Apartamento Bella e Kelly – Manhã– Sala.


[Ela desliga o telefone]


Serafim: E então, quem era?


Kelly: Pode passar mais tarde pra pegar a chave desse trapo que você chama de apartamento. Agora somos ricas meu velho, muito rica!


[Ela ri e Serafim fica sem entender]


 


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Baixa das Éguas, Brasil.


 


Boate Mastur Bar – Tarde.


[Sheila – gerente da boate – e algumas dançarinas conversam com Fátima e Divina – empregadas.]


Sheila: Gente, eu estou c-h-o-c-a-d-a! Até ontem o doutor Virgulino estava dando uma festa aqui na boate pra todos que o apoiaram na candidatura.


Divina: Você chocada? Se você que não viu nada está assim, imagina eu e a Fátima!


Fátima: As policias até barraram a entrada de qualquer pessoa na casa, até chegar alguém da família.


Sheila: Família, gente? Que família?


Divina: Vai dizer que não sabe que o Seu Virgulino e a dona Oneide têm filhos do outro casamento?


Sheila: Estão de brincadeira né?


Divina: E eu tenho cara de quem mente? Dizem que os guris são de Portugal… Esse circo vai pegar fogo, porque eu não me lembro de ter visto eles falarem em testamento.


Fátima: Nem eu.


 


Senhora da Hora, Portugal.


Apartamento Bella e Kelly – Noite – Sala.


[Bella chega da rua e encontra várias malas na sala, Kelly dobrando algumas roupas.]


Bella: Mas o que está acontecendo aqui?


Kelly: Isso se chama mudança! Quer que eu soletre?


Bella: Mudança? Pra onde? Debaixo da ponte?


Kelly: Não minha filha, pra um casarão com tudo que é mordomia.


[Bella apalpa as bochechas de Kelly]


Bella: Tem certeza que não está com febre?


Kelly: Querida, senta aqui.


[Bella senta no sofá]


Kelly: A sua mãezinha, morreu! [Ela ri, mas percebe que Bella está pasma] Que cara é essa? Somos as herdeiras de tudo que ela pegou daquele velho magricelo.


[Bella levanta assustada]


Bella: Minha mãe? Nossa mãe?


Kelly: Sua mãe, nossa mãe, mãe de quem quiser, quem vier, seja la como for! O importante é o dinheiro, sair dessa vidinha precária!


Bella: Ficou doida Kelly?


Kelly: Doida? Que doida o que, Bella… Pensa um pouco, poder afundar a cabeça no travesseiro sem ter que preocupar com contas, não ter que banhar junto com a irmã pra economizar água, não ter que ficar comendo bolacha água e sal em todo lanche, não ter que usar palha de aço na ponta da antena, não ter que dividir as mesmas roupas. Ter uma vida diferente!


[Bella fica pensativa]


Bella: Tudo bem, mas por você.


Kelly: É por isso que eu te amo!


[Elas se abraçam]


 


Centro Comunitário de Dança – Noite.


[Max dá aulas de dança para algumas pessoas.]


Max: Bom pessoal e por hoje é só, não se esqueçam de que a próxima aula será no sábado na casa da Diva. Combinado?


[Todos saem. Uma aluna se aproxima.]


Luana: Profe, será que tem como me descolar uns cinquentinha pra mim ir na night hoje?


Max: Ih querida, rodou a baiana… Tô mais duro que pau de tarado… Lisinho.


[Felipe chega]


Felipe: Não está mais.


Max: Felipe? O que está fazendo aqui?


Felipe: Tá preparado pra noticia que você sempre quis ouvir?


Max: Hã?!


Felipe: Estamos ricos Max, ricos! O coroa morreu e quem são os herdeiros? Nós!


[Max da um grito agudo]


Max: Me amarrota que eu tô passada.


Felipe: Então esqueça essas aulas mixurucas porque o Brasil nos espera.


 


Baixa das Éguas, Brasil.


 


Delegacia – Noite.


[O delegado chega a delegacia e encontra apenas um policial]


Ruan: Doutor Atos? O expediente do senhor já não acabou?


[Ele fica atônito]


Atos: Sim, sim. Eu esqueci uns papéis que eu tenho que entregar assinado amanhã de manhã sobre a morte do casal Mastur.


Ruan: Falando no casal de velhinhos, como anda o caso?


Atos: Parado Ruan, paradíssimo, nem sinal do autor do crime. Mas não vamos parar, ainda é cedo para bater o martelo. Inclusive agora mesmo está sendo realizado o culto fúnebre.


Ruan: E com quem? Se eles não tinham parentes….


Atos: Funcionários, da boate e da mansão.


Ruan: E quanto ao vice-prefeito do Virgulino?!


Atos: O Eurípedes? Aquele lá é outro… Está no velório, mas aposto que está escondendo algo.


 


Mansão Mastur – Noite – Velório.


[Há alguns funcionários – Divina, Fátima e Sheila – e o vice-prefeito – Eurípedes – ao redor do caixão. Divina chora falsamente.]


Divina: Aaaaah, meu Deus! E agora o que será de mim sem meu doutorzinho, meu patrão preferido. Aaaaah!


Fátima: Divina das Dores, por favor, menos, menos. Já tá soando falso demais.


[Alguém entra na sala, todos se viram para ver quem é. Virgílio – candidato oposto a Virgulino – entra na sala.]


Divina: Virgilio? O que você está fazendo aqui seu cretino?


Eurípedes: Por favor, acalme-se.


Divina: Acalmar o escambau! Aposto que foi esse magrelo infeliz que matou o doutor Virgulino.


Virgílio: Eu vim apenas prestar os meus pêsames a uma pessoa muito querida.


Divina: Querida? Querida? Confessa logo Virgílio. Foi ou não foi você quem matou doutor Virgulino e dona Oneide? Fala!


[Todos ficam tensos]


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