Ser Humano.

Capítulo 33.

Cena 01- Casa “ Abandonada”/ Dia.

Fausto, desesperado: Calma, meu amigo, nós somos de bem. Pode abaixar essa arma- O garoto acaba cedendo- Viemos aqui só mesmo pra alertar vocês. A Maísa ficou doente. Quem pode ser o próximo? Quando? Só depende de vocês.

Lilian: E se quiserem continuar nessa vida de cigarros, drogas e bebidas, a escolha é de vocês. As consequências vão vir. Cedo ou tarde. Nós achamos que…Seria bom que vocês parassem e refletissem.

O jovem da arma abre a porta: Vão embora daqui. VÃO EMBORA DAQUI!

Lilian coloca os óculos escuros: Vamos Fausto, já cumprimos nossa missão- Ambos saem.

Os jovens não ligam e continuam a fazer as coisas erradas.

Lilian porém abre novamente a porta: Eu esqueci de fazer uma coisa- Ela coloca um papelzinho numa estante- O endereço do hospital, pra se quiserem se consultar lá. Bom dia a todos- E sai.

Cena 02- Mansão de Úrsula/ Sala/ Dia.

Paula se solta: EU NÃO VOU DEIXAR VOCÊ ME AMEAÇAR. QUEM VAI ACABAR COM ALGUÉM AQUI SOU EU.

Elisafran, furiosa: Tenta a sorte garota, vai em frente. Eu te faço se arrepender de ter nascido, sua IDIOTA. Eu não tenho medo de você. Eu me livro de você antes que abra essa boca maldita. Eu não aconselho ninguém a ficar no meu caminho… Está avisada!

Paula: Vai fazer o quê? Vai me matar? Finalmente mostrando as garras, né Elisafran?- Provoca- VAI FRAN, MOSTRA A FORÇA QUE VOCÊ TEM!

Olive chega tentando amenizar o que está acontecendo.

Olive, furiosa: SE VOCÊ ENCOSTAR UM DEDO NA PAULA VOCÊ VAI SE VER COMIGO!

Elisafran, gargalha: Você vai fazer o quê contra mim? Você não me conhece e só presta para me servir. – Ela cospe no chão. – Aproveita e limpa. E LIMPA DIREITO!

No instante, o telefone da mansão toca e Paula corre pra atender.

Paula, feliz: Tio! – Ela olha pra Elisafran. – Que bom que você ligou. Tenho ótimas notícias.

Sid, ao telefone: Jura, minha sobrinha? Quero saber detalhes. Mas isso eu prefiro ficar sabendo pessoalmente.

Paula, radiante: Você está voltando, tio? – Elisafran se desespera, mas não demonstra. Sid confirma. – Ai que bom. Então eu te conto tudo pessoalmente. Você vai adorar saber!

Sid, rindo: Já estou ficando curioso. Eu chego amanhã. Meus negócios por aqui na Argentina foram resolvidos.

Paula: Ótimo, assim você tem tempo de resolver uns problemas aqui em solo Brasileiro.

Sid: Eu só preciso descansar, isso sim. Mas agora terei de desligar. Até amanhã, minha querida!

Paula: Tchau, titio- E desliga o telefone- Teus dias nas nossas vidas estão contados sua verme. Meu tio amanhã vai ficar sabendo de tudo. TUDO!

Elisafran, com tom ameaçador: Vamos ver qual dia está contado nesta casa. Se é o meu ou o seu.

Elisafran pega a bolsa e sai, sem rumo. Leblônio fica chocado com tudo que ouvira e, com medo, vai embora.

Cena 03- Hospital Botafogo/ Quarto de Maísa/ Dia.

Bernardo: Agora que minha mãe se foi, eu queria conversar com você. Te pedir perdão pela minha imaturidade. Eu sei que eu errei, tava apaixonado por outra e insisti em negar, eu fiz uma confusão tremenda, mas eu queria que me perdoasse. Eu gosto tanto de você Maísa, você é romântica, engraçada, bonita…Essa doença…Não vai conseguir te abalar. Se você quiser, eu posso te acompanhar nessa luta.

Maísa sorri: Obrigado Bernardo, eu também errei em não perceber que você tava em outra, eu insisti…

Bernardo: Você não errou em nada, Maísa. E tem outra coisa: Não pense que eu só vim lhe visitar por conta dessa doença, cujo nome prefiro não mencionar. Nós precisávamos ter uma conversa decente há muito tempo- Ele beija sua mão- Perdão, Maísa.

Lilian chega no corredor, está sozinha, ela para no bebedouro.

