Ser Humano.
Capítulo 14.
Cena 01- Mansão de Sid/ Dia.
Sid e Elisafran chegam na mesa do café da manhã, ele cumprimenta alguns empregados e se senta.
Elisafran, deslumbrada: Nossa, mas que fartura é essa? Eu não tô acostumada com…
Sid a corta: Trate de se acostumar- Ele coloca café na xícara- Aqui só tem coisas de qualidade, Fran. É assim que eu vivo, esse é meu jeito. Detesto qualquer tipo de coisa barata…Me dá alergia!- Brinca.
Elisafran, num tom misterioso: Certamente, você nunca passou pela pobreza, Sid.
Sid indaga: E você já?
Elisafran o encara: Por todas as classes sociais que possa imaginar, meu caro, eu já passei. A ruína não é tão agradável, Sid, ela fere a alma, e nos desestabiliza- Diz, séria.
Sid fica mexido.
Silêncio.
Até que Paula chega, vibrante: Deu positivo, o meu teste de gravidez deu positivo! O Bernardo vai mesmo ser papai, e mal posso esperar pra contar isso pra o meu amor…Ele será meu de novo!
Sid pula de alegria: Se não fosse por essa gravidez, ele voltaria de um jeito ou de outro, e eu faria de tudo pra isso. Afinal, sua felicidade é o que mais me importa. Seja ela as custas da tristeza de outros.
Elisafran observa a fraternidade dos dois.
Cena 02- Hospital Botafogo/ Manhã.
Flávia volta de uma consulta de rotina, a última, já que seu convênio se esgotara e ela ainda continuava desempregada. Passando pelos corredores, ela vê Maísa deitada em uma maca e se surpreende.
Flávia, se aproximando do enfermeiro: Tem algum responsável dela aqui? Eu conheço a moça.
O enfermeiro diz que não, deixando-a preocupada.
Flávia vai até o telefone da recepção: Vou tentar ligar para a casa da Lilian, talvez eles nem estejam sabendo do ocorrido.
Ela tenta, mas o telefone da casa dos Segata está em manutenção, e Flávia não consegue contato. Ela fica preocupada: Preciso dar um jeito de avisar pra eles…
Cena 03- Escola Municipal Professor Atílio Bandeira/ Manhã.
Uma mulher estaciona o carro em frente ao prédio e entra correndo.
Na enfermaria…
Vittória observa o filho Breno, seu joelho está sendo tratado. Ela sorri aliviada.
Breno a nota: Mãe? Vai ficar parada aí? Entra!
Vittória obedece o filho, mas logo fecha a cara: Breno Velasco, posso saber o que você tava fazendo pra machucar o joelho assim? Ainda bem que não foi nada demais…
Breno, travesso: Eu só tava pulando de um banco pro outro e minha perna deu um choque, aí eu me espatifei- Conta, aos risos.
Vittória, brava: E você ainda ri disso? Filho, da próxima vez pode acontecer algo pior, pare de agir como um Tarzan e…- Ela percebe as enfermeiras a olhando receosamente- Eu…Vou te esperar lá fora, filho- E sai, rapidamente.
Ela cruza com a diretora no corredor: Ah, olá dona Vittória Velasco…O que a senhora faz aqui?
Vittória explica: Vim buscar meu filho, ele se machucou, mas nada de grave…
A diretora fecha a cara: Bem…Receio que seja melhor que aguarde fora daqui. É melhor pra você mesma, preserve o pouco de sua imagem que ainda resta- E sai.
Vittória fica triste, mas sai. As inspetoras cochicham algo maldoso sobre ela, que está com a semblante triste. Algo rola na mídia sobre a conhecida publicitária.
Cena 04- Apartamento dos Segata/ Dia.
Lilian e Irene conversam na sala. Elas falam baixo, para que ninguém ouça
Lilian, terminando de tomar um suco: Hoje o Fausto acordou e fiz uma surpresa pra ele, ficou tão contente…Mas aí não sabe de nada que aconteceu em Milão, só desconfia. Mas o que mais me preocupa não é ele e sim minha filha. Eu quero ter uma conversa séria com a Maísa. E essa conversa, será definitiva.
Irene: Olha bem o que você vai falar para essa menina! Ela está tão magoada, não termina de feri-la ainda mais!
Lilian: E você acha que eu não estou, mamãe? Mas a Maísa não me deixou ao menos explicar, ela me humilhou perante a todos. Ela disse que tinha nojo de mim, me chamou de perversa, sem-vergonha. Qual tapa doeria menos que as palavras dela? Aquilo não foi justo, e por mais que eu fosse cruel…Não dava o direito de ela agir assim.
Irene, tentando acalmá-la: Ela estava num momento de tensão, nervosa. Imagina, saber tudo aquilo tão rápido, e de uma forma tão cruel!
