Mansão Mastur – Noite – Sala.


Max: Pois fique sabendo que se não fosse meu pai, sua mãe não tinha nem onde cair morta.


Kelly: Pelo menos não tem mais ninguém pra dividir a herança.


[Bella desce as escadas devagarinho]


Bella: É ainda que você se engana, querida. Estou mais viva do que nunca e pelo visto… Seu banheirinho não funcionou muita coisa.


[Kelly se assusta]


Kelly: Bella? Mas… Como?


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Bella: Ficou surpresa, maninha?


Kelly: Bella? Não pode ser verdade!


Bella: Nem todo mundo é burro como você, e pelo visto, ainda trouxe companhia.


Kelly: Não vieram comigo…


Max: Tem razão, nós somos os verdadeiros donos dessa espelunca aqui. Circulando pessoal, circulando!


Felipe: É isso mesmo, portanto a porta da rua é a serventia da casa. Sintam-se a vontade para ir embora… Desde que não demorem.


Kelly: Meu filho, se você estiver achando que vou embora sem falar com um delegado ou advogado pode ir tirando o cavalinho da chuva por que o buraco é mais embaixo.


Max: Então cadê esse bendito fruto que ainda não apareceu?


Divina: O doutor Atos já deve estar pra chegar, disse que não demoraria.


Max: Valha-me Maria da Penca!


Kelly: E não vai oferecer nada não? Ô servicinho que tá precisando mudar, hein?!


Fátima: Nos desculpe é que já estávamos de saída quando o doutor…


[Bella interrompe]


Bella: Não tem que desculpar nada não. Esse povo tá exigindo demais, quando os pais eram vivos ninguém aqui veio vê-los e agora ficam exigindo o necessário e desnecessário.


[O delegado chega]


Atos: Desculpem a demora, trânsito estava horrível.


Kelly: Numa furrunbica de cidade dessa você vem me dizer de transito horrível? Querido, aqui dá pra andar pelada se quiser.


Atos: Sinta-se a vontade, a rua é pública e o corpo é seu. [Ela se intimida]


Max: Podia ter dormido sem essa.


Atos: Bom, é claro que não vieram aqui a passeio e muito menos para velar os pais de vocês, mas já vou avisando, não será nada fácil mamar nas tetas dos pais de vocês não.


Felipe: Mamar nas tetas?


Atos: Sugar o dinheiro.


Bela: Ei, calma aí! Nem todos aqui pensam assim.


Atos: Ah, não? E você saiu de Portugal pra vir aqui conhecer sua mãe depois de morta?


[Ela se cala]


Max: Ao invés de ficar nos esculachando, você poderia ir direto ao assunto.


Atos: O pai de vocês deixou um testamento.


Bella/Kelly/Max/Felipe: Deixou?


Atos: Sim. Os dois se reuniram e deixaram uma carta, escrita, onde falam sobre a herança e o herdeiro.


Kelly: Fala logo pra quem ele deixou?


Atos: Ainda não. Amanhã de manhã eu trarei o advogado dos pais de vocês e estarão cientes do testamento.


Kelly: Você só pode estar de sacanagem. Cara, tem noção de quantas horas eu viajei?


Atos: E eu com isso? Você não veio ate aqui só pra me ver, tem um motivo, e terá de aguardar para descobrir. E sinceramente? Dos quatro, você é a que tem menos chance de ser a herdeira.


Kelly: Ah! Não acredito que disse isso. Se toca meu filho!


Atos: Não sou touch screen pra ficar me tocando, e além do mais, eu sou o delegado dessa cidade… Não está afim de visitar a cadeia não?


Kelly: Patético! Ô gordinha, me ajuda aqui com as malas.


[Divina a ajuda a levar as malas para o quarto]


Max: Ô tiazinha, pode nos ajudar com as malas?


Fátima: Fátima, por favor.


Max: Fátima, por gentileza, pode nos ajudar?


Fátima: Melhorou…


[Ela sobre para os quartos com Max e Felipe]


[Bella conversa sozinha]


Bella: Bando de desocupados, vamos ver quem vai por as mãos nessa grana gorda agora.


Mansão Mastur – Noite – Cozinha.


[As empregadas e Max, Felipe, Bella e Kelly estão na cozinha]


Divina: Eu sei que já está muito tarde, mas como vocês não comeram nada eu fiz uma jantinha pra vocês.


Felipe: Eu estou varado de fome.


