Capítulo 13- Sagrada Família

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Leblon, Rio de Janeiro

Maria Tereza seguia pela Rua Conde de Bernadotte a passos largos e preocupada com que havia acontecido, sem saber o que fazer ainda, a única alternativa era fazer o que o Silveira queria.

Após seguir algum tempo pela Bernadotte ela pega a Rua João Lira onde encontra um pequeno prédio de classe média de cor amarelada.

Tereza entra no prédio e procura o apartamento indicado, ao encontrar, entra e encontra Silveira deitado no sofá assistindo televisão.

MARIA TEREZA – De quem é esse apartamento?

SILVEIRA – Meu, por acaso você acha que eu vivo naquela casa?

MARIA TEREZA – Sim, você só vive lá.

SILVEIRA – Enganada, agora vamos deixar de papo e vamos ao que interessa.

MARIA TEREZA – Aqui na sala? Melhor irmos para o quarto.

SILVEIRA – Onde você achar melhor!

Silveira e Tereza vão para o quarto, lá eles tiram a roupa e ele se deita na cama esperando por ela.

SILVEIRA – Venha cá sua vagabunda.

Maria Tereza avista uma corda em um canto e a pega

SILVEIRA – Para que isso?

MARIA TEREZA – Eu gosto de sexo selvagem agora deixa eu te laçar meu touro!

SILVEIRA – Vem minha vaqueira.

Tereza envolve a corda no pescoço de Silveira e sobe em cima dele.

MARIA TEREZA – Sobe um pouco mais, pode ficar com a cabeça pra fora da cama, melhor você não ver, apenas sentir o que vou fazer agora, vai ser mais prazeroso, te garanto.

SILVEIRA – Tá certo sua cachorra, quero bem gostoso mesmo.

Silveira faz o que Maria pedi, nesse momento ela sai de cima dele e pula da cama por cima da cabeça dele fazendo com que a corda feche a passagem de ar do mordomo, ela continua a puxar até não escutar mais a agonia de Silveira.

MARIA TEREZA – Vá pro inferno!

***

Gávea, Rio de Janeiro

TONY – E então o que você tem pra mim?

LORENA – Já sei como nos vingarmos da Cristiana e ainda ficarmos rico.

TONY – Como?

LORENA – Vamos sequestra-la no dia do baile e pedir um resgate milionário.

TONY – Que baile?

LORENA – O da escola, depois de amanhã, eu sou da organização e posso facilitar a entrada e a saída de vocês, além de tudo, todos vão estar de mascaras assim ninguém poderá reconhece-lo, é perfeito.

TONY – Por isso gosto tanto de você.

Tony vai até onde Lorena e dá um beijo nela e os dois caem na cama

Vanda estava no elevador indo em direção ao quarto de Tony, meio nervosa pelo o que acabou de fazer, estava de cabeça baixa e com o pensamento longe.

Com o bipe do elevador indicando que deveria sair, ela desperta e põe-se a caminhar pelo corredor até chegar ao apartamento de Tony, pega a chave que ele tinha lhe dado a alguns dias, ela abre a porta, entra em silencio e vai direto pro quarto quando chega na porta do cômodo ela levanta a cabeça e se depara com a cena.

VANDA – O que está acontecendo aqui?

***

Favela do Vidigal, Rio de Janeiro

Amanda chega em casa e encontra seu pai na mesa da cozinha sentado olhando fixamente para uma garrafa de wisk que estava a sua frente.

ANTÔNIO – Essa maldita garrafa me atormentou todos esses anos, me causando grande dores, o pior que apesar de a Marta ser daquele jeito ela que me ajudava nesses momentos de recaída minha.

AMANDA – Eu sei que você sente falta dela pai.

ANTÔNIO – Mas o que ela fez em imperdoável, como essa daqui também fez comigo (lasca a garrafa na parede e começa a chorar)

AMANDA – Mas você tem a mim e eu sempre estarei ao seu lado. (abraça o seu pai.)

***

Gávea, Rio de Janeiro

VANDA – (Fala arrancando Lorena da cama pelos cabelos) Quem é essa piranha mirim?

LORENA – Me solta sua louca. (dá um tapa na cara de Vanda)

As duas começam a brigar a puxarem seus cabelos, darem-se tapas e socos, rolam no chão.

Tony apenas observa adorando aquilo.

TONY – Já chega desse circo aqui no meu quarto (vai até as duas e as separa)

VANDA – Pode me explicar isso?

TONY – Lorena fique aqui e se recomponha, venha Vanda.

Tony leva Vanda para a sala e fecha a porta do quarto.

TONY – Você sabe que é minha preferida, só fiz aquilo porque ela está com um excelente plano.

VANDA – (com raiva) Você é só meu e mais de ninguém, você está me entendendo? Ai de você se encostar em outra vagabunda de novo.

