Leblon, Rio de Janeiro – 22:00
ANTÔNIO - Marta, não faça nenhum escândalo por favor!
MARTA - Escândalo? Escândalo? Você ainda não viu um, ela vai vir comigo de um jeito ou de outro.
ANTÔNIO - Não vai encostar um dedo nela! Você não sabe conversar?
MARTA - Se conversa adiantasse não teríamos tantos marginais nas ruas.
Marta já estava saindo da Rua Dias Ferreira e entrando na rua da casa de Cristiana, Rua Conde de Bernadotte.
MARTA - Eu quero só ver o que ela está fazendo.
ANTÔNIO - Você vai ver que nada demais.
MARTA - Assim espero.
ANTÔNIO - Você já percebeu que você só sabe reclamar da vida? Será que devemos ser casados ainda?
MARTA - Vai querer discutir relação agora no meio da rua Antônio? Me poupe, não vim aqui para isso.
ANTÔNIO - Você nem sabe qual é a casa deles.
MARTA - Quem tem boca vai a Roma, nunca ouviu falar?
ANTÔNIO - E você vai sair por aí perguntando para qualquer um onde é a casa dos Albuquerque?
MARTA - Sim.
Eles andam pela Rua Conde de Bernadotte e sentado na calçada eles encontram um senhor, param e resolvem pedir informação.
ANTÔNIO - Olá boa noite, você pode nos informar onde fica a casa dos Albuquerque?
SENHOR - Fica aqui do lado, só que eles saíram, acho que está só o Gabriel, o filho mais novo.
ANTÔNIO - Muito obrigado, Sr...
SENHOR - Ronald
ANTÔNIO - Obrigado, Sr. Ronald
Enquanto Antônio se despede, Marta já estava a caminho da casa de Cristiana, chegando na soleira da porta ela bate e nesse momento Antônio a alcança, ela toca a campainha dessa vez de modo impaciente, quem vem recebê-los é o mordomo Silveira.
SILVEIRA - Sim, boa noite, o que desejam?
MARTA - (entrando na casa) Onde está minha filha?
SILVEIRA - Com certeza não a conheço my lady!
Marta alterada pergunta subindo a escada principal.
MARTA - Onde fica o quarto deste delinquente?
SILVEIRA - Suponho que a senhora esteja falando do Gabriel, se madame acalmar eu a levo até lá.
MARTA - Não me peça para ter calma (descendo as escadas) você nunca viu uma mãe enfurecida e acho melhor você me dizer onde fica a droga desse quarto.
ANTÔNIO - Marta, acalme-se, ele vai nos dizer, mas haja civilizadamente.
MARTA - Eu quero a minha filha, se não vou chamar a polícia!
SILVEIRA - Se você não se acalmar eu mesmo chamo para tirá-la daqui.
Marta se cala e fica esperando o mordomo leva-la ao quarto.
SILVEIRA - Melhor assim, me acompanhem.
Silveira sobe a escada principal, seguido por Antônio e Marta, eles pegam a direita e seguem por um grande corredor que no final havia uma única porta branca.
SILVEIRA - Este é o quarto do senhor Gabriel.
Marta se apressa em bater na porta e chamar:
MARTA - Amanda, você está aí? Responda!
Dentro do quarto Amanda acorda com o barulho, meio sonolenta tenta reconhecer a voz. Ao reconhecer ela se desespera.
AMANDA - Gabriel, acorda, é minha mãe na porta.
***
IML, Leblon, Rio de Janeiro
RECEPCIONISTA - Senhora Helena Silva de Albuquerque Siqueira, pode se dirigir a sala de perícia, por favor!
Helena levanta-se e dirige-se a sala, ao adentrar encontra um doutor e uma enfermeira.
DOUTOR – Senhora, preciso que tire a roupa para analisarmos as feridas.
HELENA – É mesmo necessário?
DOUTOR – Infelizmente sim, onde foi que ele lhe bateu?
HELENA – Nas costas, braços, puxou meu cabelo e me estrupo.
DOUTOR – Calma, a senhora pode cobrir a parte da frente de seu corpo, podemos iniciar os exames?
HELENA – Sim.
DOUTOR – Essa é Beth, a enfermeira, ela vai me auxiliar, tudo bem?
HELENA – Tudo bem!
Do lado de fora da sala Cristiana resolve ligar para Joyce para informar dos últimos acontecimentos.
CRISTIANA - Alô, amiga!
JOYCE - Oi, lembrou que eu existo, né?
CRISTIANA - O dia foi muito puxado, o Tony espancou novamente minha mãe e ela resolveu denunciar, nós fomos a delegacia e agora estamos no IML.
JOYCE - (com preocupação) Por que não me avisou antes?
CRISTIANA - Foi tudo muito rápido, o Rafa está aqui comigo.
JOYCE - Dele você lembrou!
CRISTIANA - Não é hora de show, o momento é tenso.
JOYCE - Quer que eu vá até aí?
CRISTIANA - Não precisa, já tem muitas pessoas aqui, quando eu chegar em casa te ligo e você vai para lá, só liguei mesmo para te dizer qual é a situação.
JOYCE - Okay, se precisar só ligar!
