Capítulo 03 | Mudanças… – No Rumo da Vida

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[CENÁRIO 01 – BOATE/ NOITE]
(Carla e Felipe ficam se olhando. Paula não entendendo o que está acontecendo, decide voltar para dentro da boate)
PAULA – Como vocês vão ficar aí se olhando, sem falar nada, vou voltar lá pra dentro que tá muito melhor. (Carla segura à irmã pelo braço e a impede de entrar)
CARLA – Nem pensar, fica aqui e vamos esperar por um táxi passar.
FELIPE – Deveria escutar sua irmã e aceitar a minha carona.
CARLA – Obrigada, mas não. Realmente prefiro esperar por um táxi. (segura o braço da irmã e começa a levá-la pra longe da boate)
FELIPE – Eita mais é teimosa você hein. (segue elas) O que custa aceitar minha carona? Eu levo vocês em casa, sem problema algum.
PAULA – Verdade, Carla. Você mesma estava apressada para ir pra casa, porque agora que temos um carro pra nos levar, você não quer?
CARLA – Porque eu não quero ir pra minha casa com um estranho. Vai que futuramente ele não queira roubar a nossa casa?
FELIPE – (rir) Não sabia que tinha cara de ladrão?!
PAULA – Mas vocês não são amigos? (para de andar e os dois param também)
CARLA – Não.
FELIPE – Sim. (dizem ao mesmo tempo)
PAULA – Agora quem ficou cansada fui eu. (se solta do braço da irmã e vai para trás de Felipe) Se você não quer irmã, eu quero. Eu vou aceitar sua carona.
CARLA – Não vai não, porque você vai comigo! (a puxa de volta para perto dela) Enquanto o senhor, pode voltar lá pra dentro. Volte para os seus amiguinhos, que a gente pega um táxi.
FELIPE – Olha que depois você vai ficar arrependida de não ter aceitado minha carona. Meu carro está estacionado logo bem ali, mudando de ideia. (caminha em direção ao carro)
PAULA – Carla eu tô com sono e eu vou com ele sim. Se você quiser que você vá no taxi. (se solta do braço da irmã e segue Felipe)
CARLA – Paula? Paula volte aqui já. Falei pra mamãe que a gente ia voltar juntas. Paula? (Carla esperneia, continua pensando em não ir atrás deles, mas no fim, se convence e vai atrás deles) Me esperem, Paula?
[DENTRO DA BOATE]
ADRIANO – (encontra o amigo tomando alguma coisa na mesa) Cadê o Felipe?
ROBERTO – Saiu, foi deixar uma garota em casa.
ADRIANO – Mal ficou solteiro e já está em outra.
ROBERTO – E pelo que me parece ele não foi o único, olha só. (aponta para Sérgio e a Luana se beijando no meio da pista) Quero ver agora quando o Felipe descobrir aquilo.
ADRIANO – Por que?
ROBERTO – Aquela ali, é a ex namorada do Felipe. A Luana.
ADRIANO – (surpreso) Fala sério? Melhor eu beber mais um pouco, porque assim, amanha a ressaca vai me fazer esquecer tudo. (caminha para o bar novamente. Roberto continua observando o casal se pagando na pista)
SÉRGIO – (Luana para de beijá-lo) Que é isso, já acabou?
LUANA – Pra você já. Preciso de uma bebida!
SÉRGIO – Quiser eu busco pra você?
LUANA – Você é surdo, pra você já acabou, vaza.
SÉRGIO – Só acaba quando eu digo. (rouba outro beijo dela, mas ela não gostou e dar um tapa na cara dele, depois o deixa sozinho)

[CENÁRIO 02 – CASA DO FELIPE/ SALA/ NOITE]
(Paulo chega em casa e se depara com sua mãe sentada no sofá, as escuras. Sendo iluminada apenas pela luz do abajur)
PAULA – Acordada ainda?
VIVIANE – Sim. Estou sem sono e vim ler um livro.
PAULO – O Felipe ainda não chegou, né?
VIVIANE – Ainda não filho e nem sei se chega hoje!
PAULO – E porque a senhora não vai dormir, ao invés de ficar esperando ele aí?
VIVIANE – Eu realmente estou sem sono filho. Prefiro terminar aqui meu livro e depois ir dormir.
PAULO – A senhora quem sabe. Bem, eu vou indo dormir. Boa noite mãe.
VIVIANE – Boa noite filho, durma bem. (Paulo sobe para o quarto, Viviane confere as horas mais uma vez no relógio, depois volta a ler o livro)

