA – Só isso? E o que eu vou ganhar com isso?

TONY – O que você quer?

LORENA – Bom… o que eu posso querer de você… (aproximando-se e puxando Tony pela gravata) que tal você?

TONY – Mas você já me tem desde o momento que você encostou no meu carro.

LORENA – Então eu quero ser rica com você.

TONY – E você será!

Os dois caem na cama e Tony começa a tirar lentamente as peças de roupa de Lorena…

***

Leblon, Rio de Janeiro

GABRIEL – Parece que eu sou o último a saber das coisas aqui né, por que não me contaram?

HELENA – Queria proteger você filho.

GABRIEL – Mas eu não entendo como você e algumas mulheres podem se deixar submeter a isso.

HELENA – Tem muita coisa em jogo meu filho, mas como você soube daquela história?

GABRIEL – Pela Amanda

HELENA – Sua namorada? O que ela tem a ver com isso?

GABRIEL – A minha mãe biológica é a tia dela, ela escutou uma conversa da mãe dela com a Luciana onde ela confessava.

HELENA – Onde está essa mulher?

GABRIEL – No Hotel Sant Louis aqui no Leblon.

HELENA – Amanha iremos fazer uma visitinha para ela, agora vamos jantar, vá tomar um banho antes.

Helena vai até onde seu filho e o abraça.

HELENA – Te amo meu filho.

GABRIEL – Te amo minha mãe.

***

Dia Seguinte, Leblon, Rio de Janeiro

Helena e Gabriel estão subindo pelo elevador do Sant Louis Hotel, após ter subornado o recepcionista com 300 reais, conseguiu a informação necessária.

Eles sobem até o terceiro andar, e andam até o quarto 305 onde batem na porta

MARTA – Já vai… já vai  (Grita Marta de dentro do apartamento) Pois não, o que deseja?

HELENA – Procuro a Luciana do Vale por gentileza.

MARTA – Um momento, quem quer falar?

HELENA – Diga a ela que é mãe do filho dela.

MARTA – (assustada) Helena Albuquerque?

HELENA – (entrando) Sim a própria, agora vá chama-la.

MARTA – Você não pode sair entrando assim no quarto das pessoas

HELENA – (sentando no sofá) Larga desse falatório e vai logo chamar essa Luciana por favor!

MARTA – Mas é muito folgada mesmo.

Marta entra e vai chamar Luciana

LUCIANA – Então você é a Helena Albuquerque? Você me poupou tempo vindo até aqui.

HELENA – E você é a Luciana, a mulher que teve coragem de abandonar seu filho na porta da minha casa, esse menino lindo que aqui está.

LUCIANA – Você que é meu filho?

Luciana vai até onde Gabriel e tenta abraça-los, mas ele não deixa.

GABRIEL – (com tom de nojo) Seu filho não, me solta, se você fosse minha mãe não tinha me abandonado em uma cesta.

LUCIANA – Você não sabe quais foram meus motivos para fazer isso.

GABRIEL – Nada justifica isso sua nojenta.

LUCIANA – Eu não tinha como te criar, eu era pobre e não queria ver você passando fome, o seu pai queria que eu tirasse você e jamais conseguiria matar meu filho.

GABRIEL – (com raiva) Mas conseguiu descarta-lo como lixo.

LUCIANA – (chorando) Você não sabe o quanto foi difícil pra mim deixa-lo.

HELENA – Enfim, o que viemos fazer aqui, né meu filho, foi para tentarmos resolver essa situação.

LUCIANA – Eu só voltei para o Brasil para recuperar o meu filho.

HELENA – Mas infelizmente não vai ser assim, legalmente ele está sobre minha responsabilidade

LUCIANA – Eu entro com um processo pedindo a guarda dele.

HELENA – Acredito que juiz nenhum vai dá a guarda a uma mulher que abandonou seu próprio filho… Mas vamos falar claro, quanto você quer pra nos deixar em paz?

LUCIANA – Eu não preciso do seu dinheiro, eu já sou rica, não quero mais dinheiro, só quero meu filho!

HELENA – Então, infelizmente, entraremos com essa luta na justiça, venha Gabriel só viemos perder nosso tempo aqui.

***

Escola Johson Junior, Leblon, Rio de Janeiro – Duas Semanas Depois

Cristiana e Rafael estão no seu esconderijo secreto como todos os fins de tarde depois da escola, nas últimas duas semanas eles se conheceram melhor, desde aquele primeiro beijo meio de surpresa dado pela Cristiana na frente da Lorena, de melhores amigos passaram a se agora grandes companheiros, a paz veio se instalando pouco a pouco na vida da Cristiana, a sua mãe já estava melhor e sua família parecia mais unida que nunca, o fantasma da presença do Tony já não tinha tanta influência em suas vidas.

