Ser Humano.
Capítulo 25.
Cena 01- Mansão de Úrsula/ Mesa do café da manhã/ Dia.
Maísa, furiosa: Eu não acho engraçado não, e não gostei da maneira insinuativa como me contou isso! Eles devem ser apenas amigos, e vão ser mais amigos ainda quando eu apresentar o Bernardo pra minha mãe.
Úrsula sorri debochada: Querida, não leve tudo tão a sério, Elbert Hubbard já dizia: Não leve a vida tão a sério- você nunca vai sair dela vivo. Isso se aplica a você.
Maísa se levanta e quase derruba a mesa: Mas eu não me importo com o que Albert sei lá o que dizia, com licença, perdi o apetite!
Úrsula grita: É ELBERT, NÃO ALBERT- Depois que a menina sai, começa a rir- Pelo visto a espancadora de mães se importa bastante com o que falei. Xeque Mate.
No quarto…
Bernardo se arruma pra ir trabalhar, quando Maísa entra.
Maísa, indignada: Bernardo, eu preciso falar seriamente com você! Um assunto urgente, que necessita ser resolvido agora!
Bernardo estranha: Nossa…É a cura pra alguma doença que você descobriu?
Maísa grita: PARA DE BRINCAR.
Bernardo se vira: Nossa…Mas que mau-humor é esse? TPM?
Maísa o pega pelo pescoço: Quiçá fosse.- Ela o encara- Você tá me traindo, Bernardo, eu perguntei dias atrás se você era fiel, e recebi um sim como resposta, mas hoje descobri que…
Bernardo a interrompe: Do que você tá falando? Foi minha mãe que resolveu inventar história, e você ainda cai na dela?
Maísa, querendo chorar: Foi ela que me falou sim, mas eu já suspeitava antes, portanto tenho motivos pra acreditar que…QUE VOCÊ TEM OUTRA.
Bernardo fica sem entender nada.
Cena 02- Redação do Jornal onde Eliane trabalha/ Dia.
Eliane perambula pelos corredores do jornal até que um dos colegas chega: Saiu o jornal de hoje, o editor fez questão de colocar sua matéria na capa. Parabéns. É uma bomba e tanto- E joga um exemplar em sua mesa.
Eliane sorri: Obrigado- Na capa: Publicitária Vittória Velasco esconde grave doença e é ameaça para a população– Ela se dá por satisfeita- Agora tomara que aquela doente nojenta morra depois dessa publicação. O mundo não precisa de gente como ela- Eliane toma o último gole de café e começa a ler o que escrevera dias antes- A então formada publicitária, mãe de um filho e mulher aparentemente…
Paralelo à cena… Mansão da Úrsula/ Mesa do café da manhã.
Em casa, Úrsula lê o texto sobre Vittória.
Úrsula, narrando: …guerreira esconde algo sobre sua vida pessoal, algo tão grave, que fez essa jornalista que vos escreve, ficar refletindo se devia ou não publicar essa matéria. Acontece que Vittória Velasco é uma ameaça a todos…
Casa de Vittória…
Vittória se arruma apressada. Ela penteia seus cabelos em frente ao espelho.
Úrsula, narrando: Há quem diga que esta mulher é uma jovem transparente, mas há controvérsias. Vittória, a moça batalhadora é portadora de AIDS. Uma doença que pode lhe matar, pode não, deve. Porém isso não é um apelo, meu objetivo não é fazer com que alguém tenha pena da dita cuja, pois devo lembrar que antes que a AIDS a mate, ela pode infectar milhares de pessoas. Essa senhora na verdade é uma ameaça para todos nós, é mais uma dessas que, por conta de seus pecados, está pagando caro, e pode fazer-nos pagar caro também! Onde estão as autoridades? Vão deixar que uma mulher mate pessoas inocentes com seu vírus? Ela necessita ficar isolada, longe de nós, longe de qualquer tipo de contato físico, que pode ser perigoso e letal. E que não duvidem de mim, tenho provas médicas e uma confirmação da própria sobre a doença. Pra onde o Brasil está caminhando? Até quando esses doentes vão ficar soltos?
Olive fica boquiaberta.
Úrsula, abismada: Meu Deus, estou em choque. – Ela coloca o jornal sobre a mesa. – É por isso que ela estava naquele dia na ala dos aidéticos. E ela ainda teve cara de pau de mentir!
Na casa da Vittória…
Vittória termina de se arrumar, apressada. Ela pega a mochila de Breno e vai até a sala.