[CENÁRIO 03 – RUA EM DIREÇÃO A CASA DA CARLA/ NOITE]
(Carla e Paula estão no banco de trás do carro. Felipe de vez enquanto olha pelo retrovisor do carro para a Carla e ela ainda continua chateada)
FELIPE – (tentando puxar assunto) É, vez bem vocês terem aceitado minha carona, imagine o quanto vocês já economizaram em não ter pego o taxi.
CARLA – Eu realmente preferia ter vindo de taxi, do que com você. (Felipe vendo que seria difícil puxar assunto, decide focar na estrada. O resto da viagem foi em silêncio)
PAULA – Pode parar aqui, aquela ali é nossa casa!
FELIPE – Essa aqui?
PAULA – Isso. (Felipe para em frente á casa delas) Obrigada pela carona.
FELIPE – De nada. Amigo é pra essas coisas (olha para Carla sorrindo pelo retrovisor. Paula percebendo que estava rolando alguma coisa entre dois, decidi sair primeiro do carro)
PAULA – Boa noite ai pra vocês. (sair do carro e entra em casa. Carla sair logo atrás, e Felipe corre para chegar á frente dela)
FELIPE – Você não vai nem agradecer?
CARLA – Obrigada pela carona.
FELIPE – (sorridente) De nada.
CARLA – Posso entra agora?
FELIPE – Pode mais antes eu queria testar uma coisa. (ele a puxa pela cintura e rouba um beijão dela. Só que logo em seguida, ela dar um tapa na cara dele) Porque você fez isso?
CARLA – Ainda pergunta?
FELIPE – Você não gostou?
CARLA – Acho que o tapa responde bem essa sua pergunta.
FELIPE – Então, quem sabe você goste desse. (rouba outro beijo. Ela tenta evitar, mas no final, acabou retribuindo. Depois de um longo beijo, ela o larga e se afasta) O que foi, pensei que você estava gostando?
CARLA – Você só veio nos deixar em casa, agora você pode ir.
FELIPE – Mas e se eu não quiser ir? (pega pela cintura e a puxa para perto dele)
CARLA – Eu chamo a policia.
FELIPE – Não vai chamar, porque você também quer que eu fique. (voltam a se beijar. Ela parar de resistir e os dois vãos pra dentro de casa. Passam pela a sala, em direção as escadas, sobem para o quarto da Carla, ele fecha a porta com os pés e vão para cama. E em nenhum momento, do caminho do carro até o quarto eles desgrudaram suas bocas)

Amanhecendo

[CENÁRIO 04 – APARTAMENTO DA CAMILA/ COZINHA/ DIA]
(o dia amanhece, Camila que havia dormido no sofá, nem reparou a hora que Adriana chegou em casa. Como sempre, é a primeira que acorda. Está na cozinha, terminando de prepara o café da manhã. Adriana entra com uma ressaca e cabelo bem desarrumado)
ADRIANA – Aí, que dor de cabeça. (entrando na cozinha e sentado á mesa. Joana entra logo atrás dela e senta ao lado)
JOANA – Pelo visto ontem a farra foi boa, hein?
ADRIANA – Foi, se eu não tivesse que voltar a pé e sozinha.
JOANA – Ué, mas a Paula não estava com você?
ADRIANA – Tava, mas parece que ela foi embora com a Carla, sem me avisar. E sobrou pra mim, acabei voltando sozinha. Precisando de um café bem forte, pra me manter viva na faculdade.
CAMILA – Toma este aqui, acabei de fazer. (entrega a garrafa para ela)
ADRIANA – Obrigada.
CAMILA – Você não vai comer nada Joana?
JOANA – Estou sem fome, qualquer coisa como algo por aí.
ADRIANA – Não quer comer aqui pra comer na lanchonete daquele garçom gostosinho, né?
CAMILA – Garçom gostosinho?
JOANA – Maluquisse dessa daí. Efeito da ressaca Camila, ignora ela.
ADRIANA – Não, não é isso Camila. Que ontem, tentando impedir que essa chegasse e descobrisse sobre a festa, eu acabei levando ela para uma lanchonete bem pertinho da faculdade e lá tem um garçom super gato, uma delícia pura, por quem a Joana ficou interessada.
JOANA – Quem me parece que ficou interessada nele foi você, que até seu telefone você deu!
CAMILA – Gente, já amanhecemos com uma notícia dessa. Quero saber de tudo hein.
ADRIANA – Tá, vou te contar…
JOANA – (interrompe) Não vai contar nada, que já deu a hora de irmos. (se levanta apressada e caminha em direção á porta e sai do apartamento)
ADRIANA – E o que foi que deu nela?
CAMILA – Não se preocupa, no caminho para a faculdade você me conta tudo.