CRISTIANA - Obrigada, amiga.
Cristiana desliga o celular e senta esperando sua mãe sair do exame.
***
Leblon, Rio de Janeiro
RONALD - Alô!?
FERNANDO - Quanto tempo amigo!
RONALD - Como você pode estar vivo?
FERNANDO - Uma história muito longa, o que você precisa saber é que eu sobrevivi, perdi a memória, mas retomei minhas lembranças, estava sendo cuidado por um casal de idosos muito gentis.
RONALD - Muita sorte e quando volta?
FERNANDO - O mais breve possível e como está minha família?
RONALD - Está bem na medida do possível.
FERNANDO - E o que aconteceu com o Tony?
RONALD - Tem certeza que quer saber?
FERNANDO - Sim, desembuche cabra!
RONALD - Ele se casou com a Helena.
FERNANDO - Com quem?
RONALD - Ele se casou com sua Mulher.
***
Casa dos Albuquerques, Leblon, Rio de Janeiro
MARTA - Amanda, abra a porta agora eu sei que você está aí.
AMANDA - E agora? O que vamos fazer?
GABRIEL - Calma, vamos abrir a porta, não estamos fazendo nada que um casal não faça.
AMANDA - Você não conhece minha mãe, ela me mata se me ver aqui assim.
GABRIEL - Uma hora você vai ter que enfrentá-la e acho que a hora é essa.
MARTA - Amanda, já estou ficando sem paciência, abra logo essa porta.
AMANDA - Ta bom, deixa eu apenas me vestir.
GABRIEL - Rápido, se não ela vai derrubar a porta do meu quarto
Os dois riem
AMANDA - Acho melhor você vestir algo também, ela não vai gostar nada de te ver assim.
GABRIEL - Será?
Os dois voltam a cair na gargalhada e Amanda começa a se vestir.Gabriel coloca apenas um calção, vai até a porta e a destranca. Marta entra como um furacão dentro do quarto.
MARTA - Eu não te disse Antônio, a nossa filha no quarto com esse marginalzinho quase nu.
ANTÔNIO - Eles são namorados, nada fora do normal, por acaso nós não fazíamos isso? Eu conversei com ela sobre isso.
MARTA - Não estou falando de nós, eram outros tempos e outra situação, agora você vai vir comigo, Amanda, nunca mais vai ver esse playboyzinho, esse namoro terminou aqui, não quero ser avó antes do tempo.
Gabriel começa a se preocupar.
GABRIEL - Você não pode fazer isso.
MARTA - Eu faço o que eu quiser, a filha é minha.
AMANDA - (indo até o namorado) você não vai me afastar do Gabriel.
Marta vai até onde Amada e a puxa pelo braço.
MARTA -Você vai vir comigo, e não me questione, entendido mocinha? Está é a última que você me apronta – enquanto Marta fala, ela puxa Amanda pelo braço descendo as escadas – não criei nenhuma puta pra você está em casa de macho até uma hora dessa.
ANTÔNIO - Solta ela Marta!
MARTA- Cala a boca seu imprestável, eu disse que vinha buscá-la e ela vai comigo.
Antônio coloca-se na frente de sua Mulher
ANTÔNIO - Já disse que você não vai fazer nada com minha filha.
MARTA - Sai da minha frente, se não passo por cima de você!
Amanda grita incessantemente para que sua mãe a solte.
ANTÔNIO - Tenta Marta! Quero só ver, você não vai fazer nada com ela, não sabe agir como gente, conversar civilizadamente.
MARTA - Pacifista idiota, se conversar adiantasse não teríamos mais ladrões, ela vai levar uma surra sim, para aprender a não ficar se entregando a qualquer um por ai.
GABRIEL - Não vai bater na minha namorada, só porque você saiu dando pra todo mundo até ficar grávida, não quer dizer que com ela tem que ser assim.
Marta solta Amanda e vai na direção de Gabriel e dá um tapa nele.
MARTA - Procure me respeitar, que o único homem com quem eu estive foi com o pai dessa daí.
GABRIEL - Isso que você diz né! Com certeza deve ter dado suas puladas de cerca.
MARTA - (partindo para cima de Gabriel com tapas e socos) Cala a boca seu merda!
ANTÔNIO - (intervindo) Se controla Marta, veio aqui para fazer escândalo?
MARTA - Não posso deixar que ele fale assim de mim.
ANTÔNIO - Está agindo como uma adolescente dessas brigonas.
MARTA - Querido, não me compare com essas criaturas sou uma dama que vive na alta sociedade.
AMANDA - (provocando) Desde quando Morro do Vidigal é alta sociedade?
MARTA - Pelo visto a surra não foi o suficiente para abrandar essa sua língua, deixe de ser mal criada e vamos para casa ou vou ter que te puxar pelos cabelos até o Vidigal?
AMANDA - Ta mãe, posso me despedir do meu namorado?
MARTA - Não
ANTÔNIO - Sim, claro que pode e vamos esperar lá fora, né querida?
MARTA - Tudo bem, apenas cinco minutos.
Marta e Antônio saem e ficam esperando lá fora, Silveira vai para a cozinha e deixa Amanda e Gabriel a sós.