Bernardo sai do quarto. Lilian o vê de longe: O Bernardo por aqui?

Cena 04- Leblon/ Barzinho/ Dia.

Yara se senta em uma das mesas externas. Um pouco depois uma mulher com roupas curtíssimas chega.

Yara a observa: Custava vir mais discreta? O que vão pensar de mim se me verem conversando com uma prostituta

Marcelly Madureira não gosta: Qual foi? Vai ficar reparando na roupa? Tá com algum probrema?

Yara, prendendo o riso: Estou… mas não com você. – Ela dá uma pausa – Ok, não vou me importar com sua roupa. Sente-se.

Marcelly se senta: O que você quer? Dicas pra se prostituir? Eu cobro, hein.

Yara: Claro que não. Eu quero que você faça um serviço pra mim. Você é bonita, tem um belo corpo e chama atenção de qualquer homem. E por isso eu te escolhi ontem a noite dentre todas as outras.

Marcelly, direta: Quer eu dê um trato no seu marido?

Yara, não entendendo: Trat… trato? O que seria “trato”?

Marcelly: Quer que eu pegue seu marido. É isso? Quer eu faça ele gostar de mulher? ELE É GAY? – Sussurra.

Yara: O Téo? GAY? – Ela gargalha – Não, querida. Isso não! Mas eu quero que você pegue, dê um trato, sei lá suas gírias, no Téo. Mas eu quero que no final de tudo você me faça um favorzinho.

Marcelly: Favorzinho?

Yara, sorrindo: Isso. Ele vai usar camisinha, obviamente, e eu quero que você me traga essa camisinha. Ele vai jogar na lixeira. Você espera ele sair, pega essa camisinha e me entrega. Simples assim.

Marcelly, sorrindo: Agora eu entendi seu “prano” contra o tal Téo. Só que tem um problema. Eu sou prostituta de luxo, meus serviços são caríssimos. Vai querer?

Yara se levanta: E por que não? – Ela tira uma foto da bolsa e entrega para Marcelly. – Esse é o Téo. É com ele que você vai fazer isso tudo. Hoje, meio-dia, vai nesse endereço aqui- Ela anota em um papel- Pra conversarmos melhor. E se não for, eu contrato outra. Passar bem.

Yara sai e Marcelly fica analisando a foto de Téo: Até que é pegável…

Cena 05- Hospital Botafogo/ Corredor/ Dia.

Lilian se lembra do que Téo lhe disse sobre estar roubando o namorado da filha e resolve se esconder. Ela vai pra de trás de uma parede. Bernardo para no bebedouro e fica a poucos centímetros dela. O coração da médica dispara. Felizmente logo ele sai de vez, sem percebe-la.

Lilian, calma: Essa foi por pouco, muito pouco.

Cena 06- Casa de Vittória/ Dia.

A campainha toca e Vittória corre para atender.

Vittória se assusta ao ver quem é: Úrsula?! Você aqui?

Úrsula se encosta na porta: Não vai me convidar para entrar?

Vittória, se fazendo de simpática: Claro. Entre, por favor. Fique à vontade. Minha casa não é tão grande como a sua mansão, mas é agradável.

Úrsula se senta no sofá elegantemente: Não vai me servir nada? Um café ou cappuccino, sei lá! – Ela sorri e Vittória não gosta.

Pouco tempo depois…

Vittória: O café está bom? – Úrsula confirma. – Fiquei bastante surpresa com sua visita. Não esperava por isso.

Úrsula: Eu vim aqui quebrar o tabu de preconceituosa. Não é mesmo? As pessoas me veem com uma pessoa cheia de preconceitos. Mas eu não sou. Longe disso. Sou a favor dos direitos iguais para todos. – Vittória sorri, percebendo a falsidade da madame. – Tanto não tenho preconceito que criei uma ala dos aidéticos lá no hospital.

Vittória: Claro. Claro que sim. Aliás, eu estou indo para uma reunião lá.

Úrsula, falsa: Eu entendo toda sua preocupação. Eu estou muito triste pela descoberta da Maísa, a ex-quase-ex-futura namorada do meu filho. Eles tem um caso meio complicado, que não necessita ser esclarecido aqui. Eu gosto MUITO dela, e fiquei triste quando a própria descobriu estar com AIDS.

Vittória: Eu lamento muito. Conheço a Maísa e conheço a mãe dela, a Lilian, de nome. Ela ganhou o prêmio de medicina da academia italiana esse ano, não é mesmo?