TONY – Vai ter o que em? (pega Vanda pelo braço) você tá me ameaçando é? Você sabe o que eu faço com pessoas que não me obedecem, principalmente mulheres (levanta a mão)

VANDA – Vai em frente… bate! … quero ver se é homem de verdade para isso.

TONY – Você não me provoca sua vadia!

VANDA – Bate como você batia naquela covarde da Helena, se você ta achando que vou deixar barato ta enganado.

Tony empurra Vanda em cima do sofá.

TONY – Nós vamos voltar para o quarto e escutar o plano da Lorena, entendido?

Ela diz nada e volta pro quarto acompanhada pelo Tony.

TONY – Agora conte-nos o seu plano.

LORENA – É o seguinte, o ginásio onde vai ser realizado o baile tem duas entradas, eu como uma das organizadoras posso facilitar a entrada de vocês pela a entrada no fundo da quadra…

***

Escola Johnson Junior, Leblon, Rio de Janeiro 9:00

Cristiana e Rafael estão na quadra para começar a arrumar as coisas para o baile

RAFAEL – Que tal esperarmos a Joyce la no nosso esconderijo?

CRISTIANA – Ta bom vou mandar uma mensagem pra quando ela chegar avisar.

Cristiana e Rafael caminham pelos corredores da Johnson Junior de mão dadas, já não era mais tanto escondido o namoro deles e não se sentiam tão reprimido com a presença das pessoas quando estavam juntos, mas o seu santuário era só deles e ali eles se sentiam à vontade para fazerem o que quisessem porque era só deles.

Os dois chegam até a porta de entrada para o jardim, abrem-na e se assustam com a devastação.

CRISTIANA – Quem faria uma coisa dessas?

RAFAEL – Um monstro, só pode.

CRISTIANA – Olha as flores como foram todas arrancadas

RAFAEL – Até parece que foi um vendaval.

CRISTIANA – Está tudo destruído… a casa

Cristiana põe-se a correr em direção a arvore, sobe rapidamente as escadas e ver a continuação da destruição

RAFAEL – Tanto tempo que eu gastei fazendo isso aqui.

CRISTIANA – Nós vamos reconstruir!

RAFAEL – Para que?

CRISTIANA – Para os próximos apaixonados da escola.

Cristiana começa a cantar calmamente:

Todos os dias quando acordo
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo

Todos os dias antes de dormir
Lembro e esqueço como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder

Nosso suor sagrado
É bem mais belo que esse sangue amargo
E tão sério, e selvagem
Selvagem, selvagem

Veja o sol dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega é da cor dos teus olhos
Castanhos

CRISTIANA – Vai ficar tudo bem nós vamos reconstruir.

Cristiana vai até onde Rafael beija-o e o abraça e os dois sentam no chão e ela continua a cantar.

Então me abraça forte
E me diz mais uma vez que já estamos
Distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso próprio tempo

Não tenho medo do escuro
Mas deixe as luzes acesas agora
O que foi escondido é o que se escondeu
E o que foi prometido, ninguém prometeu

Nem foi tempo perdido
Somos tão jovens
Tão jovens, tão jovens

***

Favela do Vidigal, Rio de Janeiro

ANTÔNIO – O que você faz aqui Marta? (em frente à sua casa)

MARTA – Podemos conversar?

ANTÔNIO – Infelizmente o imprestável aqui não pode conversa com você agora.

MARTA – Vamos parar de ser criança e tentar resolver a nossa vida.

ANTÔNIO – Deveria ter pensado nisso antes de fazer o que fez.

MARTA – Estou aqui em paz Antônio.

ANTÔNIO – Marta eu não quero saber de suas mentiras.

MARTA – Meu amor por você e pela Amanda não é mentira.

ANTÔNIO – Do jeito que você nos tratava?

MARTA – Eu tinha medo de perder vocês.

ANTÔNIO – O que acabou acontecendo.

MARTA – Eu estou verdadeiramente arrependida do que eu fiz, me perdoe!

Marta se ajoelha aos pés de Antônio.

MARTA – Por favor Antônio!

ANTÔNIO – Levante-se, já disse que não quero conversar com você.

Antônio entra, fecha a porta e Marta fica chorando sentada na calçada.

***

Leblon, Rio de Janeiro – Noite do Baile

CRISTIANA – (Grita no pé da escada) Mãe vamos, já ta na hora!

HELENA – Calma já estamos descendo.

Helena e Fernando descem as escadas juntos,

FERNANDO – E então como estou? (dar uma volta)

CRISTIANA – Você está lindo pai

Cristiana vai onde ele e dá um abraço.

HELENA – E sua mãe não merece um abraço?

CRISTIANA – Claro que sim.

Ela abraça sua mãe

CRISTIANA – Agora podemos ir?

FERNANDO – Onde está o Gabriel?

CRISTIANA – Ele foi busca a Amanda disse que iria nos encontrar lá

HELENA – Então vamos.

