Capítulo 15 – Sagrada Família (Último Capítulo)

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Hospital São Miguel, Gávea, Rio de Janeiro

MARTA – Onde está minha filha? (Entra na sala de espera, todos os olhares se voltam para ela) onde ela está? Quero vê-la.

Antônio se levanta e vai até onde a esposa

ANTÔNIO – Acalme-se, estamos esperando o médico vir nos dizer algo.

GABRIEL – Essa espera que nos mata.

Eles vão e se sentam no sofá da recepção, Helena se aproxima dos dois.

HELENA – Olha eu sei que não temos um bom relacionamento, mas eu sei como você deve estar se sentindo e o que precisar estamos a sua disposição.

MARTA – Pode voltar no tempo?

HELENA – Não.

MARTA – Então temo que não possa fazer nada.

ANTÔNIO – Larga de ser assim, Marta, nós agradecemos senhora Helena.

Após um longo tempo de espera, o doutor surge na sala.

MARTA – E então doutor?

DOUTOR – Está tudo bem com a senhorita Amanda, ela está em repouso e terá que ficar alguns dias aqui, mas, infelizmente não conseguimos salvar a criança.

GABRIEL – Que criança?

DOUTOR – Vocês não sabiam que ela está grávida?

GABRIEL – Não, o meu filho? Ela iria ter um filho meu?

Fernando vai até onde o filho e o abraça.

FERNANDO – O importante é que ela está bem, filho.

MARTA – E quanto tempo ela vai ter que ficar aqui?

DOUTOR – Uns 3 a 5 dias, mas isso dependendo da forma que ela se recupera, agora se me dão licença tenho outra cirurgia para fazer.

HELENA – Claro, obrigado doutor.

MARTA – Só mais uma coisa, doutor, quando podemos vê-la?

DOUTOR – Creio que só amanhã.

MARTA – Mas o senhor não pode abrir uma exceção para que eu possa ir lá onde ela?

DOUTOR – Creio que não, ela acabou de sair de uma cirurgia e ainda está um pouco fraca, sem poder falar.

MARTA – Mas eu insisto, só vou me acalmar quando eu ver minha filha.

DOUTOR – Tudo bem mais apenas 5 minutos.

***

Gávea, Rio de Janeiro

VANDA – O que vamos fazer agora?

TONY – Vamos esperar até amanhã para entrarmos em contato, encontrou algo com ela?

VANDA – Sim, apenas esse celular.

TONY – Dei-me aqui, que ele pode ser útil, mas por enquanto ele vai ficar desligado.

Lorena entra com sacolas no apartamento.

LORENA – Oi, trouxe presente para vocês (ela ainda estava com o vestido do baile. Entrega uma sacola para Tony e outra para Vanda).

Ele retira o objeto da sacola e se assusta quando percebe que tem uma pistola PT 100 nas mãos.

TONY – Onde você arranjou isso?

LORENA – Eu tenho os meus contatos, e dinheiro não é problema.

Vanda também encontra uma pistola em sua sacola só que uma PT 45

VANDA – O que você acha que vamos fazer com essas coisas?

LORENA – Podemos precisar, sempre é bom estarmos preparados.

TONY – Por isso gosto de você (vai até onde Lorena e a beija, depois pega ela pela mão e leva para o quarto)

VANDA – Opa, opa, opa para onde vocês pensão que vão?

TONY – Vou recompensa-la, se você fosse esperta também seria.

VANDA – Eu me dediquei a você, pra você ir pra cama com essa vagabunda.

LORENA – Por favor, larga de recalque queridinha, não percebeu que ele me prefere?

VANDA – E onde vou dormir?

TONY – Pode fazer companhia ao sofá, ah e ver se a nossa hospede não morreu de fome. (fechando a porta do quarto)

VANDA – Se esses dois estão pensando que vão me passar para atrás, eles estão muito enganados.

***

Hospital São Miguel, Gávea

Marta entra no quarto, onde Amanda se encontra deitada em uma cama pálida, apenas o som do monitor cardíaco podia ser ouvido.

Se aproxima e encontra sua filha dormindo, ela passa a mão lentamente no rosto da menina, as lagrimas vem ao rosto dela, ela desce a mão até as mãos frias de sua filha.