[CENÁRIO 05 – APARTAMENTO DO SÉRGIO/ SALA/ DIA]
ADRIANO – (Sérgio entra na sala com a mochila nas costas) Acordou o beijoqueiro?
SÉRGIO – Bom dia pra você também. (joga a mochila em cima do sofá e vai para cozinha)
ADRIANO – E aí, a ex-namorada do Felipe beija bem?
SÉRGIO – (responde da cozinha) O que você tá falando?
ADRIANO – Ué, você não sabia que a garota que você beijou ontem a noite na boate é a ex-namorada do Felipe, a Luana?
SÉRGIO – (volta pra sala com uma maça na mão surpreso) Não brinca?
ADRIANO – Não estou brincando.
SÉRGIO – Fala sério?
ADRIANO – Estou falando sério, cara.
SÉRGIO – Eu peguei a namorada do meu amigo? Como vou contar isso pra ele?
ROBERTO – Contar o quer? (entra na sala) Que você beijou a ex do Felipe?
SÉRGIO – Até você viu?
ROBERTO – Claro. Creio que metade da boate viu aquele beijo de vocês.
SÉRGIO – E agora pessoal, como vou contar isso pro Felipe?
ROBERTO – Eu não vou dizer nada.
ADRIANO – Mas você sabe que cedo ou tarde, ele vai saber ou pela gente ou por ela.
SÉRGIO – Podem deixar que até isso acontecer, eu já vou ter contado pra ele. Só preciso descobrir como contar. Eu não posso chegar no Felipe, e dizer “ E aí parceiro, como é que vai? Sabe onde a noite, na boate, pois é, eu peguei sua ex. Vocês não tem mais nada mesmo, então tá tudo certo né.”
ROBERTO – Bem direto.
SÉRGIO – É fácil falar, porque não foram vocês que beijaram a ex de seu melhor amigo.
ADRIANO – Olha, se fosse com uma ex minha, eu iria tirar satisfação com você.
SÉRGIO – Sério?
ADRIANO – Claro que não mané. Iria rolar se fosse com uma atual minha, mas ex pra mim, tanto faz.
SÉRGIO – Eu não sei, de qualquer maneira, vou pensar no que dizer pra ele.

[CENÁRIO 06 – CASA DA CARLA/ Q. DA CARLA – SALA – COZINHA/ DIA]
(Carla acorda e ver Felipe dormindo ao seu lado. Não acreditando no que acabou de fazer na noite passada, levanta rapidamente, tentando acordá-lo)
CARLA – Meu Deus, já amanheceu. Você tem que sair daqui agora! (pula da cama) Ei acorda? Levanta rápido, você tem que sair agora. (jogando a calça dele o acordando)
FELIPE – (sonolento) Ei, ei? O que está acontecendo?
CARLA – Você não devia ter dormindo aqui!
FELIPE – Porque não, você se arrependeu?
CARLA – Não, quer dizer, sim, não… ah esquece. Você tem que sair daqui agora, antes que minha irmã ou minha mãe pegue você. (terminando de se vestir)
FELIPE – Mas a gente vai poder repetir varias noites que nem essa, não vai? (levanta e começa a se vestir)
CARLA – Não sei. Só sei que se você tem que sair daqui agora.
FELIPE – Esta bem, tô descendo já. Posso pegar meus sapatos pelo menos. (Carla amarra seu cabelo, enquanto Felipe termina de calçar seus sapatos)
CARLA – Espera, vou ver se não tem ninguém na sala. (ela sai do quarto, desce até a sala, passa pela cozinha, ver que não tem ninguém, volta para o quarto) Tem ninguém, vamos.
FELIPE – Alguém já lhe disse que você é bem mandona? (saem do quarto. Descem para sala sem fazer barulho, chegando na porta Felipe aproveita e rouba um beijo da Carla) A gente vai se ver novo?
CARLA – Depois a gente ver isso. (abre a porta) Agora vai, antes que te peguem aqui.
FELIPE – (sorrindo) Está bem, mandona. (os dois se beijam novamente, só que este foi mais curto que o primeiro. Ele vai embora. Carla fecha a porta e o ver entrando no carro pela janela. Tranquila, Carla decide voltar para o quarto, mas é surpreendida pela irmã olhando para ela na escada)
PAULA – Bem que eu havia percebido que estava rolando alguma coisa entre vocês dois?
CARLA – Aí que susto. Do que você está falando? (vai para a cozinha)
PAULA – Vai me dizer que o cara que saiu daqui de casa, não é aquele mesmo que veio nos deixar ontem à noite? (desce apressada e segue a irmã)
CARLA – Claro que não. (fingi mexer alguma coisa na geladeira)
PAULA – Ah não, quem é então?
CARLA – Ah, eu não sei. Ninguém, Paula. (volta para a sala) Vai logo tomar seu café ou não vai se atrasar e perder o ônibus.
PAULA – Que café, a mamãe não acordou ainda?
CARLA – Ainda não acordou?
PAULA – Não e eu já á chamei e nada de resposta. (se joga no sofá)
CARLA – (preocupada) Você entrou no quarto dela, pra saber se está tudo bem?
PAULA – Não, só bati na porta?
CARLA – Eu vou lá. (Carla sobe para o quarto da mãe apressada)

