Capítulo 10 – Os Contos de Hysteria

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Os Contos de Hysteria

Capítulo 10: Combatendo Fogo com Fogo

— Seu… Seu desgraçado! – Max disse quase sem força, mal podendo conter toda a fúria que queimava dentro de seu peito. Ele fechou as mãos em punhos. — Você sabia que eu estava voltando! Sabia que eu estava com os artefatos! Por que não esperou, porra? – o menino estava explodindo. Seus amigos queriam contê-lo, não para proteger Harmos, é claro, mas para protegê-lo de si mesmo. Um passo em falso e Max estaria no mesmo estado de Aria, o que, se dependesse do terrível Deus, estava para acontecer em poucos minutos.

Harmos mirou o garoto dos pés à cabeça, como um mestre estuda sua obra. Sua expressão era completamente indiferente, como se Max não passasse de um pequeno verme malcriado, uma criança estúpida o suficiente para ousar enfrentar a autoridade. O Deus soltou um suspiro entediado, soltando a princesa no chão a sua frente, e logo depois passou por ela caminhando em direção a Max e seus amigos.

— Nós tínhamos um acordo, rapaz. – ele disse calmamente. — Duas semanas. Era esse o prazo. Nem um minuto a mais ou a menos, e você atrasou. – Harmos sacudia a cabeça em sinal de desaprovação o que só deixava o rosto de Max mais vermelho, sangue subindo e queimando cada vez mais depressa. — Aceite garoto, você fracassou e não há nada que possa fazer a respeito. Apenas me entregue meus artefatos e fique feliz por você e esses dois estúpidos estarem vivo—Espere… – ele parou de falar quando seu olhar encontrou os amigos de Max e ele percebeu que um deles não era Jack, e sim uma jovem elfa. Seu olhar se tornou ligeiramente irritado. — Onde está o gigante? Quem é você?

A maneira como ele apontava para Mary mostrava tamanha repugnância que a única reação da menina foi encolher-se envergonhada. Sentiu-se como um animalzinho enxerido que tentava interferir em assuntos que não lhe diziam respeito. Harmos sacudiu a cabeça, ignorando-a novamente e voltando-se para Max. — Deixa pra lá. Você disse que estava com os artefatos, Maxwell? – ele perguntou impaciente. Já era possível sentir a raiva que emanava do menino, criando um clima extremamente pesado dentro da sala do trono, e por esse motivo seus amigos permaneciam completamente calados. Max nem estava mais escutando o que o Deus falava, mas apanhou as armas dos amigos, além da adaga de Jack e a sua própria espada e marchou pesadamente até uma mesa, onde os depositou. Todos os artefatos, exceto um, que ainda estava guardado em sua mochila.

Harmos cruzou os braços olhando de cima para baixo em direção à mesa e ao rapaz que estava próximo dela. Sua expressão tornou-se novamente irritada. — Pensei que tivesse dito que havia cumprido a missão…

— E eu cumpri.

— Você é idiota por acaso? Eu só vejo quatro artefatos ai, menino! – ele gritou aproximando-se de maneira ameaçadora, mas Max não moveu um músculo sequer. Sua expressão havia se tornado fria como um cubo de gelo. — ONDE ESTÁ A MINHA PEDRA DA RESSURREIÇÃO?!

A ausência do último artefato parecia ter abalado Harmos. Vinyl estava certo, aquela última pedra era importante. Provavelmente a mais poderosa delas, e deveria ter um valor inestimável para o Deus. Seus amigos pareciam ter percebido a mesma coisa, embora ele não pudesse escutar que Vinyl estava sussurrando algo para Mary, seus rostos mostravam que eles tinham captado algo. — Ele disse “Pedra da Ressurreição”? – e isso fez Mary olhar de relance para Max, cujo semblante permanecia inalterado.

