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Leblon, Rio de Janeiro


Tony a puxa para a saída e Helena se desespera e vai até a cômoda de Tony onde pega uma arma e aponta pra ele.


CRISTIANA – (grita) Não mãe, acalme-se.


FERNANDO – (indo até Helena) Não Helena.


Tony solta Cristiana


TONY – Atira! Sei que você não tem coragem. Atira!


Helena segura a arma com as duas mãos, mira, fecha os olhos e aperta o gatilho.


Mas Fernando segura as mãos de Helena, aponta pra cima e a bala se aloja no forro de gesso do quarto, ele pega a arma da mão dela.


FERNANDO – (Assustado) O que você iria fazer Helena?


HELENA - Iria acabar com essa história toda, já estou cansada de me sentir ameaçada por esse monstro, você não vai destruir minha família.


TONY - Você não tem coragem, você ainda me ama.


HELENA – (andando até Tony) Eu não amo você, eu tenho nojo, quero você longe da minha casa, longe da minha família, agora eu sou livre, a justiça me deu hoje à tarde a notícia que você terá que ficar longe de mim e da minha família, agora sai daqui, some, nunca mais apareça se não chamarei a polícia e ai de você se chegar perto da minha família.


TONY - Está é minha casa e não vou deixar que nem você, sua vagabunda, me tire isso.


Helena dá um tapa na cara de Tony e ele faz o mesmo nela.


FERNANDO – Na minha mulher você não vai mais bater.


Fernando se enfurece e parte para cima de seu amigo com socos e ponta pés, os dois caem em cima do criado mudo que ficava perto da porta do quarto, Tony retribui com chutes e socos, Cristiana se desespera e tenta separar, mas acaba sendo atingida com um soco de seu padrasto e cai no chão.


Fernando vai até onde sua filha e se enfurece ao ver o braço roxo dela, vai até Tony pega ele pelo colarinho e sai arrastando pela escada chegando na metade ele joga o seu amigo e ele sai rolando escada abaixo.


Tony se levanta.


TONY - Vocês vão se arrepender disso. (sai)


Fernando retorna ao quarto de Helena


FERNANDO – Vocês estão bem?


CRISTIANA – Sim, espero que ele não volte mais aqui.


FERNANDO – Se depender de mim não vai, mas o que deu em você Helena?


HELENA - Eu só queria que esse sofrimento acabasse, com esse infeliz morto seria mais fácil.


FERNANDO - Violência só vai gerar violência, vamos deixar que a justiça se encarregue disso.


CRISTIANA - Agora vamos esquecer tudo o que ocorreu aqui e nos preparar para o Jantar, o Gabriel já chegou?


HELENA – Não, deve estar na escola ainda.


FERNANDO - Melhor que ele não fique sabendo de nada do que está acontecendo aqui nessa casa.


CRISTIANA - E quando ele der falta do Tony, pai?


FERNANDO - Temos que inventar uma boa desculpa, mas tenho certeza que Tony vai ficar vigiando cada passo nosso.


HELENA - Até de longe aquele maldito tem a capacidade de nos deixar indefesos.


***


Favela do Vidigal, Rio de Janeiro


AMANDA - Tia, você voltou!


LUCIANA - Minha menina, você cresceu já tá uma mulher.


AMANDA - Quase isso, só falta algumas pessoas pensarem assim.


MARTA - Ihh, já começou com as indiretas quer levar outra surra como ontem?


LUCIANA - Vamos parar de briga, trouxe um presente para você minha linda


AMANDA - O que é?


LUCIANA - Acalme-se querida


Luciana entra no quarto, volta, entrega o pacote para Amanda.


Rapidamente Amanda se desfaz do pacote e fica encantada com a caixinha de música e com a pequena bailarina que veio junto, ela abre a caixinha e coloca a dançarina, fica alegre quando ao ver a bailarina rodopiando ao som da música que saía da pequena caixa.


AMANDA - É lindo tia, obrigado


LUCIANA - Sabia que iria gostar


MARTA - Gente Rica é outra coisa, podia se lembrar mais de sua irmã aqui.


