
(Na Manhã Seguinte, na Casa de Dora…)
“Dora e Ricky conversam na Sala de Estar.”
DORA : Agora que todo mundo já sabe sobre a minha doença, a minha vida toda vai virar um escândalo!
“Charlote entra na Sala.”
CHARLOTE : Está cheio de repórteres e paparazzo lá do lado de fora.
DORA : Ai, meu Deus!
RICKY : É a nova febre popular, Dora. Vamos, contamine-se!
DORA : Foi a mesma coisa que você disse da febre aftosa. E não teve a menor graça!
CHARLOTE : Só de falar em todas essas doenças, me dá “inté” calafrio!
DORA : Eu preciso sair de casa, mas eu não posso ser vista por nenhum desses enxeridos!
“Dora começa a pensar.”
DORA : Já sei! Charlote, vá até o meu closet e pegue algumas roupas. Nós vamos tapear aqueles urubus como moscas no mel!
(Minutos Depois…)
“Charlote desce do Quarto de Dora carregando algumas peças de roupa.”
DORA : Bem, a minha ideia é o seguinte! Vamos vestir o Ricky de Dora Farrell, e o mandamos para a multidão enfurecida lá fora. Enquanto Isso, eu fujo pela porta dos fundos!
RICKY : Ah não! Mas nem pela minha mãe mortinha!
“Mas no final Ricky acaba sendo obrigado a vestir as roupas de Dora, além de uma peruca nada confortável.”
DORA : Não, ainda não tá bom. Eu vou trazer o meu kit de maquiagem!
RICKY : Pô, isso é sacanagem!
“Dora trás seu kit de maquiagem.”
DORA : Vamos passar uma massa corrida nesse seu rosto!
RICKY : É o fim!
“Dora maquia o rosto de Ricky.”
(Enquanto Isso, na Casa de Ginástica…)
“Nos últimos dias, Ginástica não conseguia parar de pensar nas palavras de Charlote, que a cada minuto lhe ocorriam pela mente num eco. Mas por que não quer que eu a chame pelo seu nome? Acho tão bonito! Ginástica…Ginástica…Ginástica.”
(Voltando a Casa de Dora…)
DORA : Ficou perfeito! Nem sua mãe o reconheceria.
RICKY : Pra falar a verdade, nem eu mesmo me reconheceria!
CHARLOTE : Desculpa falar mas, não tá muito parecido com você não tia!
DORA : É mesmo! Faz o seguinte…
“Dora pega o seu leque em cima do sofá e o entrega a Ricky.”
DORA : Bota na frente do rosto quando for para o jardim, e…ainda falta alguma coisa! Deixe-me pensar…é claro, como não pensei nisso antes!
“Dora vai até a cozinha e volta trazendo um rolo de papel toalha. Amassa duas bolas bastante volumosas e as coloca dentro do sutiã de Ricky.”
DORA : Agora sim, se parece comigo! Não está perfeito, mas vai dar pra enganar os bisbilhoteiros! Agora my Darling, vai lá e arrasa!
RICKY : (nervoso) Não! Prefiro Morrer!
DORA : Bem, já eu não faço tanta questão. Apesar de já ter me conformado! Mas, fazer o que? É a vida!
RICKY : (suspira) Tá bom!
“Ricky vai até o jardim, onde é atingido por milhares de lampejos de luz seguidos por microfones e gravadores que lhe cercam por todos os cantos. Seu rosto oculto pelo leque de seda, deixando apenas os olhos transparecerem, fica dominado pelo pavor.”
REPÓRTER : Dora Farrell, são verdadeiros os rumores de que você estaria sofrendo de leucemia?
“Enquanto Isso, Dora pede a Charlote que vá conferir se ainda há algum repórter nos fundos da casa.”
DORA : E então?
CHARLOTE : Não tem ninguém! Foram todos para o jardim.
DORA : Beleza!
“Dora põe seus óculos escuros, sai pelos fundos da casa dando a volta pelo condomínio até o estacionamento. Pega seu carro, e ao passar pelos portões do condomínio é abordada por Pasquale.”
PASQUALE : Ei, pra onde você vai?
DORA : Agora não, Pasquale!
“Dora segue em frente.”
PASQUALE : Ei, ei, e a minha esmola?
(Minutos Depois, no Consultório do Doutor Rodrigo…)
“Dora entra no Consultório, completamente enfurecida partindo pra cima de Rodrigo.”
DORA : Por que você espalhou a notícia do meu câncer pra imprensa, em seu merda?!
- RODRIGO : Por favor Dora, acalme-se! Não fui eu!!