Entretanto, sua mente estava trabalhando rapidamente, bolando um plano. Max relembrava o momento que segurou a pedra branca nas mãos, o quanto ela brilhara, muito mais do que as outras. Lembrou-se também da onda de energia que transpassou por todos quando a luz se esvaiu, quase como se o objeto carregasse vida própria. Por trás do Deus, do outro lado da sala, Max conseguiu enxergar um buraco na parede com uma intensa luz brilhando dentro, logo abaixo da pintura do rei e da rainha. Era uma lareira.

Era um movimento arriscado, mas Max não tinha nada a perder. Aria estava morta e desde que a vira sem vida nos braços de Harmos, seu mundo havia se transformado em desespero e confusão. Mas ele iria conseguir, nem que vingá-la fosse a última coisa que fizesse. O menino começou a andar em direção a lareira, porém sem dar a entender que seu objetivo era chegar lá. Ele falava enquanto andava tentando manter Harmos focado nele, e apenas nele. Afinal seus amigos ainda pareciam estar em um campo seguro. — Você tem razão senhor… Não fomos capazes de recuperar a pedra branca. As condições lá estavam difíceis, sendo que perdemos Jack.

— Quem diabos é Jack?

— O gigante. O protetor que vossa grandeza criou para mim. – Max deu suspiro triste, realmente lembrando-se do grandão. — Ele se sacrificou. Mas mesmo assim foi em vão… Não conseguimos a pedra. Por isso você tem o direito de tirá-la de mim. Esse foi o trato, não é? – Max disse apontando suavemente para sua princesa estirada no chão, antes de virar-se para a fogueira e mirá-la como se estivesse a contemplando, perdido em pensamentos. Vinyl e Mary se entreolhavam, desarmados e agora chocados com as palavras que saiam da boca do amigo. Estavam confusos demais entre as mentiras que Maxwell dizia e os absurdos que jamais pensaram ouvir dele.

Harmos também não esperava essa brusca mudança de atitude, já que o menino parecia furioso segundos atrás. Observou-o por alguns segundos virado de costas e olhando as chamas, sem conseguir ver completamente o que ele estava fazendo. — Essas armas não me adiantam de nada sem a última pedra, seu menino inconsequente! Você vai me trazer a última pedra, nem que eu tenha que mantê-lo naquela maldita montanha pelo resto da vida! – ele gritou irritado. Caminhava em direção em Max pesadamente e os barulhos de seus passos ecoavam por todo o castelo, pronto para punir o rapaz ainda mais.

Quando Max sentiu que a distância estava curta e perigosa o suficiente, ele apanhou uma das toras que queimava nas chamas da lareira e virou-se rapidamente quase dando de cara com o Deus raivoso. Ele levantou a palma da mão quase que instintivamente, mas quando o fez, sentiu a mesma energia intensa que o fez flutuar enquanto cantava no dia do desafio. Os raios de poder lançados de sua palma atingiram Harmos em cheio nos olhos fazendo-o gritar e cambalear alguns passos longe do garoto. Vendo a oportunidade, Max correu o mais rápido que pôde enquanto o Deus se recuperava.

No momento estava tão concentrado no que tinha que fazer que nem teve tempo de pensar em como tinha feito aquilo. Como tinha lançado algo das próprias mãos capaz de machucar alguém como Harmos? Naquele instante, não importava. Max continuou correndo, com a tora rapidamente queimando e as chamas se aproximando do seu braço. Quando ele atingiu a mesa dos artefatos novamente, Harmos havia se recuperado e tinha voltado a olhá-lo.