MARTA – Eu sei que eu nunca fui uma boa mãe pra você, mas eu sempre quis te proteger… proteger dessa vida de sofrimento, trabalhando dia a dia, eu quero que você tenha um futuro.
Me desculpe se as vezes fui grosseira com você, faz parte de mim, minha mãe também me tratava assim, por que ela queria apenas o meu bem e eu demorei muito para aprender isso.
Mas eu quero que saiba que eu te amo, independentemente de suas escolhas eu sempre vou estar ao seu lado, você cresceu tão rápido que não me dei conta que você se transformou em uma mulher que já pode viver só, mas tenho tanto medo de você ir embora, de me deixar, ainda não estou preparada para isso.
Então me perdoa, e te amo muito minha muito mesmo.

AMANDA – (baixo e com dificuldade) Também te amo mãe.

Marta olha para filha e aperta a sua mão e as lagrimas rolam com mais intensidade pelo rosto.

O enfermeiro aparece na porta do quarto indicando que o tempo da visita terminou, Marta dá um beijo na testa de sua filha e sai do quarto enxugando as lágrimas.

***

14ª Delegacia de Polícia do Leblon

FERNANDO – Então senhor delegado alguma notícia com relação a minha filha?

DELEGADO – Infelizmente não encontramos nenhum carro preto pelas redondezas da escola, estamos analisando as imagens da câmera só que até agora nada foi encontrado, parece que foi tudo bem planejado.

HELENA – Mas tem que ter uma pista, algum jeito de encontrá-la, nenhum crime é perfeito.

DELEGADO – O que podemos fazer é esperar que eles entrem em contato para pedir o resgate, por acaso ela tinha algum inimigo ou a família?

FERNANDO – Não que me lembre…

HELENA – (cortando) Claro que sim, o nosso maior pesadelo desse tempo.

FERNANDO – Tony!

HELENA – Isso, ele pode ter sequestrado ela como vingança por eu ter colocado para fora de casa.

DELEGADO – E onde podemos encontrar esse Tony?

HELENA – Infelizmente não sabemos.

DELEGADO – Ninguém aqui sabe onde podemos encontra-los?

Rafael que estava ali presente, pensava em uma maneira de salvar a sua namorada, ele procurava algo na memória para ver se ele conseguia identificar algo que pudesse ajudar a polícia.

Inicio do flashback

CRISTIANA – Que horas são?

RAFAEL – Já são 18:00 horas

CRISTIANA – Como assim? Não poderíamos ter ficado a tarde toda aqui, a Joyce deve estar louca atrás de mim.

RAFAEL – Liga pra ela!

CRISTIANA – Meu celular está na bolsa.

RAFAEL – Não tem medo que roubem ele?

CRISTIANA – Eu o localizo pelo GPS, sempre fica ligado.

RAFAEL – Então vamos voltar.

Fim do flashback

RAFAEL – (grita) O GPS… o GPS do celular dela podemos rastrear, eu lembro que ela estava com o celular.

DELEGADO – Mas eles já devem ter desligado ele ou quebrado.

RAFAEL – Mas hoje em dia você pode rastrear um celular mesmo ele desligado, custa nada tentar, além disso, podemos ver a última localização dele quando estava ligado.

DELEGADO – Tudo bem vou pedir a inteligência que faça isso.

***

Gávea, Rio de Janeiro

Cristiana encontrava-se no chão da área de serviço, chorando. Ela se ajoelha e começa a orar, depois de um tempo ela volta a deitar-se no chão e começa a lembrar da sua infância, de seu pai tentando escovar seus cabelos quando criança, a primeira vez que falou com o Rafael e a Joyce, de sua mãe a consolando quando brigava com seus amigos, do seu primeiro beijo com o Rafael, dos momentos na casa da arvore, de tudo para tentar fugir daquela realidade e as lágrimas voltam a rolar.

Vanda entra e tira a fita da boca de Cristiana.

VANDA – Trouxe água para você.

CRISTIANA – Obrigado, você não me parece ser uma pessoa tão má como o Tony, como foi se envolver com ele?

VANDA – Eu amo ele, sei que é difícil de entender, mas eu o amo.

CRISTIANA – Mas por que você inventou aquela história de Maria Tereza?

VANDA – Pra conseguir mais informações para o Tony.

CRISTIANA – Você não ver que ele está só te usando?

VANDA – Eu sei que ele me ama. (olha pra baixo)

CRISTIANA – Você me parece um pouco triste.

VANDA – Não é da sua conta.