DORA : Ah é, então quem foi?! Que eu saiba não contei pra mais ninguém nesse hospital além de você. Ou por acaso eu me consultei com um irmão gêmeo seu, ou talvez com um sósia do mal exterminador de famosos?
- RODRIGO : Olha, você tá surtando! E se te ajuda saber, o resultado dos exames já chegou. E você está mais saudável que um touro!
(No Jardim da Casa de Dora…)
“Milhares de repórteres dirigem perguntas a Ricky, imaginando estarem diante de Dora.”
RICKY : (imitando Dora) Por favor, respeitem minha privacidade!
REPÓRTER : Dora, Dora, mas você não pode nos dispor um minutinho apenas?
RICKY : (imitando Dora) Nem dois, querido!
OUTRO REPÓRTER : Mas, mas Dora…
RICKY : (imitando Dora) Viva a liberdade de expressão!!!
REPÓRTER : Apenas uma palavrinha!
RICKY : (imitando Dora) Te dou dez, queridinho. Grava aí! EU-TENHO-O-DIREITO-DE-ME-MANTER-EM-SILÊNCIO-FALÔ?
“Ricky corre pra dentro de casa, batendo a porta na cara dos repórteres.”
RICKY : (ofegante) Misericórdia!
“Ricky desmaia. Charlote entra na Sala levando um grande susto ao ver o mordomo estatelado no chão.”
CHARLOTE : Agora eu tenho certeza. É o mal da gota!
(Enquanto Isso…)
“Dora sai do Hospital completamente atônita ao saber que na verdade não estava doente. Alguém vazou as informações de suas suspeitas de leucemia para toda a mídia. E agora o assédio dos fotógrafos e repórteres tornara-se incontrolável. Teria que desmentir tudo. Mas não agora! Depois de tanto tempo reclusa, esquecida e magistralmente empoeirada não estava mais acostumada a toda essa badalação, sentia até uma certa alergia disso. Seus olhos já não estavam mais habituados aos flashes das máquinas fotográficas Nikon, figura carimbada dos paparazzi. Iria desmentir tudo pela internet, como se tudo não houvesse passado de um boato. Desatenta, acaba não percebendo que, milhares de repórteres corriam em sua direção, e quando finalmente se dá conta já estava a poucos metros de todos aqueles ratos, como costumava chamá-los. Corre em disparada para qualquer lugar a salvo dos roedores de crachá, óculos e microfone, quando de repente avista dentro de um automóvel que para logo a sua frente, um rosto conhecido.”
DORA : Bicha?! O que você tá fazendo aqui?
BETO : Entra logo no carro, louca, rápido!
“Dora entra no carro de Beto num salto, conseguindo escapar a tempo dos fotógrafos e repórteres”
DORA : Você caiu do céu, Beto!
BETO : De galã da TV, à biba de asas! Sorte sua que eu estava me consultando nesse mesmo Hospital!
DORA : Já soube da barra pela qual estou passando?
BETO : Se é que se pode chamar isso de barra! Eu chamaria de sentença de morte!
“Dora faz uma careta.”
DORA : Bem, acontece que eu não vou morrer!
BETO : Não?! Abafa!!!
DORA : Tudo não passou de um horrível mal entendido!
BETO : Tudo bem, então. Quer que eu te dê uma carona até sua casa madame?
DORA : Não. Preciso que você me leve a um outro lugar!
“Dora pede a Beto para leva-la até o Salão de Cabeleireiros de Geny. Foi depois de ela ter saído do Consultório do Dr. Rodrigo que enfim lembrou-se de um detalhe que a seu ver havia passado despercebido. No dia em que encontrara a falha capilar no meio de sua cabeça de vento, havia acabado de sair do cabeleireiro. É claro! Como fora burra!! Geny até estava meio inquieta naquele dia, por sinal até demais. Por que não desconfiara disso antes? Ela arrasara seu cabelo de propósito. Tudo por inveja de sua beleza única, e de seus cabelos sedosos. Ao pararem em frente ao salão avistaram uma placa: fechado para almoço.”
BETO : Quer esperar?
DORA : Não! Eu sei onde ela mora. Segue em frente!
“Dora dá as coordenadas a Beto até a Casa de Geny. Ao chegarem, ela rapidamente desce do carro e corre em direção à porta. Não hesita em bater quando percebe que a mesma está aberta. Entra como um gatuno, vasculhando por toda a casa a procura de Geny como um cão farejando atrás de seu osso enterrado. Não notando a presença de ninguém, passa esgueirado pelos cantos em direção à saída, quando de repente ouve uns gemidos vindos do banheiro e sem vacilar corre até lá já abrindo a porta de imediato. Lá, pega Geny e Humberto nus e leva um baque. Os três gritam em uníssono.”

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