GABRIEL - Essa sua mãe em, é pior que um tufão!
AMANDA - Você ainda viu nada, ela é bem pior, mas não quero falar dela, achei maravilhoso hoje.
GABRIEL - Quem bom que você gostou, meu amor!
AMANDA - Acho melhor ir antes que o ciclone Marta volte.
Os dois riem, se beijam e Amanda vai para onde seus pais.
***
Hospital São Miguel, Gávea, Rio de Janeiro
Dois agentes da polícia civil se aproximam da recepção do hospital, perguntam pelo Sr. Tony Rubens Siqueira e mostram a intimação ao recepcionista.
RECEPCIONISTA - Vou avisá-lo que vocês estão aqui.
Ele pega o telefone e liga para o escritório de Tony.
Dentro do escritório estava ele e Vanda terminando o serviço do dia a dia quando o telefone toca:
TONY - (irritado) Eu disse para esses incompetentes que eu não queria ser interrompido. (atende o telefone) Alô, eu disse que não queria ser interrompido seus incompetentes, acho que deixei isso bem claro.
RECEPCIONISTA - Desculpe, mas tem uns policiais aqui querendo falar com o senhor, eles estão com uma intimação.
TONY - E o que eles querem?
RECEPCIONISTA - Não sei, só querem falar com você!
TONY - Mande subir então.
O recepcionista transmite o recado aos policiais e os acompanha até a sala de seu patrão.
Ao chegarem à sala já estava tudo arrumado e Vanda já havia saído, os policiais entram e sentam nas cadeiras que ficam em frente à mesa de Tony.
TONY - Algum problema, senhores policiais?
POLICIAL - Recebemos uma denúncia de violência doméstica, contra sua esposa senhora Helena Silva de Albuquerque Siqueira.
TONY - (calmo por fora, mas explodindo por dentro) Quem fez a denúncia?
POLICIAIS - Infelizmente não revelamos a identidade de quem faz as denúncias, aqui temos uma intimação para você comparecer até a delegacia para prestar esclarecimentos sobre a ocorrência.
Tony pega a intimação e começa a ler, depois de estar satisfeito assina as duas vias e entrega uma ao policial.
TONY -Senhores tenho certeza que é apenas um mal-entendido e que ficarei grato em esclarecer.
Tony acompanha os policiais até o estacionamento do hospital onde ele entra em seu carro e vai acompanhando a viatura até a delegacia.
TONY - Eu te avisei Cristiana, eu te avisei.
***
Leblon, Rio de Janeiro
SUSANA - (fala no carro voltando para a casa de Cristiana) O primeiro passo você já deu amiga.
HELENA - Tenho medo daquele monstro fazer algo com os meus filhos.
SUSANA - A lei vai proteger vocês
HELENA - Mas, só daqui a 48 horas e quando ele chegar pode fazer eu sei lá o que conosco, não quero nem pensar.
SUSANA - Ele vai pensar duas vezes antes de te agredir novamente.
HELENA - Não com o Tony, ele não vai ter medo de me bater só porque foi intimado a ir à delegacia, lá ele pode inventar qualquer história e desmentir a minha versão.
CRISTIANA - Não se preocupe mãe, eu estou com você
HELENA - Eu só queria que o Fernando estivesse aqui.
Neste momento uma figura alta estava em um carro vindo pela avenida do Jardim botânico em direção ao Leblon.
DEPOIMENTO REAL
Tatiana Oliveira - João Pessoa PB
Meu depoimento é um de tantos outros que existem a cada dia. Fui casada durante sete anos e nos últimos dois anos apanhei muito, eram murros, chutes, pontapés, beliscões, até murros no rosto, fui estuprada por meu esposo diversas vezes, era horrível! Então decidi abandoná-lo, sai de casa e comecei a trabalhar, arranjei um namorado (hoje marido) e vivo feliz, ao invés de apanhar sou amada, foi difícil, mas DEUS nos fez para sermos amadas. Pensem nisso.

6 Comentários
Olha, fico feliz no que vejo, o texto está se estabilizando e ficando bom na medida do possível.
ResponderExcluirParabens, apenas uma observação. Se possivel dê guanchos no final do capitulo.
Capítulo legal, porém não gostei do Gabriel e da Amanda, acho eles infantis, enfim, com certeza aprenderam amadurecer caso ela fique grávida, assim espero. Parabéns e continue escrevendo.
ResponderExcluirObrigado, tentando melhorar a cada capítulo
ResponderExcluirObrigado! A trama dos dois ainda vai dar uma grande reviravolta que não está atrelada a gravidez, aguarde os próximos capítulos!
ResponderExcluirAmigo, se desejar me coloco a disposição para ajuda-lo.
ResponderExcluirPois é sempre bom ajudar. Caso queira me avise rs.
Que raiva do Gabriel insultar uma pessoa mais velha!
ResponderExcluirAntônio caiu no meu conceito. Deveria ter defendido a esposa.
Martha deveria ter dado mais tapas no Gabriel.
Cristiana tá meio apagada.
A escrita da web tá ótima. Ágil e eletrizante.