CRISTIANA – Eu sei que não somos amigas, mas pode falar.

VANDA – A vaca da Lorena…

CRISTIANA – Pera ai, que Lorena?

VANDA – Uma vadia mirim que estuda na sua escola.

CRISTIANA – Então ela está envolvida nisso também, mas como?

VANDA – Não sei, só sei que ela ta na cama agora com Tony e ele me mandou dormir no sofá.

CRISTIANA – Ela é assim mesmo, uma piranha mesmo, eu te daria um abraço, mas estou amarrada.

VANDA – Tudo bem, agora tome sua água.

***

Hotel Abeville, Gávea, Rio de Janeiro – Tempo depois

LORENA – Deixa eu acertar as minhas contas com a Cristiana, por favor!

TONY – Olha lá o que você vai fazer, quero ela inteira.

LORENA – (dá um gritinho de felicidade) Ah muito obrigado.

Lorena levanta e vai até a área de serviço, Cristiana estava deitada dormindo, na sala Vanda também já dormia.

LORENA – Acorda vagabunda! (dar um chute de leve e tira a fita da boca de Cristiana)

CRISTIANA – (sonolenta) O que você quer, tinha que se meter logo com o Tony?

LORENA – Levanta.

CRISTIANA – Pra que?

LORENA – Levanta que eu to mandando.

CRISTIANA – Pode falar, que eu to escutando.

LORENA – Agora você vai me pagar.

Lorena vai onde até Cristiana e dá um tapa nela.

LORENA – Isso é pelo Rafael.

Dá outro tapa.

LORENA – Isso é pela palhaçada que você aprontou por causa da Caroline.

CRISTIANA – Me solta pra resolvermos de igual para igual.

Lorena dá mais um tapa.

LORENA – E esse porque minha mão ainda tava coçando.

TONY – Já chega Lorena, saia, me deixe a sós com ela.

Lorena sai.

TONY – Eu sempre soube que você seria uma pedra no meu sapato, por isso quis te mandar pra longe daqui, mas você não me escuta, agora você vai aprender uma lição.

CRISTIANA – O que você vai fazer?

TONY – Você vai ver, ou melhor sentir, agora relaxa que será melhor pra você.

Tony começa a tirar a calça e ir para onde Cristiana

CRISTIANA – Nem ouse fazer isso seu nojento.

TONY – Calma, vai sentir uma pequena dor no início, mas prometo que depois passa.

CRISTIANA – Não, não…

Cristiana começa a se debater enquanto Tony tenta tirar sua roupa, Cristiana grita para ele parar até que ela dá um chute no rosto de Tony.

TONY – Eu também sei brincar assim

Tony dá um tapa em Cristiana, que começa a gritar mais, no quarto Lorena sorrir com os gritos de sua inimiga, Vanda acorda assustada e vai para a área de serviço e fica horrorizada com a cena.

VANDA – Para com isso, deixa ela em paz (parte pra cima de Tony)

TONY – Sai daqui que o assunto é com ela.

VANDA – Você só vai tocar nela se passar por cima de mim.

TONY – Sai, só vou ensinar uma lição pra ela.

VANDA – Não e já disse que não tenho medo de você e se continuar eu vou gritar também e vão acabar nos descobrindo aqui.

TONY –  Sua vadia (sai)

Vanda olha pra Cristiana.

CRISTIANA – Obrigado!

VANDA – Você não merece ser estuprada, sua primeira vez tem que ser especial com quem você ama. (sai e fecha a porta da área de serviço)

TONY – Você pode me explicar que cena foi essa, ta mudando de lado?

VANDA – Eu nunca vou concordar com um estupro, entendeu?

TONY – Eu não sei em quem você se confia, eu posso acabar com você rapidamente (se aproxima de Vanda)

VANDA – Vai em frente, eu te mato primeiro.

Tony dá um tapa em Vanda que cai no sofá.

TONY – Fica ai, onde é o seu lugar cachorra.

***

Leblon, Rio de Janeiro – 01:30

DELEGADO – Conseguimos rastrear o celular da senhorita Cristiana.

FERNANDO – Onde o sinal está indicando?

DELEGADO – Ele leva ao hotel Abeville na Gávea, já estamos mandando as viaturas para lá.

FERNANDO – Nós também vamos.

DELEGADO – Melhor não!

HELENA – Ninguém vai nos impedir!

DELEGADO – Tudo bem mais façam o que mandarmos.