— Quer sua pedra idiota Harmos? Pois você não a terá por mim! Nem ela, nem nenhum dos outros artefatos! – Max gritou liberando toda a sua raiva. Jogou a tora em chamas na mesa, botando fogo em todas as armas mágicas que ali estavam dispostas. O rapaz havia lido e reelido o livro guia dos artefatos mágicos diversas vezes durante toda a missão. Sempre precisava consultá-lo e às vezes acabava descobrindo alguns outros segredos, como por exemplo, o fato de que não era possível extinguir os artefatos do mundo, mas era possível destruí-los ou perdê-los, e se alguém o fizesse, eles reapareceriam em novos esconderijos de suas cidades-natais. — Arrume outro otário! – ele continuou gritando enquanto se afastava um pouco da mesa, que já havia se transformado em uma fogueira, incendiando os artefatos no meio no fogaréu.

O rosto de Harmos, agora já recuperado, tornara-se cada vez mais pálido e assustado, vendo seus preciosos artefatos queimando e logo desaparecendo para esconder-se novamente. Quando sumiram completamente, seu rosto mudou, tornando-se louco de fúria e Max tinha a impressão de que enquanto ele bufava, seu tamanho chegou a aumentar. Seus olhos encontraram os maníacos do Deus, que estava pronto para matá-lo, mas Max não ligava. Havia feito o correto em destruir as armas e não ser o responsável a entregá-las àquele ser terrível. Deu uma leve olhada para Aria, entretanto, com os olhos chorosos, já que seu ato não a traria de volta.

— VOCÊ VAI ME PAGAR, MAXWELL! – disse Harmos partindo para cima do menino com os punhos cerrados.

Os amigos de Max, vendo o pior acontecer, fizeram menção a começar a correr para lutar, embora estivessem sem suas armas e sua participação contra alguém daquele tamanho fosse um pouco inútil. Sem nem sequer olhar para eles, Harmos movimentou sua mão lançando sua mágica divina e prendendo os dois jovens contra a parede para que eles não interferissem.

Max viu o mundo em câmera lenta conforme Harmos avançava para atacá-lo. Quem ele pensava que era ao desafiar um Deus daquela maneira? Ele era só um menino, no fim das contas. Mas era um menino que havia sido enganado. Olhou em volta vendo que a fogueira que havia criado ainda queimava, embora os artefatos já tivessem sumido, viu Aria morta e seus pais assustados presos em seus respectivos tronos. Também lembrou-se de pequenos flashes das últimas duas semanas: Quase sendo devorado pelo ogro, sendo esfaqueado pelo punk, passando frio nas montanhas góticas… Mas aquilo não era tudo. Também conseguia lembrar-se dos pequenos momentos de conforto e risadas que deu com Vinyl e Jack, quando conheceu Mary na taberna, da luz que falava com ele dentro da caverna e que lhe trouxe tanta esperança. A luz… Não. Maxwell não ia se arrepender de ter desafiado Harmos. Fora ele quem lhe havia tirado tudo, menos as esperanças. Ele não ia deixar as coisas acabarem daquele jeito. Não deixaria que Harmos o pegasse vivo.

Quando o Deus estava a um palmo de alcançá-lo e acabar com ele de uma vez por todas, Max fechou os olhos e cerrou os punhos, canalizando tudo aquilo que estava sentindo. Quando o punho do Deus estava prestes a se chocar contra o rosto do menino, este abriu novamente os olhos que brilhavam como a esfera da caverna, sem pupilas, apenas poder. Jamais havia sentido algo tão intenso. O poder das pedras e a energia do dia do desafio não eram nada perto daquilo. Sentia toda a potência do mundo, de todos os seres, de toda a música vibrando dentro de si.

Cerca de um segundo depois, sua visão voltara ao foco e ele notou algumas coisas em sua volta. Harmos havia sido atirado alguns metros longe e estava fazendo um esforço para se levantar novamente. Seus pés já não tocavam mais o chão e Max flutuava sem muita dificuldade. Mas o mais estranho era o campo de força arroxeado como a esfera que o circundava, aparentemente o protegendo e que havia impedido o ataque do Deus. Ele tinha feito aquilo?

Harmos levantou-se completamente chocado com o que estava presenciando, assim como todos os outros presentes na sala também estavam perplexos.