LUCIANA - Para de resmungar Marta, também trouxe presente para você.


MARTA - Até que fim uma boa ação


Luciana pega dois pacotes


LUCIANA - Está aqui seus presentes Marta


MARTA - Espero que seja algo chique


LUCIANA - Tenho certeza que você vai gostar


Marta abre o primeiro pacote e encontra um lindo vestido azul de gala


MARTA - É né dá para o gasto


LUCIANA - Você nem sai de casa irmã, é odiada por todos aqui.


MARTA - Ta sabendo mais de nós, que nós que moramos aqui


AMANDA - São apenas verdades.


MARTA - Cala boca, imprestável!


LUCIANA - Abra logo a caixa, tenho certeza que gostará mais desse.


MARTA - Se você está dizendo, ne!


Marta solta o laço da caixa


MARTA - Não sei para que esse laço e essa frescura toda de embalagem


LUCIANA - Eta Irmã sempre resmungando


Ela continua a tirar o laço até que consegue abrir a pequena caixa e dentro encontra um colar de pérolas revertidas de ouro.


MARTA - Que maravilhoso (fala retirando da caixa) deve ter custado uma fortuna.


LUCIANA - Nada demais, uma merreca dessa não me fará falta.


AMANDA - E você vai dormir aqui tia?


LUCIANA - Claro que não, vou ficar em um hotel aqui no Leblon.


AMANDA - Posso ir dormir com você?


LUCIANA - Claro que sim...


MARTA – (interrompendo) Claro que não, basta o que aprontou na última noite, hoje você vai dormir aqui nem que eu tenha que montar guarda na frente de seu quarto.


LUCIANA - Larga de ser chata Marta deixa a menina ir.


MARTA - Eu já disse que não e ponto final.


AMANDA - Deixa tia um dia ela vai ser arrepender.


MARTA - Isso é uma ameaça?


***


Hotel, Gávea, Rio de Janeiro


VANDA - Eu só quero entender o porquê de você ter ido atrás da Cristiana.


TONY - Tinha esperança de que ela pudesse convencer o pai dela a desistir desses planos.


VANDA - Agora devem estar te odiando mais ainda, foi um erro você ter feito isso sem antes me comunicar, seu Burro!


Tony vai até onde Vanda e a puxa pelo Braço


TONY - Meça suas palavras quando falar comigo, tá entendendo sua vagabunda.


VANDA - Larga de ser idiota, como vou entrar naquela casa agora, com você lá iria ser bem mais fácil.


TONY - Nem iria dar porque aquela cretina da Helena entrou com um processo contra mim e agora terei que ficar 100 metros dela e da casa.


VANDA - E como vamos fazer então, sabidão?


TONY - Simplesmente você vai aparecer lá como uma pobre coitada vinda do interior.


VANDA - Tu achas que eles vão cair nesse papo.


TONY - Do jeito que aquela Cristiana é toda besta para esses assuntos com certeza vão te aceitar.


VANDA - E quando vai ser?


TONY - Maria Tereza vai entrar em cena hoje, já consegui seus documentos falsos.


***


Favela do Vidigal, Rio de Janeiro


AMANDA - Não é uma ameaça é só um conselho.


MARTA - Tão engraçadinha, ficará mais engraçada quando apanhar.


LUCIANA - Parem vocês duas nem parecem mãe e filha.


AMANDA - Ela que começou tia.


LUCIANA - Mas você também provoca Amanda.


MARTA - Ta vendo como você também tem culpa?


AMANDA - Mas tia por que você voltou pro Brasil?


LUCIANA - Eu vim recuperar o que é meu o meu...


MARTA - (cortando, olhando sua irmã) Negócio que tinha aqui.


LUCIANA - Isso mesmo uma empresa que tinha aqui que faliu.


AMANDA - E como eu nunca soube dessa empresa?


LUCIANA - Você ainda era muito pequena claro que não iria lembra.