***

Tony acorda com o seu celular tocando.

TONY – Alô!

RECEPCIONISTA – Aqui é o José da recepção, uns policiais estão subindo para ai, disseram que você é suspeito de sequestrar uma menina e como o senhor me pagou para o manter informado, estou fazendo o meu trabalho.

TONY – Que merda, tudo bem.

Ele levanta, acorda Lorena e sai do quarto. Chama Vanda e volta para se vestir, pega a arma e vai para a área de serviço onde acordar bruscamente Cristiana, ele coloca uma fita em sua boca e volta pra sala.

VANDA – O que está acontecendo.

TONY – Descobriram a gente, os policiais estão subindo.

VANDA – Como podem ter descoberto?

TONY – Eu sei lá temos que dar o pé daqui.

Ele pega Cristiana pelo braço e a leva descendo as escadas de emergência com Vanda e Lorena atrás, quando eles chegam ao primeiro andar eles escutam vozes de pessoas subindo eles entram em um corredor que tem uma porta aberta se colocando dentro do quarto .

TONY (com a arma na mão para os moradores do quarto) – Nem um piu se não vocês morrem.

VANDA – Quando chegarmos lá em baixo vai haver vários outros policiais nos esperando.

LORENA – Você distrai eles!

VANDA – O que?

TONY – Sim você vai distrair eles enquanto nós três saímos pelos fundos.

VANDA – Claro que não!

TONY – Você vai fazer o que eu mandar sua cachorra.

Eles voltam para as escadas quando eles chegam ao fim dela eles conseguem identificar vários policiais

TONY – Agora é sua hora vai lá e trate de distrai-los.

VANDA – Mas eu não quero…

TONY – Não quero saber o que você quer, já mandei você ir.

VANDA – Mas eles me conhecem, lembra que você fez eu ir trabalhar na casa dos Albuquerque e a Dona Helena e o Senhor Fernando estão ali e vão me reconhecer.

TONY – Que porra, o que vamos fazer agora?

Eles escutam passos de pessoas descendo.

LORENA – Já sei, só irmos rapidamente para aquela entrada que passa por de trás da recepção, ai já estaremos do outro lado do hotel.

A entrada que ela fala fica a mais ou menos 5 metros, um grande corredor onde as pessoas que estão na recepção não conseguem ver pois tem uma parede que os impede.

Eles atravessam rapidamente e entram no corredor. Minutos depois estão no estacionamento do Hotel na parte de trás, eles seguem silenciosamente pelas ruas até chegar ao carro de Tony

POLICIAL – Parados ai nem mais um passo!

TONY – Mais que merda!

***

POLICIAL – Chame o delegado Henrique pelo rádio. (pede para o seu companheiro).

TONY – Vamos negociar. (fala com a arma apontada para a cabeça de Cristiana um pouco mais a frente que as demais)

POLICIAL – Não negocio com vagabundo.

TONY – Será melhor para todos.

O delegado chega com mais policiais e os pais de Cristiana e Rafael

DELEGADO – Calma, mantenha calma, o que você quer?

TONY – Eu quero todo o dinheiro desses imprestáveis, quero ver eles na miséria, só assim terei minha vingança.

FERNANDO – Tudo bem, eu abro mão de tudo o que tenho, só quero minha filha de volta.

O Tempo começara a fica frio o farol do carro a frente está ligado, pois o motorista estava prestes a sair quando se deparou com o acontecido.

TONY – Pode fazer o cheque!

FENRNADO – Eu farei. (pega o talão do bolso)

RAFAEL – (interrompendo a ação de Fernando) Pera ai! Quem garante que você vá solta-la depois de entregar o cheque.

TONY – Como garantia mandarei uma dessas para ai agora (as duas se olham) Vanda pode ir.

VANDA – (nervosa) Eu, por que?

TONY – Vá por que eu estou mandando e não discuta sua cadela imprestável.

VANDA – E por que não vai a Lorena?

TONY – Por que é com ela que eu vou ficar, você não me serve pra mais nada eu só estava usando você todo esse tempo, nem boa de cama você é. Você é um lixo e não passará disso, você foi burra em acreditar no que eu disse, agora pelo menos faça algo certo e vá com eles (fala olhando para os policiais, ele é mais alto que Cristiana de modo que ela batia no seu queixo)

VANDA – Mas eu amo você!