Vittória: Anda logo, filho, daqui a pouco você se atrasa.
Breno vem correndo, comendo uma fruta. Em seguida, a empregada também vem.
Empregada, correndo: Dona Vittória, a senhora precisa ver isso.
Vittória abre a porta: Eu estou apressada, depois você me mostra.
Empregada, tensa: O assunto é sério, é sobre a senhora.
Vittória pega o jornal.
Ela não consegue acreditar no que lê.
Vittória, ofegante: Não pode ser. Ela não podia ter feito isso comigo. – E olha para o motorista. – Leva ele por favor, eu tenho que resolver uns problemas. – Ela dá um beijo na testa de Breno – Vai meu filho, eu vou te buscar mais tarde…
Breno sai com o motorista e Vittória se senta perplexa.
Vittória, arrasado: Ela não podia ter feito isso comigo. Não podia!
Vittória pega o telefone e disca.
Vittória, chorando: Bete! BETE, POR FAVOR VEM AQUI, EU PRECISO DA SUA AJUDA!- A empregada se comove, e observa tudo, sem nada poder fazer.
Cena 03- Clube O Bicho&Eu/ Dia.
Mais um dia de trabalho começava. Natália repara que Onofre está sozinho e vai até ele.
Natália, tímida: Bom dia…
Onofre não olha em seu rosto: Espero que seja…
Natália ergue sua cabeça: Eu não quero que esse clima ruim entre nós continue, por favor, me desculpa por aquele tapa. Acabei me excedendo, Onofre, você sabe que eu gosto muito de você…
Onofre a olha fixamente: E eu te amo. Eu te amo muito, Natália, porquê você não me ama também? Eu sou feio, é isso? Eu não faço seu tipo? Nós temos tantas coisas em comum, não entendo porque…
Natália, triste: Não me coloca nessa situação…- Mas Onofre a beija inesperadamente, deixando-a imóvel, ela apenas corresponde ao beijo.
Fausto chega na hora: Bom dia!- E repara nos dois.
O sorriso de Fausto desaparece no mesmo instante, e ele deixa tudo o que tinha em mãos cair. Natália fica constrangida, e Onofre, satisfeito.
Natália limpa a boca: Desculpa, Fausto…
Fausto recolhe seus objetos: Vocês não me devem desculpa. Mas aqui é um ambiente de trabalho, deixem os beijos do portão pra fora- Diz, seriamente. Depois sai.
Onofre sorri, triunfante.
Natália, desesperada: Meu Deus, o que ele vai pensar de mim?
Cena 04- Apartamento dos Segata/ Dia.
Na mesa, apenas Lilian e Irene tomam café juntas.
Irene lê o jornal: Mas que horror a história dessa mulher com AIDS, coitada, depois dessa matéria vai ser condenada. Mas que jornalzinho sensacionalista! Cada vez me assusto mais com essa doença…
Lilian larga o copo de suco: Cadê meu pai? Ele se interessa por esse tipo de matéria…
Irene: Deve estar no quarto. Seu pai só vive trancafiado dentro daquele quarto lendo livros e mais livros. Daqui a pouco arruma uma doença. Livrofobia. Não duvide, é capaz!
Lilian bate na mesa: Credo, vira essa boca. Meu pai é um homem muito saudável, graças a Deus.
Irene: E isso você não puxou dele. Lilian, o que está acontecendo? Você nem come mais direito…
Lilian, segurando as lágrimas: Saudades, mãe. Só isso. – Ela se levanta. – Eu acreditei desde pequena que tudo o que eu fizesse, não machucaria os outros. Acreditei que omitindo alguma coisa, eu teria o perdão. Mas é difícil entender que quanto mais a gente protege, mais a gente machuca as pessoas que amamos. – Irene reflete – Eu sei que vai ser difícil o Fausto me perdoar, mas é inevitável que tudo o que faço, penso ou que digo me reflete ele na memória com a simples intenção de invadir a minha mente e me fazer sofrer cada dia mais, com uma saudade que parece não ter fim.