— O que…? Não… – seus olhos queimavam de raiva e frustração. — NÃO PODE SER!

— Max…? – Vinyl sussurrou quase sem forças vendo o amigo daquela maneira, rodeado de tanto poder.

Como se estivesse possuído por uma força superior, Max olhou com seus brilhantes olhos roxos em direção ao Harmos chocado. — Você vai deixar a mim e aos meus amigos em paz, seu monstro! – sua voz soava um pouco mais grave em seus ouvidos. O Deus parecia ranger os dentes e grunhir com ódio antes de gritar e desaparecer em chamas negras. Era estranho que ele não fizesse questão de continuar lutando, mesmo que isso fosse melhor para o garoto.

Assim que ele se foi, o campo de força desapareceu, e Max caiu de joelhos no chão. Sua aparência e voz haviam voltado ao normal, e o poder canalizado se esvaia, dando espaço para um incontável número de perguntas que só o deixaram ainda mais confuso do que estivera nos últimos dias. Seus amigos, o rei e a rainha também foram libertos no momento em que Harmos desaparecera.

O garoto colocou uma mão na cabeça, sentido o cérebro latejando, mas conseguiu lembrar-se de coisas mais importante do que ele próprio. Levantou-se num sobressalto correndo em disparada até onde o corpo da princesa jazia inconsciente. Ele sentou-se rapidamente no chão, pegando-a em seus braços, descansando sua cabeça, pálida e fria no momento, em seu colo.

— Max! Como foi que… – Vinyl perguntou, ainda desnorteado, conforme ia se aproximando junto com os outros, que estavam igualmente confusos. Sua pergunta foi cortada, porém, quando ele viu seu amigo com a princesa nos braços e com os olhos cheios de lágrimas. Mary tocou o ombro do anão, para que ele se calasse, sinalizando que podiam tratar daquele outro assunto mais tarde. Todos estavam reunidos em volta dos dois apaixonados, luto estampado em seus rostos. Não era possível que depois de tudo o que tiveram que enfrentar que as coisas realmente acabariam daquele jeito. O amor da vida de Max estava morto. Ele levantou o rosto para mirar o rei Reed por um segundo, e assim como ele, percebeu que sua majestade também chorava provavelmente arrependido de coisas que tinha feito e dito antes.

Vinyl mordia o lábio nervosamente enquanto as palavras “Pedra da Ressurreição” ecoavam em sua mente. Ele esfregou suas mãos nervosamente uma contra a outra antes de dar um passo à frente. Max não havia colocado a pedra branca junto dos outros artefatos na mesa e, portanto, ela não havia sido queimada. Provavelmente ainda estava intacta dentro da mochila de seu amigo. — Max… E se tentarmos algo?

Max virou o rosto para o seu melhor amigo, ainda em prantos, mas levemente curioso. O que poderiam fazer? Ele pensava erguendo uma sobrancelha. Vincent se dirigiu até a mochila de Max, abrindo-a. Cuidadosamente, retirou a pedra branca de lá e realmente ela estava em perfeito estado. O anão depositou o último artefato sobre Aria, bem no centro de seu corpo enquanto ainda podia ouvir Max soluçando assustado ao lado.

Vinyl se afastou e esperou. Nada aconteceu. O anão não parecia aceitar que era o fim. Ele apanhou o livro dos artefatos em sua própria mochila para ver se não havia nada que eles pudessem fazer para salvar Aria. Max, opostamente, havia perdido as esperanças de que a menina pudesse voltar. Continuou olhando-a, tão bonita mesmo em seu sono de morte, e acariciou seus cabelos dourados para tirá-los da frente de seus olhos. Começou a escutar passos de guardas à distância, imaginando que logo a levariam embora. Uma lágrima escorreu de seus olhos em direção à pedra repousada sobre a princesa. — Adeus meu amor… – ele disse enquanto seu choro molhava o artefato. Assim que o tocou começou a brilhar como havia feito dentro da caverna quando eles o encontraram. Max se afastou um pouco, espantado. Aria subiu aos ares, ainda inconsciente, e com a pedra colada em seu corpo, como se ambas fossem uma coisa só.

