Mansão Mastur – Noite – Velório.


Virgílio: Eu vim apenas prestar os meus pêsames a uma pessoa muito querida.


Divina: Querida? Querida? Confessa logo Virgílio. Foi ou não foi você quem matou doutor Virgulino e dona Oneide? Fala!


[Todos ficam tensos]


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Virgílio: Olha, acredite-se quiser. Eu não tenho motivos para matar o Virgulino, nunca tive. Foi uma campanha justa, mais de quinhentos votos de diferença. O povo o queria mesmo na prefeitura.


Divina: Se você diz… Ao menos agora o Seu Eurípedes vai assumir a prefeitura.


[Eurípedes fica tenso]


Eurípedes: Não Divina, não vou.


Divina/Fátima: O quê?!


Virgílio: É isso mesmo! É bom que estejam todos escutando isso, pois o Eurípedes desistiu de tomar a posse no lugar do prefeito, portanto eu fiquei em segundo lugar e serei o novo prefeito de Baixa das Éguas.


[Todos ficam perplexos]


Fátima: Eurípedes? O senhor deixou?


Eurípedes: Me desculpem, eu não tive outra escolha.


Virgílio: O recado está dado, agora se não se importam, eu preciso ir. Passar bem.


[Ele sai, todos ficam com semblantes de preocupação.]


 


Senhora da Hora, Portugal.


Aeroporto – Manhã.


[Bella e Kelly chegam ao aeroporto, ambas muito produzidas.]


Bella: Mal lhe pergunte Kelly, mas onde conseguiu dinheiro pra comprar tanta roupa?


Kelly: Economias querida, economias. Por que eu sempre tive glamour, dinheiro é que estava em falta, mas agora… Ah, agora tudo vai mudar minha querida.


Bella: O tal delegado mandou o passaporte?


Kelly: Tudo organizadíssimo!


Bella: Dá tempo de eu ir ao banheiro?


Kelly: Se for correndo, dá sim.


Bella: Ótimo.


[Ela sai. Felipe e Max vão se aproximando, Kelly tira o óculos de sol pra ver melhor. Felipe e Max sentam ao lado dela.]


Kelly: Meu Deus, de repente me bateu um calor.


Felipe: Tudo bem?


Kelly: Ô se está, hein? Tudo perfeito…


Felipe: Que bom…


Kelly: Eu preciso ir ao banheiro, você pode olhar minhas malas por um segundo?


Felipe: Claro que sim.


Kelly: Ótimo, eu vou levar essa.


[Ela pega a mala de Bella e segue em direção ao banheiro.]


E o amor resistiu ao tempo.
A paixão move os meus dias!
Não escolhi música.  A música me escolheu!


[Kelly caminha no aeroporto e encontra o responsável pela limpeza.]


Kelly: Com licença, o senhor poderia me emprestar a chave do banheiro? É que sem querer a minha amiga se prendeu lá dentro.


Élio: Eu vou lá com você.


Kelly: Não, não precisa. Vai entrar no banheiro feminino? Me dá só as chaves, eu trago num instante.


Élio: Mas não deixe ninguém saber que eu te entreguei.


[Ele pega as chaves e entra a ela]


Kelly: Volto num instante.


[Ela vai caminhando em direção ao banheiro.]


Kelly: Bellinha querida, ainda não vai ser dessa vez que o Brasil vai te ver.


[Ela ri sozinha]


 


Casa de Divina – Manhã – Sala.


[Divina destranca a porta entra em casa, ela acende e a luz e se assusta ao ver seus filhos: Marcão – 18 anos – e Geleia – 14 anos – mostrando a geladeira nova.]


Divina: Aaaaah! Eu não acredito!


Marcão: Feliz dia das mães atrasado, mãezona!


[Os três se abraçam]


Geleia: Sabemos que já faz quase um mês que passou o dia das mães, mas só agora conseguimos te dar um presente.


[Marcão dá um tapa na cabeça de Geleia]


Marcão: Precisa lembrar que faz tanto tempo?


Divina: Não precisava de presente, mas é linda, tem até porta do congelador separada. Sonho de consumo!


[Geleia abre a porta da geladeira]


Geleia: E olha só, compramos as caixas do seu mingau preferido.


Divina: Não acredito, vocês são os melhores filhos do mundo.


[Os três se abraçam novamente]


Divina: Só vocês mesmo pra me alegrarem num dia desses, passei a noite inteirinha na casa do finado Virgulino… Não sei o que será do meu emprego.


 


Carro – Manhã.


[Dentro de uma garagem escura, duas pessoas conversam dentro do carro.]


– Suicídio? Enlouqueceu? Depois de matar e destruir a família Mastur você vem me falar de suicídio?


– Você diz isso por que não foi você quem matou, não sabe o quanto é ruim ter a consciência pesada.


– Mas se suicidar não é a saída.


– Então eu vou me entregar para a policia.


– De jeito nenhum! A ideia foi sua e agora aguente as consequências.


 


Sanitário Feminino do Aeroporto  – Manhã.


[Kelly entra no banheiro, duas mulheres sai. Ela vai andando e todos estão vazios, até que ela chega a um com a porta fechada, ela se abaixa vagarosamente e percebe que são os sapatos de Bella. Ela tranca a porta. Bella percebe que alguém a trancou.]


Bella: Quem está aí? Kelly, é você?


[Kelly liga todos os chuveiros para abafar os gritos de Bella. Ela pega um papel-toalha da pia, retira uma caneta da bolsa e escreve “Interditado”. Ela deixa a mala de Bella no chão. Retoca a maquiagem olhando no espelho, sai, tranca a porta do banheiro e cola o papel-toalha com fita adesiva na porta.]


Kelly: Prontinho! Brasil, meu querido, aí vou eu.


[O chamado para os passageiros do avião é acionado.]


[Bella continua gritando, mas ninguém a ouve]


Bella: Socorro! Kelly, me ajuda! Socorro, por favor, me tirem daqui.


 


Aeroporto  – Manhã.


[Kelly chega onde Max e Felipe a esperam.]


Kelly: Demorei?


Felipe: Não muito, mas o avião já chegou.


Kelly: Muito obrigada, por ter vigiado minhas malas.


Felipe: Não tem que agradecer, foi apenas um favor.


Max: Felipe, dá pra andar logo?


Felipe: Vamos?


[Max e Felipe vão na frente. Kelly pega as chaves do banheiro e joga no lixo. Antes de entrar no avião ela coloca o óculos de sol e conversa sozinha]


Kelly: Nova vida, tudo novo, esse dinheiro que me aguarde. Bye, bye, Bellinha…


[Ela entra no avião]


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