Úrsula, desconfortável: Deve ter ganhado, mas então… Vá conversar com ela. A pobre está sofrendo bastante com a descoberta. Procura ela. Conversa com ela. É uma sogra desesperada que pede ajuda para a nora…

Vittória: Eu vou procurar ela sim. Fique tranquila. E tentarei ajuda-la

Úrsula pisca, satisfeita: Muito obrigada, Vittória- Ela se levanta- O café tava muito fraco querida, parecia água colorida. Prefiro o da sua empregada, quem sabe quando eu voltar aqui, esteja melhor- Ela se despede, abre a porta e sai.

Vittória: Espero que não volte tão cedo…

Cena 07- Apartamento dos Segata/ Dia.

Geórgia abre a porta e Loreta entra.

Loreta, elegante como sempre: Como vai, empregada com nome de estado dos EUA. Atlanta né? Não, é Arizona, né?

Geórgia sorri: Não, é Geórgia. Pode ficar a vontade, dona Loreta.

Irene aparece: Olha só quem resolveu se lembrar dos pobres- As duas se cumprimentam- Minha velha colega de quarto, o que te traz aqui?

Loreta se senta: Vim me despedir definitivamente de vocês aqui do Brasil, me mudarei pra Roma daqui a duas semanas, pra um chalé bem elegante numa região rural com o Francesco.

Irene, surpresa: Região rural? Mas você nunca foi mulher disso!

Loreta: Tive que aprender a aceitar os charmes do campo. Enfim, onde estão Lilian e Acácia? E Rubem? Quero me despedir de todos. Inclusive sou madrinha da Lilian, vou dar um presente pra ela, como não tive tempo de comprar, vai ser em dinheiro- Ela pega o cheque e assina.

Na cozinha…

Rubem tenta montar um cubo mágico: E então, a rica nojenta já foi, Arizona?- Zomba- Aquela Loreta frequentava a nossa casa quando era pobre, depois arrumou marido rico e esqueceu da gente. Não valorizo gente assim.

Geórgia: Ela ainda não foi, senhor Rubem- Ela pega a bandeja com café- Vá servir pra dona Irene e a dona Loreta, Raquel, a Loreta só toma puro.

Raquel pega a bandeja: Ah, tanto faz- E sai- Aqui estão os cafés das senhoras.

Loreta: Ah, obrigado, eu adoro os cafés que a Flórida faz. É esse o nome dela né?

Irene: Raquel vá chamar o Rubem e fale pra ele vir cumprimentar a Loreta.

Loreta se levanta: Não se preocupe, eu vou até aquele danado e aproveito pra conhecer a cas…- Ela esbarra em Raquel que derruba a bandeja em seu pé. A mulher deixa a bolsa com todos os pertences cair.

Irene se levanta: Loreta, tudo bem? Geórgia, traga gelo aqui, por favor! Raquel recolha tudo da bolsa da dona.- Ela senta a mulher.

Raquel começa a pegar tudo e enfiar na bolsa, furiosa, até que acha algo brilhoso: Um convite pra festa…E não tem nome- Ela repara que ninguém está olhando e enfia o convite no seu bolso- Pronto, dona Irene, tudo aqui.

Loreta, dolorida: Obrigada, querida. E desculpe por ter trombado em você. Mas cadê a Pensilvânia com o gelo? É Pensilvânia o nome dela, né?- Irene ri.

Cena 08- Hospital Botafogo/ Dia.

Téo encontra Lilian nos corredores do hospital.

Téo a segura: Lilian, será que a gente pode conversar?

Lilian se afasta: Já não basta o tapa que você me deu, agora quer conversar? Se afasta de mim, seu nojento.

Téo: Eu não queria ter te dado aquele tapa…. Foi natural. Eu não queria.

Lilian: Natural? Você não vale nada Téo. Eu deveria te denunciar por agressão. COVARDE!

Téo: Lilian, eu lhe dei aquele tapa porque me contaram que você fez uma coisa muito grave! Me disseram que você roubou o namorado da Maísa pra se vingar do que ela fez contigo!

Lilian, abismada: O QUÊ?

Cena 09- Mansão de Úrsula/ Dia.

Úrsula chega: OLIVE! OLIVEEE- A empregada aparece- Cadê a Paula?

Paula surge: Em carne e osso, Úrsula. Quer falar comigo?

Úrsula se senta: Um assunto de extrema urgência, Paulinha. Sobre a espancadora de mães. Eu falei que ela ia ter um castigo.

Paula, curiosa: E que castigo ela teve?

Úrsula respira fundo antes de falar: O pior de todos. Deus foi severo com ela. A Maísa tá com AIDS.

Paula, chocada: AIDS?

Termina o capítulo 33.