[CENÁRIO 07 – CASA DA LUANA/ COZINHA/ DIA]
VITORIA – (entrando na cozinha) Bom dia titia. Tomando o café sozinha? (se senta ao lado da tia)
VERÔNICA – Sim, eu gosto.
VITORIA – Hum, pelo visto somos as únicas que gostamos de acordar cedo nessa casa.
VERÔNICA – Sua irmã ainda estar dormindo?
VITORIA – Está cansada da viagem. E o priminho, ele não vai pra faculdade?
VERÔNICA – Ele trancou a faculdade, pra resolver outras coisas.
VITORIA – Que coisas?
VERÔNICA – Coisas pessoais dele. Se quiser saber pergunte para ele. (neste momento, Luana chega em casa bêbada e cair direto no sofá) Mas o que significa isso? (indo para a sala)
LUANA – O que faz acordada hora dessa mamãe?
VERÔNICA – (exaltando a voz) Não acredito que você estava até essa hora na rua, Luana?
LUANA – Ei, não grita. Cabeça está doendo!
VERÔNICA – Você está cheirando só a álcool. Imagina se o Felipe decide vir aqui ou os pais deles?
LUANA – Que se dane o Felipe, os pais, toda aquela família. Que todos se explodam.
VERÔNICA – Eu não estou te reconhecendo Luana. Vamos, deixa eu te ajudar a levar lá pra cima. (Verônica tenta tirar a filha do sofá, mas Luana a impede)
LUANA – Me larga, deixa eu aqui. Quero dormir. E por favor, apaguem as luzes, tô com sono.
VITORIA – Vish tia, parece que a Luana bebeu todas ontem à noite.
VERÔNICA – Cala a boca menina e vai chamar seu primo aqui, pra me ajudar a levar essa maluca lá pra cima.
VITORIA – Calma, estou indo já. (Vitoria sobe as escadas, quando Verônica tenta de alguma forma tirar Luana do sofá)

[CENÁRIO 08 – CASA DA CARLA/ SALA/ DIA]
(com fome, Paula decide ver o que podia fazer na cozinha. Momentos depois da Carla ter ido chamar a mãe, a mesma vem descendo as escadas chorando)
PAULA – (Carla entra na cozinha) O que houve? Porque está chorando?
CARLA – (chorando) A mamãe Paula… ela morreu!
(de acordo com o médico, Cíntia teve uma parada cardíaca dormindo. Elas também descobre, que Cíntia estava fazendo um tratamento do coração já alguns meses.  Agora sozinhas, elas não sabem o que fazer. Depois que prepararam o velório e enterraram sua mãe, Carla e Paula se encontram em uma estrada sem rumo. Paula por se a mais nova, esta confusa sem conseguir entender, tão nova e já teve que enterrar pai e mãe. Carla, por ser a mais velha, tenta ser o refúgio da irmã. Tenta se manter forte e segurar tudo sozinha)

Três dias depois…

[CENÁRIO 09 – CASA DA CARLA/ SALA/ TARDE]
(Paula está deitada no sofá chorando, Carla chega e tenta consola a irmã)
CARLA – Eu sei que esta sendo difícil… mas vai passar. Devemos pensar agora o que faremos daqui em diante só nós duas, Paula.
PAULA – (chorando) Nossa mãe não devia ter indo agora. Não devia ter nós deixado sozinhas.
CARLA – Não é nós quem decidimos quando chega a nossa hora. Se fosse assim, o mundo estava cheio de pessoas não querendo ir. Talvez ela precisou nós deixar, para que a gente possa caminhar sozinhas de agora em diante. E que possamos escrever nossa própria historia sem a ajuda dela. Mas de uma coisa eu tenho certeza, que esteja onde ela estiver, pra onde a gente for, ela vai está nos observando e cuidado da gente!
PAULA – Mesmo assim, ainda dói.
CARLA – Eu sei que dói. Essa dor vai passar, Paula. Só dar tempo ao tempo e acreditar que eles estão e querem que estejamos bem. Você acha que a mamãe, queria que a gente ficasse aqui, no sofá, chorando, ao invés de superar mais esta etapa e continuar em pé, firme? (Carla acaricia a cabeça da irmã, enquanto Paula limpa a lagrima do rosto. Logo depois, Paula se senta no sofá ficando de frente com ela)
PAULA – Eu sei que a gente briga de vez em quando…
CARLA – Não vamos falar de brigas agora. (Paula põe sua cabeça nas pernas de Carla e chora novamente) Chora irmã… (tenta segurar o choro) põe tudo pra fora… é melhor.