TONY – Eu só queria te comer e nada mais sua vádia imprestável.

O que se segue, acontece rapidamente Vanda pega a arma aponta para a cabeça de Tony que está olhando para frente e atira, o corpo de Tony cai sem vida no chão e Cristiana corre para onde estar os seus pais.

Lorena vendo aquilo pega a sua arma dá um grito de tristeza olha para Tony morto, com o sangue jorrando da cabeça, e atira várias vezes em Vanda que também cai morta.

Os policiais correm atrás de Lorena, e em pensamento ela diz eu não vou ser presa, mira para a cabeça e aperta o gatilho fazendo com que a bala saia da arma e atravesse o seu crânio, em seguida seu corpo cai desanimado.

Cristiana e sua mãe choram abraçadas e chocadas com toda aquela cena, uma chuva fina começa a cair sobre a cidade do Rio de Janeiro, uma noite sombria e fria que jamais aquela família iria esquecer.

***

Favela do Vidigal, Rio de Janeiro – Uma semana depois

ANTÔNIO – Seja bem vinda de volta a sua casa minha filha.

AMANDA – Obrigado pai.

GABRIEL – Agora ver se você fica quieta, lembra do que o médico disse né, repouso total.

Marta entra na casa.

MARTA – Posso entrar?

ANTÔNIO – Já está dentro né (com indiferença)

MARTA – Vim saber como você está minha filha.

AMANDA – Estou bem, me recuperando, mas bem mãe.

MARTA – Eu também vim pedir perdão a vocês, não sou muito boa nessas coisas de sentimentos, mas vocês me perdoam por tudo que fiz? Eu amo vocês e não quero perde-los.

AMANDA – Eu também te amo mãe, te perdoo sim.

MARTA – E você Antônio?

ANTÔNIO – Você nos magoou muito, não sei se estou pronto para te perdoar.

AMANDA – Larga de ser marrento e fala logo que ama ela, você sabe disso.

ANTÔNIO – Amor apenas não basta, mas prometo que tentarei te perdoar.

Todos se abraçam.

Juizado de Menores, Rio de Janeiro – 8:00 – um mês depois

JUIZ – Estamos aqui, nesta audiência para tentar ver com as duas partes se podemos chegar um acordo sem irmos para o julgamento sobre a guarda do menor Gabriel Silva Albuquerque, então podemos chegar a um acordo?

LUCIANA – De maneira alguma quero a guarda exclusiva do meu filho.

HELENA – Eu também Meritíssimo, não desistirei da guarda do meu filho.

JUIZ – Como não tivemos nenhum acordo, daremos início ao julgamento de quem ficará com a guarda, por favor a primeira testemunha a favor da senhora Luciana do Vale, a senhora Maria Marta do Vale pode aproximar-se.

Marta levanta do seu lugar e se dirige para o lado do Juiz.

JUIZ – (com a mão na constituição) Você jura dizer a verdade, somente a verdade sobre o que lhe for perguntado?

MARTA – Sim!

ADVOGADO LUÍS – Então senhora Marta, confirma que a condição financeira da minha cliente não era boa para dar uma boa vida para o seu filho e que o pai da criança os largou sem deixar nada?

MARTA – Sim confirmo, ele era um riquinho que a levou até para fazer aborto só que ela não quis, então ela resolveu deixa-lo na porta dos Albuquerque para que ele pudesse ter um futuro melhor, ela estava desesperada e só pensou na criança.

ADVOGADO LUIS – Como pode ver meritíssimo, a senhora Luciana sempre pensou na criança, em momento algum ela quis prejudicar a criança e agora que está com melhor condições ela quer se reaproximar dele, onde a senhora Helena Albuquerque está querendo impedir.

ADVOGADO DANIEL – Protesto meritíssimo, minha cliente nunca impediu que o filho encontrasse ela, foi uma decisão tomada pelo próprio.

JUIZ – Protesto aceito.

ADVOGADO LUIS – Tenho mais nada a perguntar Excelentíssimo.

JUIZ – O senhor tem algo a perguntar senhor Daniel

ADVOGADO DANIEL – Tenho sim… Senhora Marta, você confirma que a senhorita Luciana passou 16 anos sem procurar o filho, viajando pela a Europa e agora que o marido faleceu lembrou que deixou o filho na porta da senhora Cristina?

MARTA – É verdade que ela nunca ligou para saber.