CRISTIANA – Temos que passar na casa do Rafael pra busca-lo.

FERNANDO – Na minha época o garoto que iai buscar a garota.

CRISTIANA – Tempos modernos, pai

***

Favela do Vidigal, Rio de Janeiro

GABRIEL – Por favor a Amanda já está pronta, senhor Antônio?

ANTÔNIO – Está terminando, pode entrar!

GABRIEL – Com sua licença.

Os dois se sentam e o silêncio se instala, depois de alguns minutos Gabriel fala.

GABRIEL – Tens alguma notícia da Luciana ou da mãe da Amanda?

ANTÔNIO – A Luciana viajou disse que iria buscar o melhor advogado da Europa para defender a causa de sua guarda.

GABRIEL – Ela está louca se pensa que vou ficar com ela.

ANTÔNIO – Creio que ela já se arrependeu do que fez com você no passado e quer se retratar.

GABRIEL – Mesmo assim nunca vou perdoa-la.

ANTÔNIO – Mudou algo em sua vida?

GABRIEL – Só o fato de saber que as pessoas que eu pensava serem meus pais não são.

ANTÔNIO – O amor que você sente por eles mudou em alguma coisa?

GABRIEL – Não, claro que não!

ANTÔNIO – Então, pais são aqueles que educam, que criam, que dão carinho e não deveria estar tão preocupado se eles são ou não seus pais biológicos, o que importa é o que está no seu coração.

GABRIEL – Obrigado, senhor Antônio, e sua esposa?

ANTÔNIO – Ela esteve aqui, fez uma cena querendo conversar comigo, se ajoelhou, mas mantive minha compostura.

GABRIEL – Mas você ainda a ama?

ANTÔNIO – Sinceramente, sim nunca deixei de ama-la.

MARTA – E por que não a aceita de volta?

ANTÔNIO – As coisas não são tão fáceis assim meu filho.

Amanda sai do quarto

AMANDA – Estou pronta!

Gabriel se levanta

GABRIEL – Você está linda!

ANTÔNIO – Filha, nunca vi você assim.

AMANDA – Obrigado aos dois, agora podemos ir?

GABRIEL – Claro vamos.

Gabriel e Amanda seguem até a porta, quando ela fica tonta e desmaia.

***

Leblon, Rio de Janeiro

Cristiana e Rafael entram na quadra, todos se voltam para eles, eles não ligam entram e vão ao encontro da Joyce que estava com seu parceiro em uma mesa.

JOYCE – Como vocês demoraram em!

CRISTIANA – Foi minha mãe, você sabe como ela demora para se arrumar!

JOYCE – Esta belíssima a decoração.

O ambiente estava bem iluminado, no centro da quadra colocaram uma arvore cenográfica, mas que parecia bem real, ela estava toda cheia de pequenas luzes, suspensas no ar havia várias lanternas que saiam da arvore, as mesas estavam cobertas com um tecido vermelho vinho e no centro de cada uma havia uma vela.

CRISTIANA – Com o esforço de todos conseguimos.

RAFAEL – Então vamos dançar?

Os dois casais vão para a pista de dança, os pais de Cristiana se sentam em uma mesa mais perto do palco, os dois conversam.

HELENA – Por onde será que anda o Silveira? Ele não é de faltar serviço.

FERNANDO – Sinceramente não sei, mas com certeza ele deve ta bem.

HELENA – Eu espero que sim.

FERNANDO – A festa está belíssima em, capricharam os meninos!

HELENA – Está mesmo, onde está a Susana, ela não veio logo atrás de nós?

FERNANDO – Deve estar estacionando, não foi nada fácil encontrar uma vaga parece que o bairro todo resolveu vir hoje.

HELENA – Nunca vi tanta gente, e a Cristiana parece estar bem feliz.

FERNANDO – Eu espero que o pesadelo já tenha terminado.

***

Gávea, Rio de Janeiro

LORENA – Alô? Tony?

TONY – Sim!

LORENA – A presa está na toca

TONY – Tudo bem, já estou indo!

Tony desliga o telefone

TONY – Está na hora minha querida.

VANDA – Vamos que estou ansiosa para isso, me deixa até excitada.

Ela vai para cima dele com beijos e caricias.

TONY – Calma que depois de fazermos o nosso serviço você vai me ter o quanto quiser.

VANDA – Então vamos logo para aquela festa, como dizem: Arrebentar a boca do balão!

Lucas André

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One Comment

Anderson Silva

Mais um bom capítulo.
Coitado do Silveira! Xau. Xau.
Vanda não abaixa a cabeça para Tony. Gosto assim.
Lorena tá se saindo uma ótima vilã. Achei que ela seria a vilãzinha mequetre de escola, mas está TOP.
Melhor núcleo de longe: Antônio, Amanda e Martha. Dá mais cenas pra eles!

#RaTiana ganhou um pontinho comigo. Só por causa da música “Tempo Perdido”. AMO!

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