[CENÁRIO 10 – APARTAMENTO DA CAMILA/ SALA/ TARDE]
(Adriana, Camila e Joana estão na sala, falando sobre o ocorrido com a mãe da Carla. Ambas parecem triste)
ADRIANA – Sabe o que eu estava pensando?
JOANA – Você pensando, nossa.
ADRIANA – Sem graça. Agora que as meninas estão sozinhas, podíamos convida-las para vir passar um tempo aqui com a gente.
CAMILA – Não acho que a Carla irá aceitar.  Aquela casa foi onde elas cresceram, passaram bons momentos e não acredito que elas deixaria aquela casa para trás pra vir morar nesse cubículo que é esse apartamento.
ADRIANA – Só que as duas sozinhas não vão conseguir sustentar aquela casa…
CAMILA – Bem, podemos fazer o convite, mas ainda acho que ela não vai aceitar.
JOANA – Independente da resposta, vamos sempre está ao lado delas.
CAMILA – Exatamente.

[CENÁRIO 11 – APARTAMENTO DO SÉRGIO/ SALA/ TARDE]
(Felipe está deitado na sala pensando na Carla. Sérgio entra na sala, mas como Felipe estava deitado, ele não o ver e joga a mochila em cima do Felipe)
SÉRGIO – Oh cara, foi mal. Não tinha te visto aí.
FELIPE – Sem problemas. Pensei que já tinha ido pra faculdade?
SÉRGIO – Hoje eu só tenho aula no segundo tempo.
FELIPE – Hum.
SÉRGIO – Está tudo bem? Parece sério?
FELIPE – Não é nada. Só estava aqui, pensativo.
SÉRGIO – É… Felipe, não é querendo ser grosseiro, sabe que você pode ficar aqui o tempo que quiser, mas… quando você vai voltar pra casa? Quero dizer, vai voltar pra dizer para seus pais que não quer mais ser sustentando por eles, que quer ser independente daqui pra frente…?
FELIPE – Eu estava tentando criar coragem, e ir lá hoje. Se demorar mais esse assunto, pode ficar complicado depois.
SÉRGIO – Verdade… mas sabe que você pode ficar aqui o tempo que precisar, só perguntei por curiosidade mesmo. (chega mensagem em seu celular) O Roberto acaba de me mandar uma mensagem, confirmando o nosso primeiro show.
FELIPE – (vibra) Sério, ele conseguiu marcar o nosso primeiro show com aquele cara?
SÉRGIO – Parece que sim. Será daqui algumas semanas. Ele disse que está vindo pra cá, e vai contar tudo pra gente.
FELIPE – Que ótimo cara. Nem acredito, parece que está tudo certo. (levanta do sofá) Acho que chegou a hora de resolver aquela outra história.
SÉRGIO – Ainda enrolado com a garota daquela noite. Vocês pelo menos já se falaram depois daquilo?
FELIPE – Ainda não. Estou dando um tempo, talvez a gente não tenha começado bem, mas eu sei que ela também ficou afim de mim. Eu sei onde ela mora, fugir de mim que ela não vai.
SÉRGIO – Quem sabe? Vai que ela muda de cidade?
FELIPE – Eu a encontro onde ela for. (sai do apartamento)