Como uma estrela cadente, Aria brilhou intensamente e pedra parecia entrar dentro do corpo da menina conforme a cor retornava ao seu rosto. Assim que o brilho desapareceu e não havia mais nenhum sinal visível da pedra, a menina retornou devagar até o chão onde estava antes. Seu corpo deitou-se na mesma posição anterior e seus olhos permaneceram fechados. Max voltou a segurá-la em seus braços que estavam trêmulos e surpresos.

Todos pareciam igualmente alarmados com o que haviam acabado de ver, mas o sentimento dobrou quando Aria começou lentamente a abrir os olhos. — M-Max…? O que…?

— ARIA! – Max gritou numa mistura de alegria e choque, olhando-a como se ela fosse uma espécie de anjo. Suas lágrimas ainda escorriam, mas já não importava mais, porque agora elas eram de emoção. Ele sorriu e a puxou para um abraço apertado, com medo que ela fosse sumir se ele a soltasse. Novamente seus olhos se encontraram, mas que ela o encarava perplexo, claramente não entendendo tudo o que estava acontecendo. Ele tocou sutilmente o rosto da princesa, querendo ter certeza de que aquilo era real. De que ela era real.

Antes que ela pudesse abrir a boca para perguntar o que estava acontecendo, Max a beijou. Não se importava que os pais dela estivessem olhando, além de muitos outros, já que os guardas finalmente haviam alcançado a sala do trono. Mary e Vinyl encaravam a cena igualmente tocados e embora ainda estivesse confusa, Aria beijava-o feliz por vê-lo novamente.

Era como os campos de morango outra vez, como se agora ela pudesse sentir aquela sensação maravilhosa para sempre. Quando se afastaram os dois continuaram se olhando por alguns segundos, corados.

— Eu te amo. – Max disse quebrando o silêncio. A menina o encarou paralisada por uma fração de segundo antes de dar uma risada curta.

— Eu também te amo… Mas você vai ter que me explicar o que aconteceu aqui mais tarde.

Max também deu um riso abafado, olhando envergonhado para o chão. Uma mão amigável lhe tocando o ombro, o fez olhar para cima novamente. Era o rei Reed exibindo uma expressão aliviada e alegre ao mesmo tempo. O garoto levantou uma sobrancelha confusa, já que imaginava que aquele homem o odiasse, porém ele ofereceu uma mão ao garoto que aceitou respeitosamente. Sentiu Aria se levantando atrás dele também, mas agora sua atenção estava focada no rei de Hysteria que continuava sorrindo carismaticamente em direção ao rapaz enquanto suas duas mãos jaziam em seus ombros. O rei puxou Max para um abraço agradecido.

O menino olhava para o seus amigos perplexamente feliz, enquanto o rei olhava para Aria que começava a entender o que aquilo significava. A boca da menina se curvava em um sorriso intenso já que a ação do pai demonstrava que ele finalmente havia encontrado. Finalmente aparecera alguém a altura de sua princesinha, alguém que ele podia confiar para substituí-lo e para governar Hysteria ao lado se sua filha.

 

Notas Finais do Capítulo: 

A música usada como base para o capitulo, cuja a letra é parafraseada em diversas partes dele, é “Fight Fire With Fire” da banda Kansas. Eu gosto muito dessa banda e muitas de seus músicas possuem um aspecto épico por trás e eu estava ansiosa para encaixar alguma delas nos Contos de Hysteria.

Também foi usada novamente uma pequena menção de “Strawberry Fields Forever”, dos Beatles.

Obs: O capítulo final dessa primeira temporada será postado na semana que vem! 

 

 

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