AMANDA - Mas se faliu qual o interesse nela agora?


MARTA - Vamos parar com esse interrogatório, vá jantar, vá filha


AMANDA - Tudo bem, mas isso ta estranho!


MARTA - Tudo sempre tá estranho para você


AMANDA - Onde está o pai?


MARTA - Ele saiu, disse que iria la no Bar do Zé.


AMANDA - Ele já está bebendo de novo? Olha o que o médico disse!


MARTA - Posso fazer o que? Ele já é maior de idade e já sabe se cuidar.


AMANDA - Mas você hem, nem isso pode fazer.


Amanda sai de casa em direção ao Bar do Zé


***


Leblon, Rio de Janeiro


JOYCE – (no telefone) Onde você esteve à tarde toda.


CRISTIANA - Ahh, amiga advinha? ... enfim vou dizer logo estava com o Rafael em um local só nosso, nos beijamos e ficamos a tarde toda trocando carinho.


JOYCE - Nem para me avisar, fiquei preocupada.


CRISTIANA - Não deu, deixei o celular dentro da bolsa lá na sala e nem vi o tempo passar. (solta um sorrisinho)


JOYCE - Eta que com esse sorrisinho foi bom, já é algo sério?


CRISTIANA - Ainda não, só estamos começando, você é muito apressada.


JOYCE - Ta perdendo tempo, vocês foram feitos um para o outro amiga.


CRISTIANA - Vamos deixar rolar para ver o que vai dar.


Nesse momento começa a chover torrencialmente do lado de fora


JOYCE - Chuva do nada?


CRISTIANA - É o clima tropical do Brasil, Joy


JOYCE - Que loucura e parece que vai durar a noite toda, voltando ao assunto onde fica esse lugar de você?


CRISTIANA - Não sei se posso contar porque ele me pediu segredo.


JOYCE - Vai fazer segredo com sua melhor amiga?


CRISTIANA - Ohh Joy entenda!


JOYCE - Tudo bem!


CRISTIANA - Ahh tu nem sabe o que aconteceu depois que sai da escola, advinha quem estava lá para me buscar?


JOYCE - O Tony


CRISTIANA - Justamente


JOYCE - O que ele queria?


CRISTIANA - Disse que conversar, mas o pior foi o que aconteceu depois, ele me seguiu até em casa, até o quarto da minha mãe e quase ela dá um tiro nele, sorte que meu pai foi ágil e conseguiu segurar a mão dela pra cima antes que ela atirasse.


JOYCE - Tiro?!


CRISTIANA - Sim, minha mãe ta muito atordoada ainda bem que a justiça deu condição favorável a ela no processo e agora o Tony vai ter que ficar 100 metros longe de nós.


JOYCE - Pelo menos isso, mas tome cuidado com ele.


CRISTIANA - Vou ter


A campainha Toca e Silveira vai atender


SILVEIRA - Pois não


MARIA TEREZA - Olá, eu me chamo Maria Tereza, estou vindo de Imperatriz no Maranhão para trabalhar aqui no Rio, só que começou a chover e estou com todas essas malas queria saber se poderia ficar um pouco aqui.


SILVEIRA - Infelizmente aqui não é refúgio para desabrigados.


CRISTIANA – (indo até a porta) Silveira não fale assim com a pobre da moça, pode entrar sim, não seja tão insensível.


SILVEIRA - Vou avisar a sua mãe que está moça está aqui.


CRISTIANA - Vejo que não é necessário incomodar minha mãe com isso.


MARIA TEREZA - Se eu estiver incomodando eu posso ir embora.


CRISTIANA - Claro que não está, pode entrar, deve estar cansada da viagem e com fome.


MARIA TEREZA - Não é querendo incomodar mas estou com fome sim.


CRISTIANA - Silveira vá até a cozinha e prepare um lanche para a senhorita aqui.


SILVEIRA - Ainda acho que deva avisar sua mãe!


CRISTIANA - Deixa que com minha mãe eu me entendo, agora vá preparar o lanche.