Irene, emocionada: Quem diria que um dia eu te veria assim, sofrendo por amor…
Lilian, abatida: Talvez eu entenda a dor, afinal parece que o mundo inteiro consegue dominá-la, menos eu. É estranho que todo mundo ache que essa dor que eu sinto não passa de um drama forçado para tentar reconquistar o Fausto. Eu não choro por dor, mas choro na intenção de tentar amenizar a dor que parece não ter fim. Uma dor que parece que perfurou meu peito e que agora fez um buraco imenso, capaz de dar espaços a sentimentos vagos, incoerentes e fracos. Já não consigo mais me reconhecer, parece que os únicos sentimentos que vivem dentro de mim no momento se resumem a saudade e dor. Mas… Nada melhor que uma dor para curar outra. – Ela dá um sorriso fraco
Flávia chega, animada: Oi gente! – Ela nota o clima tenso. – Nossa que caras de velório são essas? O que aconteceu?
Lilian, tentando disfarçar: Eu e minha mãe estávamos relembrando sobre minha infância e eu acabei me emocionando. Só isso!
Flávia, sorrindo: Ufa! Eu vim te chamar para conhecer um espaço que eu encontrei, ideal para nossa clínica. Mas tem que ser agora, topa?
Rubem chega: Flavinha, como vai?
Flávia, sorrindo: Vou bem. Obrigada por perguntar. Vamos Lilian?- Ela assente com a cabeça e dá um beijo na mãe, outro no pai.
Lilian e Flávia saem conversando. Rubem se senta e percebe a cara de Irene.
Rubem, sério: O que foi que aconteceu?
Irene: Lilian sofrendo por saudade. Ai Rubem, eu estou com tanto medo que nossa filha sofra dessa maneira por um bom tempo…Depressão é coisa séria.
Cena 05- Mansão de Úrsula/ Quarto de Bernardo/ Manhã.
Bernardo, bravo: Você tá louca, Maísa? É isso? Como assim pode dizer assim tão claramente que eu tenho outra, se até um dia desses a gente mal saia de casa? Eu dedico todo o meu tempo a você, eu te ajudei quando você precisou, nós construímos na nossa história toda e aí…De uma hora pra outra…Você me acusa? Quer dizer que nada na nossa relação significa, bom saber- Ele olha no relógio- Licença, eu tenho que ir trabalhar agora. Mas essa conversa não morre aqui- Ele termina de se arrumar e sai.
Maísa fica arrependida: Eu fui idiota mesmo em cair na conversa da Úrsula.
Pouco depois, a garota pega um taxi rumo a uma agência de modelo, onde iria fazer um teste e finalmente tentar retomar a carreira depois do desastre na Itália.
Úrsula repara que Elisafran está lendo o jornal e se aproxima: Fran, faz muito tempo que eu preciso ter uma conversa com você…Bem séria.
Elisafran para de ler: É sobre a Olive ontem no quartinho dos produtos de limpeza? Se for sobre isso, volto a afirmar que tudo não passou de um “ engano”.
Úrsula ri: Não é sobre aquela louca da Olive, e sim sobre o Sid.- A sala fica em silêncio por um tempo- Eu já percebi que você não gosta dele de verdade, afinal, vocês começaram a namorar praticamente do nada…
Elisafran se faz de ofendida: Como assim? Úrsula, como pode me acusar dessa maneira?
Úrsula a encara: Para de teatro, Elisafran- A mulher encolhe ao ouvir aquilo- Se você for esperta, vai me escutar, e vai ter o que tanto quer do Sid: O dinheiro do velho.
Elisafran percebe: Você tá querendo dar um golpe no Sid, é isso?
Úrsula acata: Não gosto muito de chamar de golpe, mas se é assim que queres chamar…Mas e então, topa? Vai me ajudar no meu plano? Garanto que não irá se arrepender!
Elisafran sorri.
Cena 06- Apartamento dos Segata/ Quarto de Acácia/ Manhã.
Acácia está revendo algumas fotos de Gorete. Pascoal chega.
Pascoal, sorrindo: Devo entrar?
Acácia confirma: Entre. Senta aqui, Pascoal. – Ela bate na cama. – Venha rever fotos da Gorete comigo.
Pascoal, sério: Dona Acácia, até quando você vai ficar sofrendo pela morte da Gorete? Você tem que esquecer de vez ela, já foram mais de décadas. Aliás, me expressei mal, você deve lembrar dela sim, na memória, mas não viver em torno de sua morte.
Acácia: Eu não consigo, é impossível. Tudo o que eu vejo eu me lembro dela, inclusive a Gorete que é muito parecida com ela.
Pascoal, tirando as fotos de Acácia: Você quis dizer Raquel, né? Você já se tornou uma mulher louca por essa menina, enxergando nela uma pessoa que ela não é!