[CENÁRIO 12 – CASA DA CARLA/ Q. DA PAULA – Q. DE CÍNTIA/ TARDE]
(Paula está em seu quarto, deitada observando á foto de seus pais. Ela limpa as lagrimas do rosto e vai atrás da irmã. No corredor, ela encontra o quarto de sua mãe aberta e decide entrar)
PAULA – O que você estar procurando nas coisas da mamãe?
CARLA – Estou procurando um telefone.
PAULA – De quem?
CARLA – Da minha madrinha.
PAULA – Você está pensando em nós levar pra lá?
CARLA – Eu não sei ainda, preciso falar com ela. Ela é a pessoa mais próxima que temos agora.
PAULA – (exaltada, chorando) Pois eu não vou! Vou ficar aqui, Carla. (Paula sai correndo para seu quarto e Carla corre atrás dela)
CARLA – Paula? Paula vem cá? Paula? (no quarto) Abre a porta, Paula? O que houve?
PAULA – (chorando, sentada sobre a cama) Eu não vou sair dessa casa. Da casa onde a mamãe viveu a maior parte da vida dela.
CARLA – Paula, abre a porta, vamos conversar.
PAULA – Eu não quero conversar, Carla.
CARLA – Paula… não temos como sustentar essa casa só nos duas. Como vamos pagar seu cursinho, minha faculdade e sustentar essa casa? Não tem como. Vai, abre a aporta, deixa eu entrar, vamos conversar. (Paula abre a porta e volta para cama) Eu sei que é difícil. Você acha que não está sendo difícil pra mim também. Ter que pensar em sair desta casa, onde nasci e fui criada. Onde vi você crescer…
PAULA – Tem que ter outro modo, Carla? Eu posso estudar de manha e trabalhar á tarde?
CARLA – Não. Você tem que priorizar os seus estudos e sabe que isso era um pedido de nossa mãe. E mesmo assim, iria chegar um momento que não daria mais para segurar.
PAULA – Você está pensando então em vender esta casa?
CARLA – Eu não estava pensando necessariamente em vender. Mas podemos fechá-la e mais pra frente, quando tivermos em uma boa situação, voltarmos para cá. Essa casa sempre será nossa, Paula. Eu não seria louca de vender um lugar que guarda a maioria das nossas lembranças da nossa infância, adolescência… Quando tudo tiver organizado, a gente volta, eu prometo.
PAULA – Você promete mesmo?
CARLA – Prometo, a casa vai está sempre aqui, pra quando precisarmos.
PAULA – E a sua faculdade? Você vai tranca-la?
CARLA – Infelizmente sim.
PAULA – Mas você se esforçou tanto para conseguir esse vaga…
CARLA – Não se preocupa, que não perderei ela assim tão fácil. Irei ficar de olho nas datas, para retomar de onde parei. Então, você vai me ajudar a procurar o telefone da minha madrinha? O problema é que eu nem sei se realmente estão nas coisas da mamãe?
PAULA – (limpa as lagrimas) Deixa que eu te ajudo. Não é bom a gente ficar brigando, no momento em que devemos ficar mais unidas. (ambas sorriem) Vamos?
CARLA – Vamos!

[CENÁRIO 13 – CASA DO FELIPE/ SALA/ TARDE]
(depois de 5 dias sem notícias Felipe chega em casa e é bem recebido por sua mãe)
VIVIANE – Oh meu filho, graças a Deus.  (corre para abraçá-lo) Onde você estava? Por que não deu notícias?
FELIPE – Oi, mãe.
VIVIANE – Onde você estava dormindo? Você estar tão magrinho, você andou comendo bem?
FELIPE – Mamãe… relaxa. Onde eu estava, cuidaram muito bem de mim. O papai está em casa?
FERNANDO – Eu estou bem aqui. (descendo as escadas) Vejo que o filho ingrato retorna a sua casa.
VIVIANE – Não vão brigar, Fernando?! Você não ver que nosso filho voltou pra casa?
FERNANDO – Vejo e quanto tempo vai ficar? Pra sair de novo e ficar dias sem voltar. Deixando sua mãe aí morrendo de preocupação. Olha só o estado dela, ainda de camisola, cabelo desarrumado. Ela ficou todos os dias sentada naquele sofá esperando que o filhinho querido dela entrasse pela essa porta. (diz nervoso e aumentando a voz)
FELIPE – Eu não quero brigar pai…
FERNANDO – Mas quem aqui está brigando, meu Deus. Somos adultos ou não para termos uma conversar civilizada?
FELIPE – Posso pelo menos tomar um banho, já que o senhor prefere ter essa conversa?
FERNANDO – Posso saber onde?
FELIPE – No meu quarto, onde mais seria?
FERNANDO – Pelo que eu saiba, aqui você não tem nenhum quarto!
FELIPE – Como assim?
FERNANDO – Estou querendo dizer, que nessa casa, você não tem mais quarto, não tem mais banheiro, não tem mais família.
VIVIANE – Fernando, você não pode fazer isso?
FERNANDO – Posso sim, porque eu sou o chefe desta família! Eu que pago as contas desta casa e já que o rapaz aí, gosta de sair de casa e ficar dias fora, sem dar noticias, que vá. Que agora ele não precisa dar mais satisfação a ninguém.
FELIPE – O senhor está me expulsando de casa?
VIVIANE – Não, ele não está meu filho.
FELIPE – Está sim. Ele está me expulsando de casa. Pois bem, era mesmo o que eu vim fazer aqui. O senhor não precisa gastar sua saliva com isso. Eu vi só pra avisar, que ia sair mesmo de casa.
VIVIANE – Não meu filho, não faça isso. Fernando não permita que nosso filho vá embora. (suplica, começando a chorar) Não faça isso meu filho, se você sair, você vai estar me matando de desgosto.
FERNANDO – É isso que ele quer, matar todos nós de desgosto.
FELIPE – Eu vi só buscar minhas coisas e sair desta casa.
FERNANDO – Que coisas? Aqui você não tem nada!
FELIPE – Tenho minhas roupas?
FERNANDO – Nada daquele quarto é seu. As roupas que estão lá em cima, é do meu filho, que estar perdido por aí e que um dia vai voltar pro lugar de onde ele nunca devia ter saído.
FELIPE – Mas lá em cima tem roupas que eu comprei com o meu dinheiro.
FERNANDO – Depois mandamos pra você. Só que aqui, você não fica mais.
FELIPE – Já que o senhor quer assim, eu vou embora.
VIVIANE – Não meu filho, não vá. (se ajoelha na frente dele chorando) Fica. Fica aqui comigo.
FELIPE – Não faz isso mamãe, por favor, se levanta.
FERNANDO – Não se humilhe por esse ingrato, Verônica.
VERÔNICA – (grita) Cala a boca seu mostro. (Felipe a levanta) Por favor, fica? Não vai embora, não me abandona.
FELIPE – Eu prometo que venho sempre visitar a senhora.
FERNANDO – Que venha visitar, lá fora.
VIVIANE – (raiva) Que pai expulsa seu filho de casa, sem piedade, com uma mão na frente e outra atrás.
FERNANDO – Mamãe, não adianta briga. Deixa ele, não vale a pena. Não se preocupa, vai ficar tudo bem comigo.
VIVIANE – Não vá meu filho, fica… por favor? (se ajoelha novamente na frente do filho, mas Felipe a impede dessa vez)
FELIPE – Eu já tinha decidido isso mamãe. Eu já ia sair mesmo daqui. Sempre que der eu venho ver a senhora. Te amo. (ele beija sua mãe e sai, sem olhar para seu pai e seu pai faz o mesmo)
VIVIANE – Satisfeito, era isso que você queria, colocar nosso filho pra fora de casa?
FERNANDO – Eu não queria isso Viviane, você sabe muito bem o que eu quero?
VIVIANE – Claro, sempre a empresa na frente que sua família. Cuidado… pra que você não fique sozinho, sem ninguém. (ela sobe para quarto, deixando-o sozinho na sala)