ADVOGADO DANIEL – Podemos ver senhores que ela se diz tão preocupada com o filho, mas em todo esse tempo não buscou saber nem se ele estava vivo, não tenho mais perguntas.

JUIZ – Obrigado Senhora Maria Marta, quero chamar agora o Senhor Antônio Medeiros Negreiro para depor a favor da Senhora Helena.

ADVOGADO DANIEL – Então senhor Antônio conte-nos como era o seu convívio com a Senhorita Luciana

ANTÔNIO – Ela sempre ligou só para si e sempre pensou no dinheiro do seu marido, quando ela resolveu viajar momento algum pensou no seu filho.

LUCIANA – Isso é mentira!

ANTÔNIO – Você é uma egoísta que sempre só pensou em você e que voltou para buscar seu filho só por que não queria estar sozinha, quando encontrar outro homem vai larga-lo novamente.

LUCIANA – Você procura me respeitar!

JUIZ – Ordem no tribunal, ordem, controle sua cliente por favor!

ADVOGADO DANIEL – Como podem ver eu não preciso falar mais nada

Os depoimentos prosseguem por toda a manhã.

JUIZ – Após escutar todos os depoimentos direi minha sentença após o intervalo para o almoço.

***

Leblon, Rio de Janeiro

Encontravam-se todos da família Albuquerque sentados à mesa para o almoço, incluindo Amanda, Rafael e Joyce.

HELENA – Uma tristeza não termos mais o Silveira aqui.

JOYCE – Quem será que o matou? Ele era tão bacana

FERNANDO – Infelizmente não sabemos a polícia está investigando.

CRISTIANA – É uma pena, ele foi encontrado nu em sua casa.

GABRIEL – (com entusiasmo) Agora vamos deixar de coisas tristes e começar a comemorar que daqui a pouco vai sair o resultado da minha guarda e com certeza vou ficar com vocês, comemorar pela minha Amanda ter saído com vida do acidente e comemorar que o pesadelo terminou, vamos almoçar.

Todos se servem e conversam alegremente.

Perto dali no Hotel Sant Louis Luciana almoça sozinha e em silêncio.

No morro do Vidigal Marta e Antônio votam a se entender e almoçam juntos, parece que o acidente de Amanda fez com que Marta mudasse.

***

Juizado de Menores, Rio de Janeiro – 14:00

JUIZ – Antes de dar a minha sentença, gostaria de falar que todos somos seres humanos e estamos sujeitos a erros, como a senhora Luciana do Vale errou, mas entendo que ela só queria ajudar a criança (Luciana começa a se animar) por ser ainda muito jovem e não conhecer a vida até aquele momento, junto com o agravante de ter sido deixada gravida pelo seu namorado.
No entanto, mãe é aquela que cria e dar carinho, aquela que está presente e que faz de tudo para ver o melhor para o seu filho e percebi isso no depoimento da senhora Helena, que apesar de não ser seu filho biológico deu-lhe carinho da mesma forma que deu pra sua filha, com isso minha decisão que a guarda do menor Gabriel do Vale Albuquerque ficará com a senhora Helena Albuquerque.

A família Albuquerque comemora a decisão

LUCIANA – Isso não vai ficar assim, eu vou recorrer, eu vou recorrer!

***

Leblon, Rio de Janeiro –  1 ano depois – 19:00

No jardim da casa dos Albuquerque encontrava-se uma grande estrutura com lugares para 150 pessoas, distribuídas em duas áreas com um corredor no centro, cinco luminárias de cada lado do corredor o iluminava, ele levava até um altar com uma estrutura feita de folha com uma mesa no centro coberto com uma toalha branca, do centro do teto da estrutura saia várias faixas brancas que iam até a borda do telhado, uma cortina branca fina descia da parte frontal da estrutura folhada, amarrada nas laterais proporcionando a visão dos convidados, completando a decoração duas velas em cima da mesa com arranjo de flores brancas nos pés de cada uma.

Dentro da casa estavam todos aflitos

FERNANDO – Onde será que está sua mãe?

GABRIEL – Acalme-se, você não sabe como são as mulheres e é normal atrasar é bom irmos logo para o altar esperar a hora, os convidados já estão chegando e não é legal ter nenhum de nós lá.

FERNANDO – Então vamos.

No quarto de Helena estava junto dela Cristiana, Amanda e Joyce.

HELENA – Vamos Cristiana já estamos atrasadas.