Divina: Eu fiz um estrogonofe de frango, ou como diria meu filho: um “estraga nóis de frango”.


[Ela ri sozinha e alto]


Divina: Não teve graça, né?


Kelly: Não, nenhuma.


Fátima: Mas então, vocês trabalham de que?


Max: Eu sou professor de dança, mas só fiz um cursinho básico pra aprender.


Kelly: Eu não trabalho, nasci pra ser estrela querida, uma socialite bem poderosa.


Felipe: Eu sou designer gráfico, mas faz tempo que estou desempregado.


Bella: Sou veterinária, mas não consegui arrumar emprego, as coisas no exterior não são fáceis como por aqui.


Fátima: Entendo.


[Divina coloca a comida nos pratos e distribui]


Felipe: Mas e então, o que nossos pais têm?


Divina: O doutor Virgulino e a dona Oneide são donos da boate mais visitada da cidade e que agora está fechada e além dessa mansão eles possuem algumas casas alugadas, carros e uma fazenda.


Kelly: Vou fazer uma proposta, eu fico com a mansão e o dinheiro, dou os carros pra bicha enrustida, a fazendo pro gostosão aí e as casas pra Bella. É pegar ou largar.


Bella: Se enxerga Kelly, isso aqui não é o jardim de infância que você fazia a cabeça das crianças não.


Max: Bicha enrustida é sua mãe, palhaça.


Felipe: Vamos evitar brigar. Pensem pelo lado positivo, isso tudo podia ser pior.


Kelly: Pior? Como?


Felipe: Poderíamos ter que dividir com mais uma pessoa.


[Alguém entra na mansão e entra na sala]


– Queridos, cheguei.


Felipe: Gente, eu conheço essa voz.


Max: Mamãe?


Felipe: Não pode ser.


[Os dois correm para a sala. É Eva, mãe de Max e Felipe]


Felipe: Mãe? O que a senhora está fazendo aqui?


[Max a abraça]


Eva: Vim correndo assim que soube da morte do coroa. Mas e você? Veio pegar sua parte da herança?


Max: Antes fosse, temos que dividir com mais duas.


Eva: Duas não, três!


Max: Três?


Eva: Muito prazer, meu nome é Eva Gina e eu sou a nova concorrente pra assumir a herança dos Mastur.


Felipe: Tá de brincadeira?


[Kelly e Bella chegam]


Eva: E eu sou mulher de brincar? [Ela avista Kelly e Bella] Oi, queridinhas! Vocês devem ser as empregadas, certo? Podem levar as minhas malas para o quarto.


Kelly: Empregadas? Eu não acredito. Se toca coroa, olha pra minha cara de glamour e me diga se eu tenho cara de empregada.


Eva: A sua cara eu estou vendo, o glamour é que ta meio apagado.


Bella: Nós somos Bella e Kelly, filhas de Oneide Mastur.


Eva: Ah, sim. Foi justamente pra sua mãezinha que eu perdi o lerdo do Virgulino.


[Ela ri alto]


Kelly: Está de passagem? Por que me parece que eu ouvi o táxi buzinando.


Eva: Não queridinha, eu vim pra ficar. Infelizmente, mais uma pra dividir a herança com vocês.


Bella: Você era filha do Virgulino?


Eva: Ex-esposa. Ou melhor, ex-gostosa do Virgulino, por que ele me amava e juntos íamos ao delírio.


Kelly: É o que veremos amanhã de manhã quando o testamento for lido.


Eva: Excelente! Se seu nome não estiver no testamento, não se preocupe, eu te dou um emprego de doméstica, pode ser?


[Ela ri alto novamente]


Felipe: Mas mãe, a senhora não tinha conhecido um homem riquíssimo?


Eva: O Jacinto Pinto? Fomos pro Havai, tivemos duas ou três noites de amor e o cachorro me abandonou numa cidadezinha três vezes menor que essa daqui. Eu estava sem dinheiro e morta de fome. Tive que pegar picolés de chuchu pra vender e conseguir comprar um cartão de orelhão pra ligar pra sua tia na Grécia.


[Kelly ri alto]


Kelly: E depois ainda quer ser rica.


Eva: Queridinha, você ainda vai me ver no programa do Faustão cantando os hits mais badalados do verão. “Eva Gina, a princesinha do tecno brega”.


Kelly: Princesinha? Do que? Das celulites e estrias?


Eva: Espere, e verá.


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