[CENÁRIO 14 – CASA DA CARLA/ SALA/ TARDE]
(Carla não achou o telefone de sua madrinha no quarto de sua mãe, então ela decide procurar alguma pista na sala)
CARLA – Será que a mamãe guardou mesmo ou jogou fora esse telefone? Se bem que jogamos alguns papeis fora meses atrás.
PAULA – (descendo as escadas) Carla, eu achei, eu achei!
CARLA – Sério, onde estava? Deixa eu ver.
PAULA – Nesse caderninho, em baixo das roupas do papai! (entrega o caderninho para irmã)
CARLA – Claro que tinha que está lá. Seria o ultimo lugar que a mamãe ou alguma de nos mexeria.
PAULA – Mas então, é ele mesmo?
CARLA – Bem, vou ligar aqui né. Pra saber se ainda é o mesmo (ela corre para telefone da cozinha, enquanto a campainha toca)
PAULA – Deixa que eu atendo. (correr para atender a porta)
CAMILA – Oi.
PAULA – Oi meninas, o que vocês estão fazendo aqui?
ADRIANA – Viemos visitar vocês, saber como estão?
CAMILA – Podemos entrar?
PAULA – Claro, entrem. (as meninas entram e reparam que a casa está meio bagunçada)
JOANA – (curiosa) Vocês estavam arrumando a casa?
PAULA – Não, essa bagunça é porque estávamos procurando um numero de telefone?
ADRIANA – E com quem a Carla está falando? (repara a Carla na cozinha falando com alguém pelo telefone)
PAULA – Com a madrinha dela, estamos pensando em ir pra lá.
CAMILA – Vocês vão embora?
PAULA – Vamos! Eu não queria ir. Não queria deixar essa casa, mas a Carla disse que vai ser melhor assim.
ADRIANA – E vocês vão fazer o que com essa casa?
PAULA – A Carla pensou em deixá-la fechada, mas não vamos embora pra sempre, vai ser temporário.
CARLA – Então tá. Vamos arrumar aqui e quando estivermos pronta, ligamos de volta. Beijo, tchau madrinha. (volta para a sala)
PAULA – Então, o que resolveu?
CARLA – Ela disse que a gente pode sim ir pra casa dela passar um tempo. E também ficou super mal, apos saber o que houve com a mamãe.
JOANA – Então vocês vão mesmo?
CARLA – Oi meninas, nem falei com vocês, desculpa. Vamos, não tem como cuidar dessa casa sozinhas, e afinal, essa madrinha é a única pessoa mais próxima que a gente tem agora.
ADRIANA – É, parece que chegamos tarde meninas.
CARLA – Como assim?
CAMILA – É que… vinhemos trazer um convite para vocês.
PAULA – Um convite?
ADRIANA – Conversarmos entre a gente antes de vir aqui e decidimos convida-las para morar com a gente no nosso apartamento.
CARLA – (rir) Vocês são malucas, né? Só vocês mesmo meninas.
ADRIANA – (confusa) Por quê? O que dissemos de errado?
CARLA – Eu agradeço pelo convite, de verdade. Só que nos duas no apartamento de vocês iria ficar apertado. Mal cabem vocês lá, imagina mais duas pessoas.
JOANA – Eu avisei que ela não iria aceitar.
CAMILA – Você tem certeza, a gente dar um jeito de caber todo mundo junto?
ADRIANA – É melhor, do que ir pra longe e deixar suas amigas aqui, morrendo de saudades.
CARLA – Eu agradeço de verdade, o que vocês estão tentando fazer por mim, pela gente, mas não dar mesmo. Já combinei com minha madrinha e vamos ainda esta semana.
PAULA – Mas já, tão cedo? Pensei que iríamos ter mais tempo para arrumar as coisas?
ADRIANA – Pra que essa pressa toda?
CARLA – Quando mais cedo sairmos daqui, mais rápido esse sentimento… essa tristeza, vai passar.
CAMILA – Parece que você está querendo é fugir da gente?
CARLA – Porque eu estaria fugindo de vocês, hã?
ADRIANA – Sei lá, vai que abusou da nossa cara e não ver á hora de ir embora e nos esquecer.
CARLA – Eu nunca vou esquecer vocês. Será só por um tempo meninas, até tudo passar, nossa situação melhorar.
CAMILA – Compreendemos Carla, o convite foi feito. Não vamos tocar mais nesse assunto. Vocês precisam de ajuda?
CARLA – Bem, até que uma ajudinha cairia bem né. (mostra a bagunça na sala)
ADRIANA – Folgada, acostuma não hein.
CARLA – (olha para Camila) Você podia me ajudar a embalar algumas coisas, pra não encherem de pó e ficarem velhas rápido?
CAMILA – Claro.
CARLA – Enquanto vocês, poderiam ajudar a minha irmã, a guardarem a roupa da mamãe, junto com a do papai?
PAULA – Eu não quero fazer isso Carla? (Carla entende o motivo)
CARLA – Você quer então a ajudar a Camila, com as coisas aqui em baixo?
PAULA – Se você quiser? Mas, guardar as roupas da mamãe, não estou pronta pra isso ainda.
CARLA – Então tá. A Paula vai ficar aqui te ajudando e a gente vai arrumar as roupas lá em cima.