SILVEIRA - Com sua licença!


Cristiana e Tereza sentam no sofá da sala


CRISTIANA - E então Tereza, de onde você veio e por que veio para o Rio?


MARIA TEREZA - Eu sou de Imperatriz no Maranhão, vim para cá pra tentar a vida como vários nordestinos vem.


CRISTIANA - E você tem algum parente aqui?


MARIA TEREZA - Não, eu sei que foi irresponsabilidade minha vir para cá e não ter um plano de vida.


CRISTIANA - Claro que foi, já viu você tivesse ido em uma casa que não fosse tão legal como eu?


MARIA TEREZA- Não quero nem imaginar isso, dou Graças à Deus ter vindo parar aqui.


CRISTIANA - A situação está complicada mesmo para você, mas vou tentar ajudar essa noite você pode dormir aqui e irei conversar com minha mãe na possibilidade de você trabalhar aqui.


MARIA TEREZA - Ficaria muito grata!


CRISTIANA - Espere um pouco enquanto falarei com Silveira para arrumar o quarto de hospedes para você.


***


Favela do Vidigal, Rio de Janeiro


Amanda entra no bar do Zé


AMANDA - Você não cria jeito né pai quer ser internado de novo?


ANTÔNIO - E quem disse que estava bebendo? Só vim ver os meus amigos.


AMANDA - Eu não nasci ontem, você sabe muito bem que não pode mais beber.


ANTÔNIO - Já te disse que não tava bebendo.


AMANDA – Vamos, já está tarde!


ANTÔNIO - Se eu for você para de escândalo?


AMANDA - Vamos logo.


No caminho Amanda vai dando broncas no pai.


AMANDA - O senhor não tem salvação mesmo, estou decepcionado com você pai.


ANTÔNIO - Eu já lhe disse e vou dizer pela última vez eu não estava bebendo, só fui ver meus amigos.


AMANDA - Até uma hora dessas?


ANTÔNIO - Estava conversando, depois jogamos um pouco de bilhar nem vi a hora passar... Mas pera ai eu que sou seu pai ou você que minha mãe?


AMANDA - Eu só estou preocupada com você.


Na casa de Amanda, Marta e Luciana conversam.


MARTA - Desiste logo dessa sua ideia de recuperar esse filho.


LUCIANA - Marta não sei por que você quer que eu desista, está me escondendo algo?


MARTA - É mais sério do que você pensa, por isso quero deixar do jeito que está.


LUCIANA - Então fale para que possamos resolver juntas.


MARTA - É complicado


LUCIANA - Então fale logo!


MARTA - O negócio é que esse seu filho que você abandonou agora é o Gabriel, namorado da minha filha.


Nesse exato momento Amanda entra e escuta as palavras de sua mãe.


AMANDA - Como é que é?


DEPOIMENTO REAL


Nelson Furtado, tesoureiro, cunhado da professora Núbia Conte Haick, de 42 anos, assassinada no ano passado pelo ex-marido 


"O sofrimento da minha cunhada começou um dia depois do casamento. Ela apanhou do marido ainda na lua-de-mel. Mas, por medo e vergonha, ela dizia que havia caído ou se batido. A família demorou a saber o que se passava, mas ela fez várias denúncias à polícia. Dezenas de boletins de ocorrência e laudos do Instituto Médico Legal que comprovaram as agressões que ela sofria não foram suficientes para colocar o Ismael (Haick, ex-marido de Núbia) na cadeia. Fui uma testemunha do terror que esse homem impôs a toda família. Um dia, já depois da meia-noite, recebi um telefonema da babá dos meus sobrinhos dizendo que Núbia não havia chegado em casa. Na hora eu pensei: meu Deus, perdemos a Núbia. Na manhã seguinte fomos à delegacia e soubemos que um corpo de mulher havia sido encontrado num matagal. Quando reconheci o corpo no IML, fui tomado pela revolta. Todas as denúncias que a Núbia apresentou à polícia não serviram de nada para evitar que ela fosse morta."