Lilian se levanta, ela percebe que Raquel estava ouvindo a conversa de ambas escondida mas finge não ver: Pode até ser, mas ela não escapa da conversa. Eu vou ir visitar a Flávia agora, daqui a pouco volto. Beijos.
Irene: Mande beijos pra Flavinha filha, e vai com Deus.
Lilian sai e Irene continua sentada, pensativa.
Cena 05- Hospital Botafogo/ Dia.
Maísa recupera a consciência lentamente e percebe onde está: Ai…Bernardo…- Mexe a boca lentamente e ainda tem visão turva, até que uma enfermeira se aproxima de seu rosto com uma lanterninha, fazendo-a reagir rapidamente.
A enfermeira fala algo mas Maísa só escuta ruídos.
Maísa, fazendo careta: Quê?
A enfermeira repete: EU TÔ PERGUNTANDO SE NÃO TEM UM NUMERO DE TELEFONE DE UM PARENTE PRA QUE POSSAMOS LIGAR E AVISAR QUE ESTÁ AQUI…
Maísa aponta pra bolsa: A agendinha…O primeiro número, o da casa do Bernardo…Liga pra esse- A enfermeira vai saindo mas Maísa a chama- Como eu vim parar aqui, não me lembro!
Enfermeira: Você caiu na rua e foi trazida por umas freiras, mas já está tudo bem, aproveitamos e fizemos alguns exames de praxe. Uma mulher passou aqui e disse que te conhecia mas logo precisou ir pra casa, porque parece que tava acontecendo um problema lá, enfim…Eu vou ligar pra esse número, mas não se preocupe, já está tudo bem!- Ela disca.
Na Mansão de Úrsula…
Úrsula coloca música clássica, e dá instruções as empregadas: Aquele quadro ali, isso mesmo, presente de colecionador, veio do Louvre direto pra mim…Quero ele limpinho e num lugar de mais destaque na sala. ANDEM!- As serviçais saem com o quadro.
O telefone toca.
Úrsula lixa a unha: Olive! Olive!- Ninguém aparece- Ah, ela foi visitar a tia idosa e só chega mais tarde!- A madame resolve atender- Alô?
Enfermeira: Bom dia, aqui é do Hospital Botafogo, é da casa do Bernardo?
Úrsula, preocupada: É sim, querem falar com ele?
Enfermeira: É porque Maísa está aqui no hospital e deseja que alguém venha ficar com ela até que seja liberada. Ela passou mal.
Úrsula entende tudo: Ah, moça…Eu esqueci, o Bernardo era o dono dessa casa mas ele…Morreu. Licença- E desliga- Aquela rata espancadora de mães merece apodrecer naquele hospital- E aproveita pra desligar o telefone da tomada- Não serei incomodada hoje- As empregadas voltam com o quadro- Isso, coloquem o quadro ali! Não, ali, não aqui, ALI!- Aponta- Pra ter destaque. Uma obra dessas vale mais que os mil quadros que existem em qualquer lar de classe média atualmente.
Cena 06- Laranjeiras/ Casa de Flávia/ Dia.
Lilian chega na casa de Flávia. Ao entrar, ela percebe que alguns móveis não estão mais na casa, e que o lar está bem acabado. Ela fica sem graça de comentar.
Flávia, sorrindo: Que bom que você veio. Não repara minha casa, você que é acostumada com luxo.
Lilian, reparando: Eu odeio a palavra luxo, mas você era bem luxuosa. Flavinha o que aconteceu contigo? Foi só o desemprego mesmo?
Flávia, abaixando a cabeça, chorando: Eu não sei! – ela chora, mas prende em seguida. – Não me faz chorar, por favor. Antes de embarcarmos em uma conversa, eu preciso te contar uma coisa que vi logo cedo.
Lilian, assustada: O que foi? Você me assustou agora.
Flávia, erguendo a cabeça: Eu fui no hospital pegar o resto das minhas coisas, e quando estava saindo, eu vi a Maísa esticada em cima de uma maca. – ela dá uma pausa. – Desmaiada.
Lilian, chocada: O quê? Maísa, minha filha? – ela pergunta, assustada.
Cena 07- Hospital Botafogo/ Sala dos médicos.
Dois doutores conversam sobre o resultado dos exames de Maísa. Um deles é o amigo da família, Pierre. O outro chama-se Ronald, veio dos EUA.
Ronald: No…No, it’s not normal!
Pierre revê tudo: É…Alguma coisa na Maísa tá fora de ordem, e não tô gostando disso. É no sangue- Ele sacode a cabeça negativamente- Vamos ter de fazer mais alguns pra constatar se é algo mais grave ou apenas uma suspeita. Mas por hora…- Ele analisa o papel com Ronald e os dois continuam a conversa.
Cena 08- Botafogo/ Flat de Natália/ Dia.
Téo e Natália conversam, trancados no quarto, Yara escuta tudo da porta.
Natália, sorrindo: Reencontrou muitos amigos por lá? Você tem bastante, que eu sei.