[CENÁRIO 15 – CASA DA LUANA/ Q. DA LUANA/ TARDE]
(Verônica entra no quarto da Luana e a encontra dormindo) Eu não acredito. (abre as janelas) São quase duas tarde e você ainda está deitada? Luana acorda, levanta já dessa cama (puxando o lençol e acordado ela)
LUANA – (sonolenta) Que foi? Deixa eu dormir, ainda tá cedo.
VERÔNICA – Está na hora de você resolver aquele problema com o Felipe.
LUANA – Eu já disse pra senhora, se ele quiser voltar, que ele venha atrás de mim. Se ele não veio até agora, porque ele não quer mais né mamãezinha.
VERÔNICA – Eu não sabia que você desistia assim tão fácil daquilo que você quer?
LUANA – Eu não estou desistindo, só cansei de ir atrás.
VERÔNICA – Pois pra mim isso é desistir. Agora levanta dessa cama, vai pro banheiro, toma um banho, se arruma, que eu e você vamos lá na casa do Felipe, vamos fazer uma surpresinha pra ele.
LUANA – Ah não mamãe, eu prefiro ficar dormindo.
VERÔNICA – Nem pensar… (tira todas as cobertas de cima dela e a puxa da cama) … levanta logo, vai pro banheiro, enquanto procuro uma roupa bonita pra você.
LUANA – Só vai ser trabalho perdido, o Felipe não me ama mais.
VERÔNICA – Não diga o que você não sabe filha, agora vai logo pro banheiro.
LUANA – Depois só quero ver quando ele confirmar na sua frente que não vai ter mais noivado nenhum. (ela vai para o banheiro e fechar a porta com força)
VERÔNICA – Se depender de mim, esse noivado continua sim minha filha.

Continua no Capítulo 04…

Anderson S.

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