Fernando tinha voltado a administrar o hospital da família, no começo foi um espanto para todos, mas com o tempo foram acostumando, Gabriel e Amanda continuam o seu namoro mesmo com a notícia de serem primos.

RAFAEL – O baile já é depois de amanhã e ainda não comprei o meu esmoque.

CRISTIANA – Qualquer coisa em você vai ficar bonita meu amor. (dar um beijo em Rafael)

RAFAEL – O tema desse ano achei nada a ver, baile de máscaras.

CRISTIANA – Eu achei conveniente e meio misterioso não saber quem estar por trás das máscaras eu já comprei a minha.

RAFAEL – Vou fazer tudo isso amanhã que não teremos aula.

CRISTIANA – Mas você vem nos ajudar a preparar o baile né?

RAFAEL – Claro que sim, só espero que não ocorra nenhum escanda-lo como todo ano.

CRISTIANA – Também espero, já foi uma luta conseguir que fizéssemos na quadra esse ano, se tiver é capaz do diretor não deixar mais fazerem festa nenhuma.

RAFAEL – Acho melhor irmos, não podemos dar bandeira que esse local existe.

CRISTIANA – Vamos, não quero que esse lugar seja destruído.

Cristiana e Rafael descem as escadas na arvore

RAFAEL – Puts! Esqueci de fechar a porta na chave, espera um minuto.

CRISTIANA – Tenho certeza que ninguém vem aqui de hoje pra amanhã de manhã.

Os dois saem do jardim e se afastam pelo corredor, enquanto Lorena sai de trás do armário que estava escondida.

LORENA – Então ali que é o ninho de amor dos pombinhos.

***

Leblon, Rio de Janeiro

Maria Tereza está no seu quarto quando escuta batidas na porta

SILVEIRA – Posso entrar, Tereza?

MARIA TEREZA – Pode sim!

SILVEIRA – Eu vou ser bem direto eu sei q você não veio aqui para trabalhar, está tramando algo para pegar o dinheiro dos Albuquerque.

MARIA TEREZA – Você não sabe o que tá falando!

SILVEIRA – Não? Então veja você mesmo

Silveira mostra a gravação que fez no seu celular, ao terminar de ver Tereza dá um tapa na mão de Silveira que faz o telefone cair.

Silveira rir

MARIA TEREZA – O que você que comigo?

SILVEIRA – Você!

MARIA TEREZA – O que? Nunca que eu iria querer algo com um velho feito você.

SILVEIRA – Você quem sabe, podemos sair daqui agora juntos para meu apartamento que fica aqui perto ou posso mostrar essa gravação direto para dona Helena.

MARIA TEREZA – Eu nunca vou fazer nada com você!

SILVEIRA – Você fez a sua escolha.

Silveira vai andando para fora do quarto

MARIA TEREZA – Não espera… tudo bem eu vou com você, mas vamos combinar que você sai primeiro, deixa o endereço que depois eu vou.

SILVEIRA – Você acha que sou burro? Vai me deixar esperando.

MARIA TEREZA – Eu não tenho escolha né, claro que vou.

SILVEIRA – Me encontre então nesse endereço (anota em um papel) É melhor você ir.

***

Escola Johnson Junior, Leblon, Rio de Janeiro

LORENA – (entrando no Jardim) Então esse é o santuário deles, essas flores bonitinhas, tudo arrumadinho, típico desses dois… Vão ficar mais bonitinhas quando forem arrancadas.

Lorena começa a arrancar flor por flor do jardim, arrancar todas as coisas que Rafael tinha colocado, ela parecia um furacão deixando sua devastação por onde passava até chegar ao tronco da arvora, ao se deparar com a escada que dá para a casa na arvore.

LORENA – Hum o que temos aqui…

Lorena começa a subir a escada até encontrar a casa

LORENA – Então quer dizer que aqueles diabinhos tem um motel dentro da escola, vamos ver como é (abri a porta) bem do jeito brega que eu imaginava.

A inimiga de Cristiana continua sua devastação dentro da pequena casa, joga o tapete para fora da casa e tenta empurra os bancos, mas sem sucesso pelo peso deles, quebra todas as lâmpadas do pisca- pisca e lança a baixo também.

Após terminar seu trabalho ela volta para o corredor grande.

LORENA – Quero só ver o que eles vão achar disso amanhã.

Lucas André

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