Téo, sorrindo: Muito melhor. Reencontrei o amor da minha vida, a mulher por quem eu sempre fui apaixonado.
Natália, surpresa: Nossa! Téo Padilha está gamado, é isso? – ela sorri. – Mas eu também digo o mesmo, eu reencontrei aqui o amor da minha vida. Do passado, obviamente.
Eles continuam rindo e conversando, de trás da porta, Yara (que já escutava tudo) fica com ódio.
Yara, furiosa: Ele tá falando da Lilian, e nem esconde mais, tá na cara dura! Ah, mas isso não vai ficar assim…Ela é comprometida e ele também, comigo! Infeliz. Infeliz. Mas ela não vai se aproximar mais do meu homem- O gato passeia pelo corredor e ela esbarra nele- Ai, sai daqui!- E o chuta- Vai, vai, bicho idiota!
Cena 09- Mansão de Úrsula/ Dia.
Paula passa pelos seguranças como já é conhecida, e entra. Bernardo desce as escadas e Úrsula continua dando ordens para os empregados.
Úrsula ordena: Eu quero esse chão brilhando, pra que eu possa ver meu lindo reflexo nele! Caprichem, ou coloco todo mundo na rua! Chão sujo reflete o dono da casa. Como não sou suja…- Ela para a filosofia ao ver Paula- My darling, como vai?
Paula, determinada: Vim ter uma conversa definitiva com o Bernardo, sobre aquilo- E arregala os olhos- Vamos resolver tudo, e agora.
Bernardo, curioso: Aquilo o quê, posso saber? Que eu me lembre, não tínhamos nenhum assunto pendente, Paula.
Olive também chega: Tava na casa de uma tia e…AH! POR ISSO- Ela liga a tomada do telefone- LIGUEI MIL VEZES PRA CÁ E NINGUÉM ME ATENDEU!
Úrsula, furiosa: Avermelhada, cala a boca! O Bernardo e a Paula tem que ter uma conversa séria e nós só vamos atrapalhar! Toda a criadagem se retirando, por favor, vamos rebanho, vamos- Ela sai e puxa Olive.
Paula sorri: Eu tenho boas notícias, Bernardo.
Bernardo não se mostra entusiasmado: E você tá esperando eu perguntar o que é, ou vai contar? Eu tava saindo agora, então se for breve…
Paula se aproxima: Certo. É que…- O telefone toca.
Bernardo: Só um minuto- Ele atende- Alô? É o próprio…
Enfermeira: Ah, então o senhor não morreu?
Bernardo ri: Olha, que eu saiba, ainda tô vivo! Mas quem fala? De onde?
Enfermeira: Liguei aí mais cedo e me deram essa informação. Estou falando do hospital Botafogo onde Maísa está, ela desmaiou na rua e está aqui, precisa de alguém que cuide dela e pediu que eu ligasse a esse número até que o senhor atendesse e finalmente deu certo!
Bernardo, tenso: Hospital Botafogo? Ai, não se preocupe, estou indo pra aí agora mesmo! Tudo bem…Tchau, tchau, obrigado pela insistência- Ele se apressa e pega a chave do carro.
Paula, revoltada: Epa! E a nossa conversa? Bernardo, é muito importante mesmo, será que não pode me dar atenção ao menos uma vez? Eu não posso ser prioridade?
Bernardo, sério: Eu sinto muito mas você não é minha prioridade. Tenho que ir pro hospital, a Maísa está lá! Depois eu juro que podemos conversar sobre o que quiser…Mas agora não- Ele sai correndo.
Paula, indignada: Bernardo…BÊ! Ah não, de novo essa Maísa me atrapalhando! Só que pela última vez!- Úrsula surge.
Úrsula: A culpa é da idiota da Olive que ligou o telefone…Mas esquece, Paulinha, quando ele souber desse filho…Ah, pelo que conheço do Bernardo, vai abandonar a espancadora, querer se casar contigo e ainda vai escolher Léo como o nome do bebê…Não sou vidente, mas é isso que vai acontecer- As duas se abraçam.
Cena 10- Clube de Biologia O Bicho&Eu/ Dia.
Fausto está no clube, ele caminha pelos aquários. Em seguida, vai até o centro, onde há os banquinhos para se sentar. O homem vê Onofre sentado e desvia o caminho, mas acaba sendo seguido.
Onofre, sorrindo: Não sabia que você estava fugindo de mim. – Ele debocha.
Fausto, para de andar: Mas não estou, apenas procuro estar no lado melhor frequentado do clube!
Onofre, sério: Eu não vim brigar com você. Vim te contar uma coisa, que tenho certeza que vai te chocar muito. – ele ironiza.
Fausto, sarcástico: Será?!
Onofre, sério: Eu vou morrer! – ele diz, firme.
Fausto que estava sorrindo, muda a feição na hora: Morrer?
Termina o capítulo 14.

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