CRISTIANA – Já estou terminado, só vou passar o batom.

AMANDA – Vamos, Cris os convidados já estão ai.

JOYCE – Tá pior que eu pra se arrumar amiga, o povo lá todo esperando, eu em.

CRISTIANA – Já estou pronta, okay? Podemos ir agora.

 

No jardim Fernando anda em direção ao altar

JAMERSON – Senhor Fernando!

FERNANDO – Meu amigo, Jamerson! Fico feliz em saber que você veio.

JAMERSON – Eu que agradeço pelo senhor ter me dado a oportunidade vir morar aqui no Rio e ter conseguido um emprego para mim.

FERNANDO – O mínimo que posso fazer depois do que o senhor fez por mim, agora tenho que ir depois da cerimônia me procurem para conversarmos.

JAMERSON – Tudo bem, felicidades para o senhor.

Fernando se despede de Jamerson e vai para o altar, após alguns minutos Amanda chega lá avisando que a noiva já iria entrar, no altar se encontrava Gabriel junto de Amanda, Rafael, Fernando, Joyce e o Juiz de paz.

Entres os convidados estavam os pais de Amanda, Elizabeth, João amigo de Gabriel, Ronald, os funcionários do hospital e outros amigos da família.

A marcha nupcial começa tocar e no início do corredor aparece Cristiana e sua mãe que são precedidas por duas daminhas de honra e atrás dela entrava Susana, elas caminhavam lentamente até o altar e no caminho iam cumprimentando os convidados. Ao chegar no altar Cristiana vai para junto de Rafael e Helena para junto de Fernando.

JUIZ DE PAZ – Boa noite, estamos hoje reunidos aqui para celebrarmos a união de Fernando da Silva Albuquerque e de Helena do Vale Albuquerque. Senhor Fernando aceita a senhora Helena como sua legitima esposa para ama-la, respeita-la, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe?

FERNANDO – Sim, Aceito!

JUIZ DE PAZ – E a senhora Helena do Vale Albuquerque aceita o senhor Fernando como seu legitimo esposo para ama-lo respeita-lo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe?

HELENA – Sim, aceito!

JUIZ DE PAZ – Então vos declaro Marido e Mulher, podem se beijar.

Antes deles se beijarem Helena fala.

HELENA – Eu sei que vou te amar por toda a minha vida.

FERNANDO – Eu também.

Os dois se beijam, em seguida Helena anuncia que vai jogar o buquê as mulheres se reúnem atrás dela

HELENA – Eu vou jogar é um, é dois, é três e… – Antes dela Jogar ela vira e faz com que o buquê caia nas mãos de Cristiana, ela o pega e beija Rafael em seguida a Família Albuquerque vai para a casa

CRISTIANA – Vamos tirar uma foto desse momento.

No meio do Sofá senta Fernando e Helena, do lado esquerdo Gabriel e Amanda, do lado direito senta-se Antônio e Marta, atrás fica em pé Cristiana, Rafael e Susana.

O fotografo prepara a câmera no tripé, enquadra a foto e coloca o temporizador, sinaliza que será 3 segundo até a foto ser tirada, aperta o botão e segundo depois o flash sai eternizando aquele momento feliz em família que Cristiana tanto sonhou.

Fim

Lucas André

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6 Comments

Gabriel Rabelo

Olá, não sei se essa foi sua intenção, mas essa web me lembra muito as tramas que o autor da globo Manoel Carlos fazia, as quais eram ambientadas no Rio de Janeiro, a exemplo de Laços de Família e Mulheres Apaixonadas, além de existir uma personagem chamada Helena na sua web! Parabéns, excelente web, muito bem estruturada

Anderson Silva

O trio de vilões mortos!
Amanda e Gabriel juntos!
Cristiana perdeu o protagonismo para a fofa Amanda, essa sim teve ar de dona da história.
Me emocionei com Amandinha perdoando a Martha. Melhor fim não há!
Só não entendi o casamento de Fernando e Helena no final da trama. Pensei que eles fossem casados!
Ficou bem legal o último capítulo! Parabéns… Esperando sua próxima web!

Lucas André

Obrigado!
Sobre o casamento, ele é válido até o divórcio ou até a morte, no caso do Fernando ele foi dado como morto, então Helena casou-se novamente, dessa forma, o casamento deles foi anulado, então eles casaram-se novamente.

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