Acácia, nervosa: Se veio aqui para me ofender faça o favor de ir embora. Eu não vou deixar ninguém me atrapalhar novamente com minha filha, a nossa relação vai ser muito boa daqui a para frente. E eu sou capaz de ferir quem ousar! Eu sofri muito com a perda da Gorete, eu não quero que isso se repita.
FLASHBACK.
Acácia e Gorete correm pelo jardim da casa, brincando de pega-pega. Elas se abraçam e se jogam no chão, sorrindo.
Gorete: Eu nunca tive tão feliz em minha vida. Eu te amo tanto, mãe.
Acácia, beijando a filha: Eu também te amo muito. Eu faria tudo por você, e você sabe disso. Eu sou completamente louca por você.
Foca na imagem das duas, se abraçando e Acácia beijando o rosto da filha.
FIM DO FLASHBACK
Acácia, chorando: Eu perdi o grande amor da minha vida…
FLASHBACK.
Acácia, deitada entre as fotos de Gorete: GORETEEEEEEEEEEEEEEE! – ela chora, soluçando – Por favor, volta para mim, Goreteeeeeeeeee!
Foca na imagem dela, chorando entre as fotos.
FIM DO FLASHBACK.
Acácia, determinada: Eu perdi, mas agora ela voltou pra mim, em outro corpo, Pascoal! A RAQUEL É A MINHA FILHA!- Ela se levanta- Ela tem as mesmas características da Gorete, o próximo passo é deixa-la igualzinha a minha filha fisicamente, isso que eu vou fazer!- E sai correndo.
Pascoal vai atrás: Espera, dona Acácia…
Acácia o empurra e ele acaba caindo e batendo com a cabeça na quina da mesa: Vou aproveitar que não tem ninguém e…- Ela olha no relógio- A Raquel ainda não entrou na faculdade essas horas, pois chegou o momento de eu realizar a transformação. De Raquel pra Gorete!- Ela pega várias objetos, a chave do carro, e aproveita que Rubem, Irene e Geórgia foram em um sebo, para poder sair.
Cena 07- Botafogo/ Flat de Natália/ Dia.
A campainha toca, Yara atende.
Yara vê que é Lídia: Mãe, finalmente veio conhecer o Téo- Ela abre a porta, mas impede que a mulher entre- Pera aí, você tá sóbria?
Lídia ri: É claro que sim, eu sempre estou, você só me pegou num dia ruim…Mas enfim, vai me deixar entrar pra rever o Téo ou não?
Yara permite a entrada: Não foi o que o porteiro do seu prédio me disse, mas…Entra.
Téo aparece: DONA LÍDIA!- Eles se cumprimentam- Mas há quanto tempo, achei que não iriamos nos ver mais, você sumiu, e eu também…
Lídia o beija: O tempo só fez bem pra você, meu querido! Trouxe uma garrafa de whisky pra gente comemorar esse reencontro.
Yara arranca a bebida das mãos dela: Agora não, ainda são dez da manhã, mãe. Um dia, quando você vier jantar aqui, nós usamos isso.
Téo pega as chaves: Sem problemas, eu vou na padaria ali embaixo rapidinho comprar umas gostosuras pra gente devorar sem que a Yara reclame, já volto- E sai.
Lídia repara no flat: Muito organizado e amplo, vou me mudar pra Botafogo, os prédios daqui são lindos…
Yara debocha: Isso porque você nunca viu os prédios da Itália, isso aqui é um cubículo mal organizado, um horror pra se viver, não sei até quando o Téo pretende ficar nesse recinto, mas espero que saiamos logo.
Lídia: Deixa de ser boba e reclamona, Yara…- Ela vai até a mesa de Téo- Essas são as músicas que o Téo compõe? Muito bonitas- Ela lê a letra de algumas…Quem é essa mulher de quem ele fala tanto nas letras?
Yara se aproxima: Claramente eu, mamãe, a esposa dele!
Lídia ri: Deixa de ser boba, qualquer um percebe que não.
Yara arranca as músicas: Deixa eu ver isso daqui…Mas estão uma bela porcaria mesmo, o Téo já compôs coisas melhores- Ela joga tudo pela janela.
Lídia, chocada: FILHA, O QUE VOCÊ FEZ?- O gato Jobim se aproxima.
Yara, furiosa: E pra piorar ainda aparece esse infeliz, eu achei que tinha trancado ele no quarto, mas o Téo deve ter aberto a porta, eu não aguento mais conviver com esse idiota, ele só mia pra mim e me arranha, tô a ponto de cometer uma loucura!
Lídia pega o felino: Ah, não seja insensível, querida, é só trata-los com carinho que eles devolvem de forma recíproca. Gatos gostam de brincar, ainda mais os filhotes- Ela o acaricia.
Yara espirra: Ai…Tira esse bicho daqui, mãe- Ele arranca Jobim e o joga na pia, mas o gato acaba escorregando e cai, batendo a orelha- Odeio gatos, odeio animais!
Lídia vai até o animal: Meu Deus, Yara, a orelha dele tá sangrando, você foi muito violenta!
Yara dá de ombros: Bem feito…
Natália aparece por trás dela: O que você disse, Yara?
Yara gela.
Cena 08- Rua Beira-Mar/ Dia.
Raquel passa pela rua, que está vazia, mas que serve de atalho para a faculdade. Um carro passa anunciando sobre a primeira edição do Rock in Rio em alto e bom som.
Raquel se empolga: Quer dizer então que o tal Roberto Medina vai fazer uma edição de show de rock, aqui no Rio de Janeiro? Será que eu consigo ir? – Indaga a si mesma. – Eu não posso perder o show de Barão Vermelho, Os Paralamas do sucesso e muito menos de Iron Maiden.
Ela continua caminhando e o carro de som vai para longe. No instante, ela percebe que outro veículo lhe segue há bastante tempo. Ela tenta apressar os passos, mas Acácia joga o carro na frente de moça, que se desespera.
Raquel, desesperada: Será que vieram para me assaltar? O que eu faço, meu Deus!
No momento, Acácia desce do carro, séria.
Acácia, não muito bem: A Geórgia contou durante um jantar que você costumava ir pra faculdade por essa rua… Entra no carro, Raquel. – E faz uma pausa- AGORA!
Raquel se apavora.
Cena 09- Estúdio de Modelos Garbo/ Dia.
Maísa pede informações: Isso mesmo, eu vim fazer um teste pra modelo, aqui a minha ficha.
A mulher analisa: Ah, claro, é só entrar na segunda porta, as outras modelos estão se arrumando, você tem forte concorrência, boa sorte- Maísa acata.
Lá dentro, a garota percebe que uma das regras do desfile é não usar maquiagem e fica surpresa, de repente, escuta uma voz conhecida.
Paula faz exigências: Por favor, eu quero uma água mineral, e bem geladinha- Ela vê Maísa- Ora, ora, o que a fracassada tá fazendo aqui?
Maísa, desconfortável: Eu vim fazer um teste, e que eu saiba, aqui é um centro pra modelos amadoras. E você vive se gabando de sua experiência nas passarelas…
Paula revira os olhos: Queridinha, eu vou ser uma das juradas desse teste, fui chamada pela minha alta experiência no ramo, e se depender de mim, você tá eliminada. Você não tem sal, nem açúcar, em resumo, não serve pra ser modelo, portanto é melhor que saia com o pouco de dignidade que lhe resta. Não sei o que Bernardo viu em você, mas logo desencanta e volta pra mim. Aliás, nós temos um laço eterno, que é o nosso filhote…
Maísa a ignora: Que bom pra vocês, bem eu vou me arrumar, porque certamente sei que você não é a única jurada nesse teste, então ainda posso ganhar a vaga.
Paula a impede de sair: Você tem inveja de mim, não é mesmo? Grávida do Bernardo, com carreira bem sucedida, rica, bonita…Quem sabe um dia, quando você nascer de novo, vai poder ser como eu!
Maísa se solta: COM LICENÇA, EU TÔ TENTANDO SER EDUCADA… ME SOLTA!
Paula ri: Pode ir, você não vai conseguir mesmo, nunca! NUNCA, Maísinha! Você não vai ficar com o Bernardo, sua vida vai ser arruinada, e é questão de tempo!
Maísa começa a sentir uma forte dor: Ai…Sai da minha frente, por favor, eu não tô passando bem!
Paula, com as mãos na cintura: Mas é uma fresca mesmo, não consegue ao menos bancar uma discussão! FINGIDA! FIN-GI-DA!
Maísa cai no chão, desmaiada.
O sorriso de Paula abaixa, as outras modelos se aproximam.
Paula, começando a ficar preocupada: Isso aí é invenção, eu tenho certeza, essa menina ama chamar atenção…- Maísa não se mexe.
Uma das modelos constata: Ela tá desmaiada, alguém chama ajuda, por favor!
Paula se afasta: Opa…O que foi que eu fiz…
Termina o capítulo 25.

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